EBD: Lição 13 - Paulo Testifica de Cristo em Roma (27 de março de 2011)

TEXTO ÁUREO: “E, na noite seguinte, apresentando-se-lhe o Senhor, disse: Paulo, tem ânimo! Porque, como de mim testificaste em Jerusalém, assim importa que testifiques também em Roma” (At 23. 11).


VERDADE PRÁTICA: A principal e mais urgente missão da igreja é a evangelização de todos os povos e nações.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE:
At 27. 18-25

     O livro de Atos dos Apóstolos esta inserido na parte da Bíblia conhecida como Novo Testamento, sendo uma obra riquíssima em informações históricas; pois nele está registrado o estabelecimento e o desenvolvimento da igreja cristã primitiva, e a proclamação do evangelho ao mundo conhecido na época. Tudo isso pautado pela ação do Espírito Santo de Deus.

     Diante dessa diversidade de fatos interessantes narrados pelo evangelista Lucas no livro de Atos dos Apóstolos, tem-se a viagem do apóstolo Paulo até a cidade de Roma, ou, como será tratado neste estudo: A sua quarta viagem missionária. No entanto, muitos cristãos simplesmente desconhecem a respeito dos eventos que contornaram esse episódio da vida do apóstolo Paulo.

     Fato que é perceptível dentro das igrejas cristãs, pois nas lições ministradas nas classes de escolas dominicais versando sobre as viagens missionárias de Paulo, verifica-se um grande destaque para as outras três viagens missionárias realizadas por ele; e ignora-se essa última.

     Talvez, a razão disso seja o fato desta quarta viagem geralmente não levar na Bíblia a epígrafe de viagem missionária; ou então, por que alguns a consideram apenas como uma mera continuação da terceira viagem missionária.

     No entanto, este tema é um assunto relevante para se obter uma melhor compreensão do livro de Atos dos Apóstolos. Portanto, este estudo tem como objetivo abordar acerca da viagem do apóstolo Paulo até a cidade de Roma, centro urbano do mundo na época.

  A PRISÃO E OS JULGAMENTOS DE PAULO (At, Caps.  21- 28) 

     Para se compreender melhor a respeito da viagem de Paulo até a cidade de Roma, faz-se necessário entender o motivo pelo qual ele foi preso. Em suma, Lucas narra que Paulo viajou até Jerusalém para entregar aos cristãos pobres daquela cidade uma oferta proveniente das igrejas gentílicas pelas quais havia passado.

     Chegando a Jerusalém, Paulo cumpriu com o ritual da purificação e como era de seu costume foi ao templo, onde alguns judeus da Ásia o viram e fizeram um grande tumulto. Esses judeus gritavam, dizendo que Paulo ensinava a todos a serem contra o povo, contra a lei e contra o templo. E como se não bastasse ainda o acusaram de haver introduzido gentios no templo, profanando assim aquele lugar.

     Diante dessas acusações, a multidão ficou enfurecida contra Paulo e o tumulto logo evoluiu para uma turba, que chegou ao conhecimento do comandante das forças romanas, Cláudio Lísias; que, por sua vez, a conteve prendendo Paulo. Entretanto, o comandante das forças quis saber o motivo daquela tentativa de linchamento, e perguntou para a multidão o que aquele homem havia feito. Mas cada um falava uma coisa, e assim o comandante não conseguiu identificar a verdade dos fatos e determinou que Paulo permanecesse preso.

     No dia seguinte, Cláudio Lísias querendo tipificar as acusações imputadas contra Paulo, apresenta-o em uma audiência no Sinédrio para que seus membros formulem as acusações. O comandante ao tomar conhecimento da conduta, em tese, atribuída a Paulo, não consegue identificar nenhum crime contra ele, e compreende que aqueles fatos narrados eram meramente de cunho religioso. Não tendo, portanto nada que justificasse a prisão ou mesmo a morte de Paulo.
Assim, os judeus planejaram uma emboscada para matar Paulo. Pois, eles temiam que se Cláudio Lísias não encontrasse qualquer crime em Paulo, ele iria soltá-lo. No entanto, essa informação chega ao conhecimento do comandante de Cláudio Lísias que determina a transferência de Paulo para a comarca de Cesaréia para ser julgado pelo governador Félix. A partir desse momento, Paulo passa a ser submetido a mais uma sucessão de julgamentos. Ele é julgado pelo governador Felix; depois pelo seu sucessor, o governador Pórcio Festo e; por último, pelo rei Agripa II. 

     Myer Pearlman pontua de forma bem objetiva as três acusações que os judeus fizeram contra Paulo, que foram: Sedição (“promove sedições entre os judeus”); Heresia (“principal agitador da seita dos nazarenos”); Sacrilégio (“também tentou profanar o templo”). Entretanto, Paulo refuta cada uma dessas acusações. Em resposta a acusação de sedição, ele expôs que foi muito curto o tempo que esteve na cidade, por isso era impossível ele praticar um delito dessa natureza. Para a acusação de heresia, ele afirmou que cria nas Escrituras, tanto é que comungava da mesma crença dos fariseus, ou seja, na ressurreição dos mortos. E sobre a acusação de sacrilégio, ele afirmou que era evidente que não tinha cometido esse delito; pois tinha oferecido esmolas e oferendas a sua nação e ainda foi encontrado no templo. E por fim, Paulo arremata dizendo que não havia qualquer testemunha presente para comprovar todas essas imputações (cf. PEARLMAN, 2001, p. 249).

     A verdade é que todas as autoridades romanas não encontraram nenhuma culpa em Paulo que justificasse a sua morte ou a sua prisão. Isso é documentado por Lucas. Primeiro ele registra que o comandante Cláudio Lísias escreveu para o governador Félix informando “ser ele [Paulo] acusado de coisas referentes à lei que os rege, nada, porém, que justificasse morte ou mesmo prisão” (At 23.29). Depois, Lucas mencionou que o governador Félix apenas querendo assegurar o apoio político dos judeus “manteve Paulo encarcerado” (At 24.27). Já sobre o governador Festo é registrou-se que ele disse que “ele [Paulo] nada praticara passível de morte” (At 25.25).

     E por último, Lucas mencionou que o rei Agripa II disse que “este homem bem podia ser solto, se não tivesse apelado para César” (At 26.32). Mas por que o apóstolo Paulo então apelou para o imperador César. Pois como se pôde ver, ele poderia ter sido solto caso não tivesse apelado para César. Entretanto, percebe-se uma série de fatores que influenciaram a escolha de Paulo.

     Lucas registra primeiramente que Paulo já tinha a intenção de ir para Roma (cf. At 19.21). John Stott menciona que Paulo ansiava por visitar Roma; pois tendo herdado a cidadania romana de seu pai, deve ter sonhado desde a sua infância com uma visita aquela cidade (cf. STOTT, 2008, passim). Entretanto, constata-se que a ocasião para Paulo era muito delicada, pois ele corria risco de morte, assim o momento não era dos melhores para se pensar em viagens. Novamente John Stott faz uma observação para o fato de que a justiça romana era bem mais branda para os cristãos, pois sempre que tinham oportunidade às autoridades romanas defendiam os missionários cristãos (cf. STOTT, 2008, p. 381).

     Outro ponto que parece ter influenciado na decisão de Paulo em optar pelo seu julgamento em Roma, foi que governador Pórcio Festo ventilou a possibilidade de levá-lo para Jerusalém para ser julgado. E isso seria extremante prejudicial para ele, tendo em vista que em Jerusalém o seu julgamento não seria imparcial, devido à pressão do Sinédrio e dos judeus.

     Sendo assim, ressalta-se pelos registros que Paulo era um homem extremamente espiritual. Então, o principal motivo da sua viagem a Roma, foi para cumprir um propósito divino. Pois, Roma era o centro do mundo na época. Todas as estradas convergiam para sua direção; portanto, lá era o melhor lugar para se divulgar o evangelho (cf. At 23: 11).

     E por fim, o evangelista Lucas termina de maneira súbita o livro de Atos dos Apóstolos trazendo a informação de que Paulo passou dois anos como prisioneiro na sua própria casa que alugara, recebendo as pessoas que o procuravam, pregando assim sem impedimento o reino de Deus e as coisas referentes ao Senhor Jesus Cristo.

CONCLUSÃO

     Diante dos diversos fatos narrados em Atos dos Apóstolos, fez-se necessário a idéia de se compreender melhor como foi à viagem do apóstolo Paulo a Roma, sua prisão, seus julgamentos pela multidão de judeus, pelo Sinédrio, pelo comandante Cláudio Lísias, pelo governador Félix, pelo governador Pórcio Festo e pelo rei Agripa II.

     Todos esses eventos revelaram o direcionamento espiritual na vida do apóstolo Paulo e, o plano de Deus se cumprindo ao levá-lo para a cidade de Roma. Tudo isso para que o testemunho de Jesus Cristo alcançasse o centro do mundo na época.

     Esta aí a razão principal da viagem de Paulo para Roma, que foi o de pregar o evangelho para as autoridades públicas romanas e assim fazer com que o nome de Jesus e o reino de Deus fossem conhecidos naquele ambiente.

    Por fim, o evangelista Lucas termina o seu relato informando que Paulo permaneceu em Roma, detido em regime de prisão domiciliar, pregando o evangelho sem embaraço algum. Nessa esteira evidenciam as suas cartas pastorais.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BÍBLIA DE ESTUDO ALMEIDA. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.
HALLEY, Henry H. Manual Bíblico – Um Comentário Abreviado da Bíblia. Traduzido por David A. de Mendonça. 2º ed. São Paulo: Vida Nova, 1970. 759 p.
STOTT, John. A mensagem de Atos: Até os confins da terra. Tradução de Markus André Hediger e Lucy Yamakami. 2º ed. São Paulo: ABU Editora, 2008. 462 p.
PEARLMAN, Myer. Através da Bíblia livro por livro. Tradução de N. Lawrence Olson. São Paulo: Editora Vida, 2001. 348 p.

Fonte: Web Artigos

Autor: Flávio Bessa da Costa


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Boa aula!

Pedro M. A. Júnior.

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