EBD: Lição 03 – A Vida do Novo Convertido (17 de julho de 2011)

Texto Áureo

“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” (2Co 5.17).

Verdade Prática

Mediante o novo nascimento, mantemos plena comunhão com Deus, reconhecendo o seu senhorio em todas as esferas de nossa vida.

Leitura Bíblica em Classe

2º Coríntios 5.17; Tito 2.11-13; 3.3-8

I. O NOVO CONVERTIDO É UMA NOVA CRIATURA

1. Uma nova criação. Paulo tem uma expressão bem peculiar para se referir ao que é ser um cristão – estar em Cristo (2Co 5.17). A morte e a ressurreição de Cristo por nós e nossa identificação com ele através da fé tornam a existência possível como uma nova criatura. Atualmente, essa nova criação é apenas parcialmente experimentada, mas deve ser o foco da caminhada cristã, visto que é garantida a conclusão da recriação (2Co 4.16-5.5). Nosso relacionamento com Cristo afeta todos os aspectos da vida. Strong define o termo ‘nova’ como ‘não usado’, ‘diferente’, ‘recente’. O termo significa novo em relação a forma ou qualidade, ao invés de novo referindo-se a tempo, um pensamento comunicado por neos [1]. Todo crente é um templo do Espírito Santo e por Ele é guiado. Um bom resumo do processo de santificação (crescimento em santidade) na vida cristã, é o ‘mortificardes as obras do corpo’ (Rm 8.14). O homem recriado é guiado pelo Espírito, este é o estilo de vida daqueles que são filhos de Deus.

2. Transformação radical. O texto de Ef 2.10 diz: ‘Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas’. Strong define o termo feitura (grego poiema do verbo poieo, fazer). Este termo significa o que é fabricado, um produto, um projeto realizado por um artesão. Poiema enfatiza Deus como ‘Projetista Mestre’, o universo como sua criação. Antes da conversão, a vida de qualquer homem é sem razão, a conversão traz harmonia, simetria e ordem. O homem convertido ao Senhor, é o poema do Altíssimo, Sua obra de arte! [2] Não podemos pensar que, uma vez convertido, tudo está feito; com a decisão de seguir a Cristo, a obra apenas iniciou, e perdurará por toda a vida. Eu, particularmente admito, que para um homem ou mulher verdadeiramente convertido, o perigo principal já não mais existe; ele(a) está seguro no amor e cuidado de Cristo Jesus, e ninguém poderá tirá-lo das suas mãos. Mas isto é apenas parte da verdade; a outra parte também deve ser reconhecida, junto com esta, ou estaremos nos enganando a nós mesmos. Há ainda uma grande obra a ser realizada; e a santidade é o caminho da felicidade. Muito cuidado e diligência é requerido do crente. Que nós seremos salvos por Cristo não é mais certo, do que seremos guardados na fé, amor, e santa obediência a Ele.

3. Uma nova dimensão de vida. Tito 2.12 diz: ‘Ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente’, o termo sóbria, que no texto original é sophronos (de sozo, ‘salvar’ e phren, ‘a mente’), encerra o sentido de ‘agir de maneira responsável’, ‘com sensibilidade’, ‘prudencia’, ‘estar em autocontrole e em total possessão de faculdades intelectuais e emocionais’. O pré-requisito para uma vida piedosa é a graça de Deus. O crente tem seu quinhão nessa nova dimensão, ele deve certificar-se de que o fundamento (alicerce) foi bem estabelecido, tanto na mente quanto no coração; ou de outro modo, jamais poderá alcançar a confirmação nem ser salvificamente edificado. O senso comum admite que é tolice tentar edificar um prédio de boa estatura sobre fundamentos deficientes.

Sinópse do Tópico (1)

Nascer de novo é sofrer uma transformação radical de vida, começando pelo interior, abrangendo todo o coração, desejo e vontade.

II. O PASSADO SE FOI E EIS QUE TUDO É NOVO

1. O passado ficou para trás.Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos’ (1Pe 1.3). Os termos ‘Nos gerou de novo’ refere-se a um novo nascimento daquele que aceita pela fé, o dom gratuito de Deus. O Cristo ressurreto possibilita uma viva esperança, que em toda a Bíblia, não é incerteza ou expressão de desejo, mas sim, uma expectativa confiante de futura benção, baseada em fatos e em promessas! E digno de nota que, o termo ‘viva’ indica o caráter imortal e permanente dessa esperança! Agora, o crente é, juntamente com Cristo, herdeiro de Deus, e sua sorte chama-se salvação! (Rm 8.16,17; Hb 1.14; 1 Pe 1.5). Alegremente, devemos entoar com toda a alma, a doxologia de Paulo em Romanos 8.31-39.

2. “Eis que tudo se fez novo”. M. Lloyd-Jones afirma: “O cristão deve saber por que é cristão. O cristão não é uma pessoa que simplesmente diz que lhe sucedeu algo maravilhoso... está sempre preparado e pronto a dar a «razão da esperança que há nele». Se não o pode fazer melhor será que trate de ter certeza de sua posição. O cristão sabe por que ele é o que é, e sabe qual a sua situação. Foi-lhe apresentada a doutrina; recebeu a verdade. Esta «forma de sã doutrina» (Rm 6.17 e Tt 2.1) o alcançou. Alcançou-lhe a mente, e sempre há de começar com sua mente. A Verdade vem à mente e ao entendimento iluminados pelo Espírito Santo”. O homem que sabe e crê que «ressuscitou com Cristo», inevitavelmente desejará andar em novidade de vida com Ele [3]. A nova vida em Cristo nos conduz a uma mudança completa na maneira de sermos. Isto começa com o pensamento voltado para o alto, para Deus e para as coisas espirituais. Haverá uma mudança nas motivações da nossa vida. Os alvos da nossa vida levarão sempre em conta a transitoriedade da vida terrena. Sempre teremos em mente que a vida terrena é passageira, sendo a vida além túmulo, eterna. Buscaremos em tudo a orientação de Deus para cada passo da nossa nova vida.

3. É tempo de avançar. Paulo impressiona com sua singular explicação quanto ao dever de avançar sempre na caminhada em santidade quando afirma: “Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim,” (Fp 3.13). Essa confissão de Paulo nos arremete a imagem de um atleta, esforçando-se com cada músculo do seu corpo enquanto corre até a sua meta, com a mão estendida para alcançá-la. E nesse sentido que ele, Paulo, afirma em Hb 12.1: “[...] corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta [...]”, numa analogia com as competições atléticas dos gregos, ele fala da característica da vida cristã: a semelhança do corredor, o cristão deve estar numa atividade constante que o levará ao objetivo final, apesar dos oponentes. Essa luuta exige esforço, perseverança e foco em Jesus, o único ‘Autor e consumador da fé’ e exemplo supremo de fé na carreira!

Sinópse do Tópico (2)

Em Cristo o nosso passado de transgressão e desobediência fica para trás.

III. QUANDO ESTAMOS EM CRISTO

1. Temos um novo olhar. Carecemos reconhecer que as inclinações da natureza carnal devem ser dominadas. Mesmo vivendo num mundo em que toda a ênfase são para o prazer imediato, nós precisamos ter o domínio sobre todas as tentações que este mundo oferece. O alvo da nossa vida é a santidade. Sabemos que enquanto estivermos neste corpo nunca alcançaremos a perfeição, mas é nosso dever dia após dia, vencer as inclinações carnais. Mas não obstante isso, o crente que possui a mente de Cristo, serve bem aos outros, deixando seus próprios desejos pelo bem comum de todos os santos. Muitos reinos caíram por causa do egoísmo e da ganância. Mas o reino do céu está estabelecido no serviço desinteressado aos outros. Jesus Cristo -- o próprio Rei -- veio como um servo e serviu a toda a humanidade vivendo sem pecado e morrendo numa cruz para tornar a salvação um fato! Se Jesus pode humilhar-se para descer do céu e servir os homens, estes podem humilhar-se para descer de seu orgulho e servir os outros.

2. Temos uma nova atitude. Que atitude deve ter o crente quando afrontado, mesmo que tenha razão? O escritor da epístola aos Hebreus afirma: “Segui a paz com todos [...]”. Apesar de muitas vezes, nos sentirmos tentados na perseguição a retribuir o mal com o mal, o autor desta epístola diz que devemos viver em paz com todos, “quanto depender de vós”(Rm 12.18), da mesma forma como procedeu o Senhor Jesus, que, “quando maltratado, não fazia ameaças” (1Pe 2.23). "Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade." (1Jo 3.18).

3. Temos uma nova vida abençoada. Transcrevo a seguir, um artigo do Pr Hernandes Dias Lopes, que tem por título ‘Abençoados para sermos abençoadores’:

A igreja é o povo mais abençoado do mundo. Somos abençoados com toda sorte de bênção em Cristo Jesus. Somos filhos de Deus, herdeiros de Deus e a menina dos olhos de Deus. Fomos amados desde a eternidade. Fomos chamados com santa vocação. Fomos transformados pela graça. Recebemos um novo nome, um novo coração, uma nova vida, uma nova família, uma nova pátria.O propósito de Deus, entretanto, não é apenas nos abençoar, mas tornar-nos abençoadores. Não somos apenas o receptáculo da bênção, mas sobretudo, seu canal. Três verdades preciosas nos chamam a atenção acerca desse momentoso assunto.

1. Somos abençoados para sermos abençoadores porque somos portadores de boas novas num mundo marcado por más notícias. O mundo está cansado de ouvir más notícias. A mídia despeja todos os dias em nossos ouvidos dezenas de informações trágicas: é a violência que campeia sem controle na cidade e no campo; é a corrupção que se infiltra em todos os setores da sociedade; é a devassidão moral que solapa os valores morais e desestabiliza a família. A igreja de Deus não é trombeta do mal, mas portadora de boas novas. Temos a única mensagem capaz de trazer esperança para o homem atormentado pela culpa. Temos o único remédio capaz de curar o homem de sua enfermidade espiritual. Somos embaixadores de Deus a proclamar ao mundo a boa notícia de que Deus ama o pecador e enviou seu Filho para salvar a todos os que se arrenpendem e colocam sua confiança em Jesus.

2. Somos abençoados para sermos abençoadores porque somos construtores de pontes onde o pecado só cavou abismos. O pecado separa o homem de Deus, de si mesmo e do próximo, mas o evangelho lhe restaura a alma, oferecendo-lhe reconciliação com Deus. Neste mundo timbrado pelo ódio, somos arautos do amor de Deus. Neste mundo de guerras, somos embaixadores da paz. Neste mundo onde se aprofundam os abismos da inimizade, somos pacificadores. Deus nos confiou o ministério da reconciliação. Somos agentes de Deus na maior missão de paz do mundo, pois nosso ministério é rogar aos homens que se reconciliem com Deus. É sublime o privilégio de construirmos pontes onde o pecado cavou abismos. É glorioso o trabalho de lutar pela salvação dos perdidos. É maravilhoso saber que Deus nos confiou um ministério que os anjos gostariam de fazê-lo.

3. Somos abençoados para sermos abençoadores porque recebemos a maior, a mais urgente e a mais importante incumbência do mundo. A evangelização é a mais importante missão do mundo. É uma tarefa imperativa, intransferível e impostergável. Fomos chamados para sermos enviados. Não podemos nos calar quando temos a única mensagem capaz de salvar os que estão perdidos. Não podemos silenciar nossa voz quando nenhuma outra instituição humana pode realizar essa tarefa a nós confiada. Não podemos adiar a proclamação dessa boa notícia, quando tantos perecem em seus pecados, sem esperança e sem Deus no mundo. O privilégio de sermos abençoados implica na responsabilidade de sermos abençoadores. Deus nos chamou das trevas para a luz para sermos um luzeiro no mundo. Deus nos tirou da escravidão para a liberdade para anunciarmos aos cativos que se o Filho de Deus os libertar verdadeiramente serão livres. Deus nos arrancou desse mundo tenebroso para sermos conduzidos de volta ao mundo, a fim de anunciarmos que Deus reina e exige que todos se dobrem aos pés do seu Filho, adorando-o como Salvador e Senhor. Unimos nossa voz à do salmista, quando clamou: “Abençoe-nos Deus, e todos os confins da terra o temerão” (Sl 67.7) [4].

Sinópse do Tópico (3)

Quando estamos em Cristo temos um novo olhar, novas atitudes e uma vida abençoada.

(III. Conclusão)

A vida cristã é resultado de um novo e verdadeiro relacionamento com Deus que se inicia com o novo nascimento. Nesse encontro de perdão com Deus nasce a verdadeira alegria. Todo novo convertido é a pessoa mais feliz e alegre que já se viu. Certamente muitos crentes, na medida em que a vida passa, a rotina e o descuido tomam conta e o pecado passa a ter domínio sobre áreas da vida, perdem o viço, o bom perfume e o frescor da alegria resultante do fato de ser nova criatura, e o mais triste, para muitos, isso apenas foi uma experiência do passado.

- Há momentos que sua vida cheira mal?

É no relacionamento e no cultivo da presença de Cristo que alegria se evidencia na vida do cristão.

- Sl. 16. 11 ‘Na tua presença há plenitude de alegria'.

"Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade." (1Jo 3.18)

N’Ele, que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8),

Francisco A Barbosa

Notas Bibliográficas

[1]. Adaptado de Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP, Sociedade Bíblica do Brasil, 2001,Palavra-Chave, p.1204;
[2]. Adaptado de Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP, Sociedade Bíblica do Brasil, 2001,Palavra-Chave, p.1226;
[3].Adaptado de http://bereianos.blogspot.com/2010/03/nova-vida-em-cristo.html;
[4].Disponível em http://hernandesdiaslopes.com.br/2010/08/abencoados-para-sermos-abencoadores/

Os textos das referências bíblicas foram extraídos do site http://www.bibliaonline.com.br/, na versão Almeida Corrigida e Revisada Fiel, salvo indicação específica.

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