EBD: Lição 8 – O Genuíno Culto Pentecostal (22 de maio 2011)



TEXTO ÁUREO: “Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação” (1Co 14. 26).

VERDADE PRÁTICA: O genuíno culto pentecostal é marcado pela reverência, ordem e profundo temor a Deus, propiciando, assim, o contínuo derramamento do Espírito Santo sobre a igreja de Cristo.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: 1Coríntios 14. 26-33, 39, 40

     A voz poderosa de Deus é ouvida no meio da adoração, quando Sua presença é certa (Sl 22. 3). É na adoração que podemos ter nossos rostos transformados e nosso coração mudado. Como é bom entregar-se à adoração ao Senhor e agradecer-lhe o seu amor. 
     Na medida em que nossa vida é pautada pela Palavra Santa de Deus, tão santa e agradável será nossa adoração. É por isso que devemos nos ater ao que a Bíblia diz sobre a adoração e o culto. Toda a nossa prática deve partir da nossa meditação da Palavra. 
     Muitos modismos antibíblicos tem se alastrado no meio da igreja. Doutrina errada gera adoração e liturgia errada.
     Veremos neste estudo os ditames e exemplos bíblicos destacados pela Palavra de Deus com relação a adoração e o culto a Deus.



     Adorar é expressar em atos e ações o amor que temos a Deus, e um culto é uma boa oportunidade para fazer isso (Hb 13. 15). Na adoração nós nos ofertamos a Deus e tentamos traduzir em louvores toda a majestade dAquele a quem pertencemos (Sl 40. 5; 51. 17; Rm 12. 1, 2).
I. A ADORAÇÃO E O CULTO
     Você acha que adoração e culto são a mesma coisa? Não são a mesma coisa. A adoração é o ato ou a manifestação de louvor e honra a Deus. O culto refere-se ao rito, a liturgia empregada durante a adoração numa reunião de pessoas que se congregam seja na igreja, seja numa casa ou onde for, com o objetivo de servirem a Deus.
   1. O verdadeiro significado de culto. No Antigo Testamento (AT), podemos perceber a definição de “culto” nas palavras hebraicas usadas para descrever este lado religioso de Israel. Sendo a religião judaica estritamente cerimonial por ser ordenada na Lei de Moisés (Nm 9. 3), a liturgia que envolvia a adoração era por vezes supervalorizada, em detrimento do sentimento interior que motivava o culto. Das várias palavras hebraicas para culto, temos hdbe [‘abodah], traduzida na RA (Almeida Revista e Atualizada) como “rito”, em Êx 12. 25, 26; 13. 5, referindo-se ao ritual da Páscoa. Também temos a palavra dbe [‘abad], que tem o sentido de “servir”, “trabalhar”, “fazer alguma obra de serviço”, “ministrar” e que algumas vezes se refere ao serviço prestado pelos sacerdotes e levitas no templo e para descrever a adoração prestada em um culto formal (Êx 20. 5; Nm 3. 7).
     No Novo Testamento (NT), o culto ganha uma formas mais espiritual e superior, sem deixar de lado a liturgia, no entanto, é um culto prestado sem tanta dependência dela (Jo 4. 20-24). Por isso Paulo dá a entender que o culto e a adoração são basicamente a mesma coisa. Em Rm 9. 4 a palavra “culto”, no grego é latreia [latreia]. Esta palavra aparece cinco vezes no NT (Jo 16. 2; Rm 9. 4; 12. 1; Hb 9. 1, 6) e tem o sentido de “prestar serviço sagrado”, “servir a Deus”. Outra palavra usada no sentido de culto, é yrhskeia [threskeia ],ela está mis para o sentido de culto formal, onde as cerimônias, a liturgia, isto é, a forma exterior do culto é mais enfatizada. Ela aparece em At 26. 5; Cl 2. 18; Tg 1. 26 e é traduzida por “religião”, também. 
     O culto bíblico é a devida resposta das criaturas racionais à auto-revelação do seu Criador. O culto honra e glorifica a Deus, ofertando a Ele agradecidamente todas as suas boas dádivas e todo o seu conhecimento de sua grandeza e graça que Ele tem concedido. Devemos louvá-Lo por aquilo que Ele é, agradece por aquilo que Ele tem feito, desejar que Ele aumente a sua glória por meio de contínuos atos de misericórdia, juízo e poder. Muitos estão participando do culto sem entender o seu significado, esperam ser ‘abençoados’ ou ‘ouvir Deus falar consigo’, esquecendo que o culto é um serviço de adoração à Deus, é para servir e não para ser servido.
   2. A essência do culto a Deus é a adoração. O culto aceitável deve ser feito da forma aceitável. Conforme dissemos, a palavra culto subentende o cerimonial, aquilo que é exterior, já a adoração dá a entender o íntimo, o interior, o essencial. 
     A palavra adoração vem do grego koiné “Proskuneo” que significa reverenciar ou homenagear. É usada cerca de 59 vezes no Novo Testamento para indicar a comemoração que rende a uma pessoa ao prostrar-se a seus pés. Também indica o fato de prestar homenagem ou tributo divino (Mateus 4:10, João 4:20-21, Hebreus 1:6). Sua tradução literal seria: “Beijar a mão ou o piso diante de”. Neste sentido é mais esclarecedor que o vocábulo usado no Antigo Testamento mais de 170 vezes para indicar adoração, “Shachah” e que se traduz literalmente como inclinar-se, cair diante de, prostrar-se, ajoelhar-se. Beijar denota contato, aproximação, relação. Pode-se reverenciar ou homenagear à distância, mas o beijo requer aproximação, contato. 
    Também consideramos importantes outros dois termos usados no Novo Testamento para indicar adoração: “Sebomai” (usado oito vezes), que tem sua raiz na palavra “Sebas” (temor) e “Latreia”, o qual já analisamos. 
    Em nossa língua o uso mais comum de “proskuneo” (Prós: em relação a; e Kuneo: beijar) é o que se refere à reverência que se rende a uma pessoa, especificamente a reverência e honra que se deve render a Deus. Apesar de que em nossa mentalidade a adoração tem mais a conotação de uma experiência “subjetiva e pessoal” em oposição a um “sistema litúrgico”, o termo se usa como equivalente do termo saxão weordhscipe (inglês arcaico), que se refere a “dar tributo de dignidade ou valor a um objeto ou pessoa”. Atualmente em inglês se usa a palavra worship que é nada mais que uma contração do velho termo anglo-saxão mencionado. Mas worship transmite à mentalidade latina a ideia de um sistema litúrgico ou formas, mais que de relação pessoal com Deus. Quando nos referimos ao culto público ou reunião pública, geralmente traduzimos o termo como “serviço de adoração”, (worship service), que não indica em nossa mentalidade necessariamente adoração como experiência espiritual. Daí a necessidade de comparar o termo em inglês. Mais ainda, em nossa própria língua muitos não têm plena consciência de que adoração cristã, no sentido bíblico mais profundo, indica prostração, reconhecimento de autoridade e relação com essa autoridade. Mas isto faz ressaltar a experiência acima do sistema (Gênesis 24:48, Êxodo 4:31, II Reis 17:35, Salmos 5:7, 95:6-7, João 4:23). Donald P. Hustad enfatiza isto quando define adoração cristã como “a resposta afirmativa do ser humano a Deus, o qual revela-se a si mesmo como Deus Triúno”. Nós não O buscamos às cegas ou no vazio. Ele dá o primeiro passo, revelando-se, mostrando-se a si mesmo em poder e amor. O ser humano lhe reconhece e lhe responde afirmativamente convertendo-se a Ele e começa assim uma relação experimental que é prioritária na adoração cristã. 
    Por outro lado, quando denominamos ao culto cristão como serviço de adoração, somos conscientes que nos estamos referindo a uma reunião pública e regular da igreja, em que o povo de Deus reconhece Seu valor e Lhe atribui a glória que Lhe pertence. W. T. Conner diz: “Quando dizemos que a adoração é o negócio primário da Igreja, devemos usar a palavra no sentido mais amplo. A adoração inclui a expressão, ou o anelo da alma em resposta à revelação que Deus nos faz de Si em Cristo. Inclui o canto, a oração, a leitura das Escrituras, as oferendas, o sermão, as cerimônias: a totalidade da entrega da alma, individualmente e como corpo, a Deus, em resposta a sua graça”. Por isso é que, muito mais importante que a compreensão semântica destes termos em nosso idioma, é poder entender com clareza seu uso bíblico, a fim de que isto nos ajude a não reprimir a expressão de nossa adoração, porém procurar equilíbrio e maturidade em sua expressão. 
      Liturgia, culto e adoração são três termos importantes em relação à prática religiosa que, caso sejam bem compreendidos, enriquecerão nossa experiência espiritual. Nossas formas, atitudes e sentimentos são básicos na expressão do tributo que devemos a Deus e liturgia, culto e adoração têm que ver com eles. A liturgia tem que ver mais com nossas formas; culto, com nossas atitudes e adoração, mais com sentimentos e compreensão da relação de dependência e do sentimento de temor ao Deus a quem adoramos. Isto, de modo algum é absoluto e conclusivo, pois se assim o considerássemos, cairíamos em uma rigidez alheia à autêntica experiência de adoração cristã. 
     A cerimônia dá beleza a adoração, mas não pode limitá-la. O cerimonialismo pode por ordem na adoração e tornar o culto mais decente, mas não pode privá-lo da espontaneidade e liberdade.    

   3. Adoração completa e incondicional. A verdadeira adoração surge a partir de um contínuo andar com Deus. Um homem que dificilmente pensa em Deus durante os seus dias, não está apto a adorá-lo corretamente. Quando um crente não produz uma vida contínua de adoração, ela não será completa nem incondicional. “Nós não vamos à igreja para adorar, porque a adoração deveria ser a atividade e atitude constantes do cristão dedicado. Nós vamos à igreja para adorar pública e corporativamente”. (John Armstrong). "Adoração é a submissão de todo nosso ser a Deus. É tomar consciência de sua santidade; é o sustento da mente com sua verdade; é a purificação da imaginação por sua beleza; é a abertura do coração a seu amor; é a rendição da vontade a seus propósitos" (William Temple). A adoração deve ser a atividade principal, tanto particular como comunitária, na vida de cada crente (E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai. Cl 3.17).
APLICAÇÃO PESSOAL: O sentido natural de liturgia é ministério ou serviço do povo. Do ponto de vista do apóstolo Paulo, a tradução correta de leitourgia seria “serviço de adoração” (Gl 5.19-22). Outros termos derivados ajudam a elucidar o vocábulo liturgia: Leitourgós, que significa “servo, servidores”; Leitourgikós, que significa “ministradores” (Hb 1.14). O culto de adoração a Deus é a mais sacra reunião da Igreja, em gratidão ao Senhor por todas as bênçãos salvíficas (Sl 116.12,13). A pessoa principal do culto não é o pregador, o cantor, os conjuntos, os obreiros, mas o Senhor Jesus Cristo.
II. COMPOSIÇÃO DO CULTO PENTECOSTAL
     Em um culto regido pela Bíblia, notamos a liberdade da operação de Deus, pois a liturgia não O limita, nem a seus adoradores, apenas prescreve a ordem aceita por Deus.
   1. Liturgia do culto pentecostal. O culto dos crentes primitivos que, nos primeiros dias da Igreja em Jerusalém não diferia muito da liturgia judaica (At 3.1), passou a ser dinâmico, espontaneo e com manifestações periódicas dos dons concedidos pelo Espírito Santo (Rm 12.6-8; 1Co 12.4-11, 28-31). O termo grego leitourgia é também utilizado para designar a forma de oração recitada em sinagogas judaicas. Para os protestantes, o termo descreve uma forma de culto, em contraste com a espontaneidade que ocorria, por exemplo, na Igreja de Corinto. Como povo de Deus, devemos adorá-lo. Isso implica leitourgia – “Obra pública ou dever público”. Em outras palavras, ao tratar de liturgia cristã, devemos fazê-lo sob a perspectiva da doutrina da adoração cristã. Paulo declarou que a verdadeira adoração é aquela que se oferece a Deus pelo Espírito, não confiando na carne, mas gloriando-se em Jesus (Fp 3.3). O culto pentecostal caracteriza-se por manifestações emocionais, sonoras, visíveis, os quais representam a atitude do adorador, sem dogmatizar formas externas de cultuar por entender que elas podem engessar a liberdade de espírito de manifestação; isto implica numa responsabilidade maior ao Ministro: um culto genuinamente pentecostal, o ministro da Igreja deve ter o cuidado de ensinar acerca do equilíbrio entre emoção e espiritualidade, sem bloquear a ação do Espírito Santo. No dizer do Pr Elienai Cabral, “Como vamos averiguar se determinada prática é correta ou incorreta? Pela Palavra de Deus. O que deve prevalecer? É o que diz e ensina a Bíblia, nossa regra de fé e conduta. "Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação; porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo", 2Pd 1.20-21”.
   2. Elementos do genuíno culto pentecostal. A liturgia do culto deve seguir e incorporar na adoração os seguintes elementos:
     a) Leitura da Palavra. A leitura, a meditação, o estudo e a pregação da Palavra de Deus devem ser considerados e jamais negligenciados na liturgia. É fundamental que todo culto, todo estudo bíblico e toda pregação tenha apoio escriturístico. A mensagem na igreja tem que ser Cristocêntrica. Se Jesus Cristo não for o centro, alguma coisa está fora de lugar e acaba por não produzir os resultados esperados. Cremos que a Palavra de Deus é a que traz equilíbrio ao homem e o previne para não desequilibrar-se; ela produz pureza segundo a declaração do salmista: “Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti.” (Sl 119.11). Igualmente, ela ilumina o caminho do crente: “Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho”( Sl 119.105). Praticamente todo o Salmo 119 é uma apologia do poder, do valor e da excelência da Palavra de Deus. Precisamos reaprender a dar à Palavra o espaço que lhe é por direito na liturgia. O estudo da mesma é fundamental para o crescimento do novo convertido e dos crentes em geral. Jesus disse aos judeus: “Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus” (Mt 22.29). Os grandes discursos apologéticos de Pedro, de Estêvão e de Paulo continham em si mesmo uma grande dose de Palavra. A argumentação destes homens não foi de meras interpretações pessoais ou de ideias preconcebidas, mas, sim, foi com base na Palavra do Antigo Testamento. A pregação da Palavra é fundamental. Por ela vem a revelação de Deus à vida do homem, e por ela a fé é aumentada.
     b) Cânticos na adoração. Adoração: Dicionário Brasileiro Globo – “1. Culto a Deus; (fig.) amor profundo; veneração; Minidicionário Luft - Ato de render culto a (divindade). 2. Amar ao extremo. A adoração só é devida a Deus, uma vez que adorar é venerar, render culto, o que implica em uma relação direta entre o adorador e a divindade. Estamos acostumados a ouvir o termo ‘louvor’ ao referir-se sobre música na igreja, em detrimento do termo ‘adoração’. Louvor:- Dicionário Brasileiro Luft - Ato de louvar; elogio; glorificação; apologia; Minidicionário Luft - 1. Elogio; encômio; aplauso. 3. Exaltação; glorificação”. Disso concluímos: O que é louvor? Exaltar, glorificar, bendizer a nosso Deus. 1 Cr. 29.20 e Cl.3.16; O que é adoração? veneração elevada que se presta a Deus, reconhecendo-lhe a soberania sobre o universo, o governo moral e a força dos seus decretos é a manifestação da gratidão por suas bênçãos e proteção. O louvor e a adoração é uma das partes constitutivas do culto coletivo. Sem verdadeira adoração e louvor a Deus, não há verdadeiro culto. (Sl 98.1; 104.4; 150).Todo culto verdadeiro oferece louvor a Deus. O homem é peça fundamental na realização do culto, no entanto, é Deus o centro das atenções, o alvo do culto, e a maior parte dos louvores entoados em nossos cultos não são cristocêntricos. Onde estão os hinos cristocêntricos? Procure nos hinários antigos! Devemos rejeitar todos os hinos da atualidade? É claro que não. Mas devemos estudar as letras antes de entoá-los para evitar erros teológicos e heresias. Pregadores, cantores famosos, devem procurar algum programa de televisão para se apresentarem, porque o único digno de toda honra, glória e poder é Cristo Jesus nosso Senhor. (Ap 15.12-14).
     c) As orações e as ofertas voluntárias. O ofertório e a coleta de dízimos também é um devocional (Lc 21.1-4; 2Co 9.1-15; 1Co 16.1-4; Rm 15.26 e Hb 7). Devemos lembrar-nos que tudo quanto possuímos pertence a Deus, de modo que aquilo que temos não é nosso: é algo que nos confiou aos cuidados. Não temos nenhum domínio sobre as nossas posses. Devemos decidir, pois, de todo o coração, servir a Deus, e não ao dinheiro (Mt 6.19-24; 2Co 8.5). Adoramos ao Senhor ofertando voluntária e generosamente, pois assim é ensinado tanto no Antigo Testamento (Ex 25.1,2; 2Cr 24.8-11) quanto no Novo Testamento (ver 2Co 8.1-5,11,12). Não devemos hesitar em contribuir de modo sacrificial (2Co 8:3), pois foi com tal espírito que o Senhor Jesus entregou-se por nós (ver 2Co 8.9 nota). Para Deus, o sacrifício envolvido é muito mais importante do que o valor monetário da dádiva (ver Lc 21.1-4).
APLICAÇÃO PESSOAL: Em Jo 4:21-24 as palavras de Jesus mostram claramente que a adoração verdadeira não depende da presença nem do uso de coisas visíveis, ou de localidades geográficas. Ao invés de depender da visão ou do tato, o adorador verdadeiro exerce fé, e, sem considerar o local ou as coisas em sua volta, mantém uma atitude de adoração. Assim, ele adora, não com a ajuda de algo que possa ver ou tocar, mas com espírito, não de forma exterior e visível, mas de maneira espiritual e íntima. Visto que possui a verdade conforme revelada por Deus na Sua Palavra, a adoração deve estar de acordo com essa a verdade. Tendo-se familiarizado com Deus por meio da Bíblia e da evidência da operação do Espírito de Deus em sua vida, aquele que adora em espírito e verdade definitivamente ‘conhece o que adora’.
III. MODISMOS LITÚRGICOS
    Estamos na era dos modismos em que as pessoas amontoal falsos pregadores que lhes massageie o ego. Vejamos algumas coisas que infectam o bom andamento do culto.
   1. Adoção de movimentos estranhos ao cristianismo do Novo Testamento. Estamos numa época de muitas inovações na liturgia e inserções de práticas estranhas ao pentecostalismo tradicional – as mais diversas unções (do riso, do leão, da lagartixa, etc), cair no poder, danças espirituais, entre outros. Estes modismos muitas vezes, são trazidos por pessoas que dizem ter uma nova unção do Espírito. Como bem escreve o Pr Ciro Sanches Zibordi em seu artigo ‘Modismos no Culto Pentecostal’: “Esta, porém, não existe, visto que a unção do Espírito de Deus é uma só, como ensina o apóstolo João: “E vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo”, 1Jo 2.20. Nesse caso, interessar-se por manifestações estranhas, diferentes das apresentadas no NT, é se opor à legítima operação do Espírito Santo”. Em 1Co 14, Paulo ensina, no versículo 40: “Mas, faça-se tudo decentemente e com ordem”. Sejamos pentecostais, mas não nos esqueçamos da ordem, da decência e do equilíbrio. E jamais deixemos os verdadeiros elementos de um culto pentecostal: “Cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para a edificação”, (1Co 14.26).
   2. Cultos exóticos. “Muitos de nossos erros nas áreas onde estão envolvidos os dons espirituais surgem quando queremos que o extraordinário e o excepcional sejam transformados no freqüente e no habitual. Que todos que desenvolvem desejo excessivo pelas “mensagens” transmitidas por meio dos dons possam aprender com os enormes desastres das gerações passadas com nossos contemporâneos [...] As Sagradas Escrituras é que são lâmpada que ilumina nossos passos e a luz que clareia nosso caminho.” Donald Gee, pastor assembleiano em 1963.
      Transcrevo a seguir, uma entrevista [1] com o Dr Paulo Romero (PR) à Revista Fiel (RF), fonte citada abaixo:
RF – Quais foram os principais modismos teológicos dos últimos tempos que causaram maiores estragos ao povo de Deus no Brasil?

     PR – A Teologia da Prosperidade é um, depois outras doutrinas que foram aparecendo como a Quebra de Maldição Hereditária, o G-12 e as distorções na área de batalha espiritual, porque a ênfase passa a ser nos demônios, em espíritos territoriais. São várias as distorções na área de batalha espiritual. Vimos também os abusos na área dos milagres. E como combater isso? Só existe um meio: com a Bíblia. É preciso voltar aos fundamentos, ao básico, à Palavra de Deus.

RF – Recentemente entrevistamos o professor James Packer, que nos disse que a Teologia da Prosperidade já não tem força nos EUA como antes. O senhor acredita que a Teologia da Prosperidade ainda terá muito fôlego no Brasil e na América Latina?

     PR – Ela terá por causa da tirania do mercado. Ela precisa de dinheiro para sobreviver e as igrejas que pregam a Teologia da Prosperidade conseguem arregimentar a multidão. Essa doutrina prega o que as pessoas querem ouvir. Ela oferece uma ajuda imediata para problemas imediatos. “Você, que não consegue casar, vem aqui e vou lhe arranjar um parceiro”. Ou “Você, que não consegue prosperar, faz a corrente aqui e vai prosperar”.

RF – Quem é o culpado pela ênfase nas soluções imediatas para os problemas?
    

PR – Esse é o grande problema. Muitas igrejas não pregam mais a Salvação. Elas pregam a solução de problemas. Mudaram o foco. Elas não têm, por exemplo, um trabalho a médio e longo prazo com os seus membros, porque aí precisam falar de vida eterna. Você já viu, por exemplo, essas igrejas falarem sobre Céu, Santificação e Volta de Cristo? Tem pregador que nem quer que Jesus volte, porque ele está tão bem na vida hoje que a Volta de Cristo irá estragar os planos dele.

RF – O senhor tem falado ultimamente que tem aumentado no Brasil o número de crentes desiludidos e frustrados com a fé cristã por terem acreditado na Teologia da Prosperidade. Como tratar os crentes nessa situação?

    PR – Os pesquisadores e sociólogos chamam isso de “trânsito religioso”. Há uma igreja em trânsito hoje. São milhares e milhares de crentes, talvez milhões, que não conseguem mais parar em igreja nenhuma. Eles transitam. Qual a igreja que oferece a melhor proposta ou o melhor entretenimento? Qual a igreja que vai oferecer o melhor show daquele fim de semana?

Converti-me ao Evangelho em 1971 e, naquela época, nunca esperava que um dia algumas denominações chamassem um culto evangélico de show. Agora tudo é show. Há igrejas que só funcionam como shows. É a forma de prender a multidão. “Olha, hoje à noite tem fulano de tal, amanhã tem beltrano e depois aquele outro”, e não pára. Porque, se parar, o povo vai embora.
RF – E como tratar um crente assim?

    PR – É preciso ensino da Palavra, porque as pessoas que saem dessas igrejas chegam cheias de ensinos distorcidos. Elas chegam falando, por exemplo: “Fulano foi ungido pastor”. Mas na Bíblia não existe unção para pastor. Na Bíblia as pessoas eram ordenadas ao ministério por imposição de mãos, e não ungidas, e a unção não é privilégio de um grupo. Eles vêm cheios desses cacoetes “Eu declaro”, “Eu reivindico”, “Eu não aceito”, “Eu determino”, “Eu decreto”, chegam com distorções doutrinárias.

Aí você tem que ensinar à pessoa que o fato de ela estar em crise não quer dizer que é amaldiçoada. Nunca vi isso. Essa coisa de determinar tudo é falta de ensino. Terão também que repensar a questão do sofrimento, que faz parte da Teologia. Muitos pensam que não existe sofrimento para o crente. O crente não pode adoecer, sofrer, ter dívidas etc. Às vezes fico pensando: até que ponto a pessoa pode acreditar na aguinha em cima do rádio, na cruz pregada na parede, nos sabonetes ungidos…batismo no Espírito Santo com pó de ouro! Há ainda o tapete ungido, a campanha para os adeptos ganharem na loteria etc. O ser humano tem a habilidade de crer em qualquer coisa.

O discipulado é também muito importante. Esses crentes passam a viver uma crise de conversão. As igrejas por onde passaram são fortes na sua ação evangelizadora, atraem o povo, mas são fracas na sua ação discipuladora. Elas não conseguem mais discipular. Porque, para discipular, gasta-se tempo, envolvimento, e isso não existe mais.
Além disso, muitos pregadores de hoje vivem no avião, falam com as pessoas da tevê, não têm mais relacionamentos, a não ser com empresários. Precisamos ajudar as pessoas a crescerem para que possam ajudar outras depois. Uma coisa muito importante ainda é o acolhimento. É preciso acolher essas pessoas, não olhá-las com suspeitas, porque, na verdade, elas já se decepcionaram onde estiveram.

RF – O Movimento Pentecostal foi, sem dúvida, um dos últimos avivamentos que a igreja experimentou nos últimos séculos, afetando o crescimento e a História da Igreja no mundo. No final do século 20, uma versão diferente desse movimento surgiu, com modismos sem base bíblica. Deixando de lado esses desvios, quais os benefícios do Movimento Pentecostal para a Igreja, especialmente no Brasil?

    PR – A grande contribuição do Movimento Pentecostal foi a evangelização. Ele é o maior movimento evangélico do mundo. Não tem maior. Mas não foi só a AD, outras igrejas também enfatizavam a evangelização. Hoje, porém, infelizmente, muitas igrejas estão substituindo a evangelização pela competição, pelo proselitismo. Tem muito mais crente mudando de igreja do que pecador aceitando a Cristo. Há igrejas que crescem hoje por competição e não pela evangelização, e com isso aí o Reino de Deus não cresce. Só se muda o peixe do aquário.
RF – O que é preciso para se fazer apologética cristã saudável?
    PR – Principalmente equilíbrio. Há pessoas que são apologistas, mas exageradas, sensacionalistas. É preciso amor. Vejo muitos apologistas hostis, atacando as pessoas. Não gosto nem mais de usar o termo seita ou heresia. Acho muito pejorativo. Hoje falo de fenômeno religioso ou movimentos religiosos.

   A apologética precisa aprender a construir pontes e não levantar muros. Se ela já chega atirando, o pessoal corre. Os apologistas precisam aprender a dialogar. Não precisa ser hostil. A Bíblia diz: “Falai a verdade com amor”. Além disso, a informação a ser transmitida deve ser apurada.
APLICAÇÃO PESSOAL: Tiago não enumera todas as coisas que Jeová exige com relação à adoração pura (Tg 1. 26). Em consonância com o tema geral de sua carta, que é a fé provada por meio de obras e a necessidade de manter-se livre da amizade com o mundo maligno, Tiago realça apenas dois requisitos. Um deles é “cuidar dos órfãos e das viúvas na sua tribulação”. Isto envolve o verdadeiro amor cristão. Deus sempre tem demonstrado preocupação amorosa pelos órfãos e pelas viúvas. (Deuteronômio 10:17, 18; Malaquias 3:5) Uma das primeiras medidas da igreja primitiva, foi em favor de viúvas cristãs. (Atos 6:1-6) O apóstolo Paulo deu instruções detalhadas a respeito de zelar amorosamente pelas viúvas idosas, necessitadas, que se haviam mostrado fiéis ao longo dos anos e que não tinham família que as ajudasse. (1 Timóteo 5:3-16). Fazer isso sem dúvida é um culto de adoração prestado para o Senhor.
 
CONCLUSÃO
     Robert Millikan, considerado deão dos cientistas estadunidenses dos seus dias, declarou também certa vez: “Há uma Divindade que molda as nossas finalidades . . . caso contrário, não teríamos o senso de nossa própria responsabilidade. UMA FILOSOFIA PURAMENTE MATERIALISTA É PARA MIM O CÚMULO DA FALTA DE INTELIGÊNCIA. Os homens sábios de todas as eras sempre viram o bastante para pelo menos fazê-los reverentes.” Sim, conforme o expressou o apóstolo Paulo vinte e um séculos antes: “Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;  porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. (Rm 1. 20, 21).
     Pode-se dizer que a vontade de crer num poder superior invisível é um instinto humano básico. Neste respeito The World Book Encyclopedia informa-nos de que “nunca houve um povo que não tivesse alguma forma de religião”. E, conforme observou o Professor Nigg: “O anseio por Deus está inextinguivelmente arraigado no homem, onde quer que se encontre e não importa a que era pertença.” Isto se evidencia especialmente quando os homens enfrentam grande perigo ou a morte, razão pela qual se diz que “não há ateus nas trincheiras”, quer dizer, no campo de batalha.
    Visto que a vontade de crer é ao mesmo tempo um instinto básico e uma necessidade, a poderosa Rússia comunista estabeleceu um acordo com a religião organizada, conforme praticada na cristandade (vergonhosa como é). Os jovens da Rússia acham insatisfatória a filosofia de vida puramente materialista. Os mais sérios entre eles lamentam a falta de sentido de sua vida e clamam por algo em que possam crer. Os jovens estadunidenses revelam a mesma necessidade de crer.

PERGUNTAS PARA REFLEXÃO
1. Como está sua vida de adoração?
2. Qual o objetivo você tem ao ir para a igreja? Você trata a sua igreja como um clube social, ou como “casa de oração” (Mc 11. 17)?
3. Qual a sua disposição em se congregar? Você tem a mesma atitude do salmista no Sl 122. 1?
4. Em que outro lugar e outra circunstância você costuma cultuar e adorar a Deus? Você faz o culto domestico em seu lar?
5. Qual a importância e influência da adoração no desenvolvimento da sua vida espiritual?

ORAÇÃO
Como se diz no Sl 116. 1-9, na NTLH: “Eu amo a Deus, o SENHOR, porque ele me ouve; ele escuta as minhas orações.   Ele me ouve sempre que eu clamo pedindo socorro. Os laços da morte estavam me apertando, os horrores da sepultura tomaram conta de mim, e eu fiquei aflito e apavorado. Então clamei ao SENHOR, pedindo: “Ó SENHOR Deus, eu te peço: Salva-me da morte!” O SENHOR é bondoso e fiel; o nosso Deus tem compaixão de nós. O SENHOR protege os que não podem se defender. Quando eu estava em perigo, ele me salvou. Meu ser inteiro, continue confiando em Deus, o SENHOR, pois ele tem sido bom para mim! Deus me livrou da morte, fez parar as minhas lágrimas e não deixou que eu caísse na desgraça.  Por isso, no mundo dos que estão vivos, viverei uma vida de obediência a ele”. Ó Deus! Ensina-nos a te adorar, Senhor! Amém!
OBRAS CITADAS E SITES CONSULTADOS
[1]. Entrevista cedida a Revista “Resposta Fiel”, ano 5, nº 17, p. 10-12.
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 Deus te abençoe e boa aula!

Pedro M. A. Júnior.
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