EBD: Lição 1 - Quem é o Espírito Santo? (03 de abril de 2011)

INTRODUÇÃO AO TRIMESTRE

     Em comemoração ao Centenário das Assembleias de Deus no Brasil, a CPAD lança a segunda lição da Escola Bíblica Dominical com o selo que celebra esta tão importante data no meio assembleiano. A revista do trimestre anterior falava sobre o livro de Atos dos Apóstolos, e a revista deste 2º trimestre abordará a doutrina Pentecostal, ou seja, discorrerá sobre a obra do Espírito Santo na vida da Igreja de Cristo.

     O escritor e comentarista deste trimestre será o Pr. Elienai cabral, que deu entrevista no programa Movimento Pentecostal, produzido pela CPAD, falando sobre a lição por ele escrita. Assista o vídeo.

     
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA PARA ESTE TRIMESTRE

     Aqui vamos sugerir links e sites onde você poderá se informar melhor sobre o assunto deste trimestre. São sites de informações e links onde você poderá fazer o download de e-books para se aprofundar ainda mais nas lições que serão dadas. Vejamos: 
  • Vídeo resumindo a história das Assembleias de Des no Brasil, com o hino oficial e fotos históricas. Clique aqui para assistir.
  • Link com o índice contando os principais fatos da fundação e historia das Assembleias de Deus. Para ler, clique aqui.
  • Livros teológicos que ajudarão você a entender melhor o conteúdo deste trimestre. Clique no título do livro para ser direcionado à página de download:
  1. O Espírito santo e o Movimento Pentecostal – Simpósio;
  2. O Que a Bíblia diz do Espírito Santo – CPAD;
  3. Batismo e Plenitude do Espírito, autor: John Stott, e
  4. Grandes Perguntas Pentecostais – CPAD
  5. A Existência e a Pessoa do Espírito Santo - Severino Pedro da Silva (CPAD). 
     Nossa oração a Deus é que Ele avive a sua obra através da ministração desta revista de Escola Bíblica Dominical.

Lição 1 – Quem é o Espírito Santo?



PRINCÍPIOS PRÁTICOS PARA APLICAÇÃO DIDÁTICA
 
     Nesta era em que vivemos, que os dispensacionistas (isto é, aqueles que dividem os planos divinos em diferentes procedimentos e alianças de Deus com a humanidade de acordo com diferentes épocas, ou dispensações) chamam de “dispensação da graça” e de “Época da Igreja”, nós como cristãos devemos estar cônscios do nosso papel neste contexto em que a Grande Comissão nos ordena pregarmos a Boa Nova de Jesus Cristo (Mc 16. 15), testemunhando da sua graça (At 4. 33; 14. 3; 20. 24; 1Pe 5. 12) sendo para isso capacitados pelo seu Espírito (Lc 24. 47-49; At 1. 8; 5. 32). 
 
     A dispensação atual, baseada na graça de Cristo concedida àquele que crê na eficácia do seu sacrifício é chamada também de “dispensação do Espírito”, pois só os que recebem a dádiva da salvação ao crerem em Cristo são vivificados pelo Espírito (Ef 1. 19, 20; 2. 1, 5, 6, 8; Cl 2. 13). Esta verdade é ilustrada em Gn 2. 7; Ez 37. 9 e Jo 20. 22.
 
     O “tempo da Graça” é o tempo em que o Espírito Santo trabalha, preparando a vinda daquilo que Pedro chamou de “os tempos de refrigério, pela presença do Senhor” (At 3. 19, 20, que provavelmente se refere a dispensação do reino milenial). A ação e a presença do Espírito Santo é a base da “Época da Igreja”, que foi fundada pelo sangue de Jesus Cristo, promulgador da Nova Aliança (Jr 31. 31-34; Ez 36. 24-28). O ápice desta Nova Aliança deu-se com a morte e ressurreição de Cristo (1Co 15. 1-4; Hb 9. 11-14) e o cumprimento da profecia da vinda do Espírito Santo em Pentecostes (Joel 2. 28-29; At, cap. 1. 5 ao cap. 2. 1-4, 14-18, 33, 38, 39). 
 
     O Espírito Santo é o selo – marca de propriedade (Ef 1. 13; 4. 30) e o penhor – primeira prestação (2Co 5. 5; Ef 1. 14) da Nova Aliança na vida do Salvo. Em ouras palavras, na Nova Aliança, o Espírito Santo é um referencial, como uma marca, um sinal ou uma evidência (um selo que confirma) que o salvo não pertence mais ao pecado ou ao mundo, a indicar que ele tem outro dono e senhor (Rm 8. 9, 14-16), além de dar um vislumbre das coisas que teremos no céu, uma primeira prestação da nossa herança, como diz em Ef 1. 14: “o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para louvor da sua glória”. Compare com Rm 8.14-17. Note que o conceito de “selo” e “penhor” está relacionado ao Espírito Santo em um mesmo contexto em 2Co 1. 22 e Ef 1. 13, 14. Nestas referências, aparecem juntas as palavras “selo” e “penhor”. A presença interior e transformadora do Espírito, que é atestada pelo testemunho de mudança na vida do crente regenerado (1Jo 2. 28, 29) é uma evidência plausível da realidade da sua salvação e a prova da posse da vida eterna (Veja 1Jo 3. 24; 4. 13).
 
     O Espírito Santo é a dinâmica da vida cristã. Como um ser pessoal, o Espírito Santo tem as características normais que constituem a personalidade. Ele tem intelecto (1Co 9. 11), sensibilidade (Ef 4. 30) e vontade (1Co 12.11; Rm 8.27). A personalidade do Espírito Santo dá a Ele a capacidade de ter comunhão conosco. Ele é a terceira Pessoa da Trindade Divina que nos dá a Sua comunhão para que possamos ter comunhão com o Pai e com o Filho também (1 Co 12.13; 2Co 13.14; Fp 2.1; 1Jo 1.3). Esta comunhão baseia-se:
 
     (A) Na morte e ressurreição de Cristo, que purifica o crente capacitando-o a estar na presença de Deus e estar aberto à habitação de Deus no seu interior (Jo 7. 37-39; At 2. 32, 33; Ef 2. 14-16, 18; 1Jo 1. 7, 9); 
 
   (B) Na habitação de Deus no interior do crente, pelo Espírito, que é o testemunho interno da comunhão que ele tem com Deus (Jo 14. 16, 17, 23; Rm 8. 9, 16; 1Co 3. 16; Tg 4. 5);
 
    (C) Na confissão e obediência do salvo ao senhorio de Deus, que é o testemunho exterior do poder desta comunhão (At 2. 37, 38; 9. 31; Rm 5. 5; 1Ts 1. 6).
 
     Esta comunhão com o Espírito Santo, e consequentemente com Deus Pai e Deus Filho deve ser mantida, conservada e desenvolvida gradualmente na vida do salvo enquanto ele estiver sendo transformado pelo processo de santificação, o que levará todo o período de sua vida terrena (Rm 6.6; 8. 13; 13. 14; 2Co 3. 18; Cl 3. 9). A comunhão oferecida pelo Espírito Santo ao crente é muito importante para que o crente tenha comunhão com o Deus triúno de forma plena (ver Ef 3. 14-21, compare com Ef 1. 15-23). Por isso faz-se necessário conhecer a doutrina que aborda a Terceira Pessoa da Trindade divina, o Espírito Santo, ou seja, a Pneumatologia, (de pneuma = espírito e logia = estudo), ou Pneumagiologia (deriva de pneuma hagios = Espírito Santo, em grego) e também Paracletologia (vem de Paracletos = Advogado, Consolador, em grego).
 
     O escopo da lição, por ser limitado, não nos permitirá discorrer sobre todos os postulados da doutrina pneumatológica, no entanto, seguiremos a ênfase do pastor Elienai Cabral, que dará ênfase sobre o poder do Espírito Santo que influencia a igreja de Cristo desde o dia do Pentecostes.
 
PENSAMENTO PARA REFLEXÃO: O Espírito Santo é a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade que aparece trabalhando invisivelmente no ser humano para aplicar nele e em toda a criação a redenção efetuada por Jesus Cristo (Rm 8. 19-26). Ele convence o pecador (Jo 16. 8-11) da mesma forma que santifica aquele que já é salvo (Rm 15. 16; 1Co 6. 11; 2Ts 2. 13; 1Pe 1. 2). Sua obra é divina e pessoal, assim como seu caráter, que também é divino e pessoal.
 
     Ao estudarmos sobre a Pessoa e a obra do Espírito Santo, um agradável desafio nos é levantado. A Bíblia oferece vasto material sobre este tema e nenhum estudo, por mais abrangente que seja, poderá dissecar todas as verdades atinentes sobre este assunto, já que ao estudá-lO estaremos nos referindo ao Infinito e Ilimitado Deus Espírito Santo, a Terceira Pessoa na comunhão divina triúna e não devemos nos esquecer disso. Percebemos que a ação e influência do Espírito Santo, que às vezes está em parte velada e outras vezes, em parte revelada, percorre toda a Bíblia de Gênesis a Apocalipse, até porque foi Ele mesmo quem a inspirou.
 
     Os vários ministérios assumidos pelo Espírito Santo requerem que Ele seja um ser pessoal (que tenha mente, vontade, sentimento, inteligência, etc) além de também ser um Ente divino (com onipotência, onipresença, onisciência, eternidade, etc). Todas estas características vemos conciliadas ao estudarmos sobre sua divindade e personalidade, as quais a Bíblia apresenta farta evidência.
 
     Ainda assim, com a farta evidência bíblica sobre a pneumatologia, infelizmente vemos muita confusão no meio da igreja acerca da Pessoa do Santo Espírito de Deus. Os modismos que envolvem seu nome (“rir no Espírito”, e “cair no Espírito” são exemplos), além das heresias que lhe atacam a integridade (como sua inferiorização em relação às outras Pessoas da Trindade, a cessação dos dons espirituais, etc) demonstram uma ignorância e um desprezo pelo ensino bíblico ortodoxo e histórico, abrindo o terreno para a ação maligna e destruidora do diabo que, encobertamente, introduz heresias de perdição na vida da igreja que está despercebida, sem defender a doutrina sã e sem manter a fé pura (1Tm 4. 1; Tt 2. 1; 2Pe 2. 1).
 
     Entendemos que o verdadeiro amadurecimento espiritual não vem da participação de “cultos de quebra de maldição”, “culto de avivamento”, “culto da bênção”, “culto da vitória”, “culto da cura” e “culto da prosperidade”, mas em conhecer e desfrutar da comunhão, da amizade e da ação do Espírito Santo em sua própria vida, segundo o padrão bíblico, ou seja, diariamente. Cremos que quando um crente sabe de seus direitos espirituais de adoção através do estudo bíblico sistemático, não precisará participar deste ou daquele culto, mesmo porque em todo o culto ele saberá que Deus lhe capacita a ter uma vida abençoada (pois a maldição foi quebrada quando ele aceitou Cristo como Salvador), e só isso já é capaz de proporcionar-lhe uma vida avivada, saudável, próspera e vitoriosa.
 
     O Espírito Santo, portanto, é aquEle que norteia a vida cristã, quando esta é totalmente dedicada a Jesus como Salvador e Senhor e à Bíblia como regra de fé e prática. Isto significa que ter um correto entendimento sobre o que a Bíblia diz a respeito do Espírito Santo influencia na maneira de como vivemos a nossa vida cristã, pois assim teremos um correto relacionamento com Ele. 
 
     Resumindo em poucas palavras: Se o Espírito Santo é uma pessoa e é também um com Deus Pai e Deus Filho, teremos um relacionamento e um contato pessoal correto com Ele (Gl 5. 16-25), além de permitirmos que ele venha a agir em nossa vida como Deus Pai e Deus Filho agem, com toda a liberdade nos conformando à imagem de Jesus (2Co 3. 17, 18). No entanto se considerarmos o Espírito como uma mera força impessoal, a qual é impossível mantermos comunhão, teremos uma vida cristã desequilibrada (Judas 19), e nosso relacionamento com Deus estará prejudicado, nos fazendo perder algumas das bênçãos que Deus oferece ao nos relacionarmos com o Espírito (At 19. 2).
 
     Por isso se faz necessário o estudo de tão importante assunto.
 
     A esta altura, desejamos perguntar: O(a) querido(a) professor(a) tem comunhão com o Espírito Santo (Fp 2. 1, 2)? Ou ignora os vários presentes que Ele nos oferece segundo sua vontade (1Co 12. 1, 11)? O querido irmão é batizado com o Espírito Santo (At 1. 5; 2. 4)? Se não, tens buscado (Lc 11. 13)? Se já és batizado, tens sempre sido renovado pelo poder de Deus (2Co 4. 16)? Em sua vida o fruto do Espírito Santo é evidente (Gl 5. 22)? Responda a si mesmo e a Deus. Seus alunos precisam ver seus olhos brilharem quando estiver falado do seu melhor amigo e Conselheiro - O Espírito Santo. Somente assim poderão desejar também ter comunhão com o Espírito Santo, serem batizados por seu revestimento, poderem servir a Deus através dos seus dons, e terem em suas vidas o fruto do Espírito. O professor somente precisará lembrar a seus alunos que esta promessa é para todos, inclusive para eles, como se diz em At 2. 39.
 
I. A BÍBLIA MOSTRA O ESPÍRITO SANTO COMO UM SER PESSOAL
 
     Quando nos referimos ao Espírito Santo como uma “Pessoa” não estamos com isso querendo afirmar que seja Ele um ser humano de carne e osso, como as pessoas humanas. Como Pessoa espiritual, o Espírito Santo é um ser pessoal pelo fato de ter consciência individual de sua própria existência (At 13. 2), além de todos os atributos que constituem um ser com características da personalidade. Não é necessário ter carne e ossos para ser uma pessoa (Lc 24. 39), basta apenas ter personalidade própria.
 
   1. A Pessoa do Espírito Santo. As testemunhas de Jeová não aceitam que o Espírito Santo seja uma Pessoa, pois sabem que, se assim procederem, será mais fácil provar sua divindade, coisa que elas não querem que aconteça. Por isso eles escrevem a palavra “Espírito Santo” usando iniciais minúsculas. Em uma de suas publicações, as testemunhas de Jeová assim se expressam:
“(...) provavelmente [você] já ouviu um sacerdote dizer, ao batizar um bebê, “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. (Mateus 28:19, Bíblia Vozes). Ao se lhes pedir que identifiquem o espírito santo, a maioria dos clérigos responde logo: ‘O espírito santo é a terceira pessoa da Trindade, igual em todos os sentidos a Deus, o Pai, e ao Senhor Jesus Cristo.’
     Contudo, este conceito não existia nos primeiros séculos da Era Comum. Para ilustrar: Uns três séculos depois da morte dos apóstolos de Jesus Cristo, Gregório Nazianzeno escreveu: “Alguns presumem que [o espírito santo] é uma força (Gr. energeia), alguns, uma criatura, outros, que ele é Deus, ainda outros não conseguem decidir qual destes” (A Sentinela, de 15 de janeiro de 1991, pág. 3).
 
     Refutação: Em primeiro lugar, devemos buscar saber o que era ensinado sobre o Espírito Santo no começo da igreja primitiva. Se os apóstolos ensinavam de acordo com Cristo que o Espírito Santo era ou uma força, ou uma criatura ou Deus. Em segundo lugar devemos notar quando estes ensinamentos dúbios sobre o Espírito vieram a entrar no cenário histórico da igreja. E, em ultimo lugar, vamos provar que se hoje ainda há confusão é porque ainda existem as mesmas heresias daquele período. Sendo assim, vejamos:
 
     (A) Jesus ensinou claramente que o Espírito Santo é uma pessoa. Da mesma maneira como Jesus era e é um ser pessoal (com atributos de uma personalidade) e divino (com atributos da divindade), também o Espírito Santo, pois o próprio Senhor o chamou de “outro Consolador” (Jo 14. 16), usando a frase grega allon paracleton, sendo que allon significa “outro do mesmo tipo, espécie e caráter”, e parakleton, que é um substantivo singular masculino, significando “consolador”, “advogado”, “conselheiro” e “ajudador”. Jesus disse que enviaria Alguém semelhante a Ele mesmo. Isto significa que, para negar a personalidade e divindade do Espírito Santo, deve-se também negar a personalidade e divindade do Senhor Jesus Cristo. Isto é impossível de ser, sem cair em berrante heresia, desconsiderando tudo o que a Bíblia fala claramente sobre este assunto. Uma coisa leva a outra, não há como escapar.
 
    Se Jesus quisesse dizer ou dar a entender que o Espírito era um ser impessoal, sem personalidade, teria necessariamente usado a palavra grega heteros (que significa “outro, diferente em essência e natureza”. Ela aparece em Gl 1. 6 contrastando o evangelho divino com o humano, afirmando ser um diferente ou não-igual ao outro).
 
   Outrossim, Jesus usou pronomes pessoais, substantivos masculinos e pronomes demonstrativos masculinos ao se referir ao Espírito Santo, lembrando que a palavra “espírito”, do grego pneuma é neutra, e por isso, não deveria receber pronomes pessoais, mas, contra a regra sintática natural do idioma grego, assim sucede quando se refere à Pessoa Divina do Espírito Santo. O trecho de Jo 16. 7-15 é ideal. 

Veja alguns exemplos abaixo:

Jo 16. 7Todavia, digo-vos a verdade: que vos convém que eu vá, porque, se eu não for, o (note o artigo definido) CONSOLADOR não virá a vós; mas, se eu for, enviar-vo-LO-ei”.

(1) A palavra “CONSOLADOR”, é Substantivo MASCULINO grego, o mesmo título dado a Cristo, que também é um ser pessoal (1Jo 2. 1).
(2) A partícula “LO” (de “enviar-vo-LO-ei”) denota um pronome PESSOAL MASCULINO, no grego “auton”.
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Jo 16. 8 “E, quando ELE vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo”.
 
(1) Veja a palavra ELE - Pronome PESSOAL MASCULINO, demonstrando enfaticamente a personalidade o Espírito Santo. Grego: “ekeinos”.
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Jo 16. 13“Mas, quando vier AQUELE Espírito da verdade, ele vos guiará em toda a verdade, porque não falará de SI MESMO, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir".
 
(1) “AQUELE”, Pronome demonstrativo MASCULINO singular. Grego: “ekeinos”.
(2) “SI MESMO”, Pronome PESSOAL. Grego: “eauton”.
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Jo 14. 26 – “Mas aquele Consolador, O Espírito Santo, A QUEM o Pai enviará em meu nome, ESSE vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (Almeida, Revista e Atualizada.
 
(1) “O”, Artigo definido MASCULINO.
(2) “A QUEM”, Pronome relativo neutro. Grego “o”. Veja Mt 1. 16; 3. 17; 11. 10, para frases semelhantes, referindo-se a pessoas.
(3) “ESSE”, Pronome demonstrativo MASCULINO singular. Grego: “ekeinos”.
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Jo 15. 26 – “Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, ESSE dará testemunho de mim”.

(1) “ESSE”, Pronome demonstrativo MASCULINO singular. Grego: “ekeinos”, quando o certo seria usar o pronome neutro “ekeino”, já que se refere ao “espírito” (substantivo neutro) da verdade. Uma clara afirmação da personalidade do Espírito Santo.
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     Podemos ilustrar o uso destes pronomes aplicados ao Espírito Santo como mostrando sua personalidade fazendo uma comparação com o idioma inglês (E.U.A), valendo-se da verdade de que, em inglês o pronome que acompanha substantivos e verbos que referem-se à pessoas no singular são he (ele) e she (ela) e quando se refere à animais, coisas e objetos, usa-se o pronome neutro it (que significa ele ou ela, isto). Isto significa que se eu vou me referir a um animal ou um objeto eu vou usar um pronome neutro e não um pessoal, já que eu não vou me referir à uma pessoa. Por exemplo:
 
    The man is sleeping. He sleeps (Tradução: “O homem está dormindo. Ele dorme”).
 
   Na frase acima Ele – em inglês HE (pronome pessoal que se aplica a seres pessoais) refere-se ao homem (MAN) que está dormindo, logicamente, um ser pessoal.
 
     A construção da frase em inglês ficaria inexata, desconexa e sem sentido se eu dissesse: The man is sleeping. It sleeping. Em português a tradução desta frase claramente iria significar uma linguagem pejorativa ao me referir ao homem (um ser pessoal) usando-me de um pronome impessoal, neutro (que refere-se a coisas e objetos). Seria mais ou menos como dizer, em português: “O homem está dormindo. Esta coisa (it, em inglês) dorme”. Era como se tirássemos do homem sua personalidade humana, ao nos referirmos a ele como a um objeto.
 
     No inglês existe uma exceção para isso. São as palavras Child (criança) e Baby (bebê). São palavras que se referem à pessoas, mas que se acompanham do pronome it. Isto porque elas têm um caráter de designação, de adjetivos (veja o Novo Manual Didático de Pesquisas, Editora Didática Paulista, 2ª edição, pág. 83).
 
     No inglês, como no caso da exceção acima, uma palavra que se refere a um ser pessoal pode ser acompanhada de um pronome impessoal ou neutro. Mas nunca pode acontecer o contrário, ou seja, de uma palavra que se refere a um objeto ou coisa (algo não pessoal) ser acompanhado de um pronome pessoal. Era como se estivéssemos atribuindo características pessoais a uma coisa ou objeto. E é exatamente isso que acontece com o idioma grego quando se refere a Pessoa do Espírito Santo. Não se trata de personalização, como dizer que a morte reina ou o pecado escraviza e que a sabedoria fala, trata-se de um fenômeno gramatical grego que só acontece em referência ao Espírito Santo. 
 
     Corroborando com nosso argumento, vamos dar à palavra agora ao Dr. Charles Caldwell Ryrie, ele afirma que: “a despeito da palavra grega para espírito (pneuma) ser neutra em gênero, várias vezes se empregam pronomes masculinos para substituir o substantivo neutro, o que contraria todas as regras normais de gramática, mas indica a prsonalidade do Espírito” (RYRIE, Charles C. A Bíblia Anotada. Editora Mundo Cristão, pág. 1630). Isto significa que Jesus usou pronomes masculinos e pronomes pessoais intencionalmente, referindo-se ao Espírito Santo para dar a entender ser Ele um ser pessoal. 
 
     (B) Os apóstolos ensinaram que o Espírito Santo é uma pessoa. Se os apóstolos ensinavam de acordo com o que Jesus também lhes ensinou, certamente ensinaram sobre a personalidade do Espírito Santo. É o que nos mostra o conteúdo Bíblico. Além de se referirem ao Espírito usando-se de pronomes pessoais (Rm 8. 26, por exemplo), os apóstolos também descreveram o Espírito Santo como uma pessoa possuidora de todos os atributos: mente/inteligência (Jo 14. 26; 1Co 9. 11), sentimento/emoção (Is 58. 10; Ef 4. 30) e vontade/volição (At 16. 7; 1Co 12.11; Rm 8.27). A personalidade do Espírito Santo dá a Ele a capacidade de ter comunhão conosco (2Co 13. 13; 1Jo 1. 3), pois também somos seres pessoais. É por isso que além de ser mostrado com o tratamento que é dispensado somente a pessoas, a Bíblia também mostra que Ele age como uma pessoa de fato, como veremos a seguir.
 
2. O Espírito Santo age como uma pessoa. O Espírito Santo, segundo o ensino do Antigo e do Novo Testamento, não somente age como uma pessoa, como também reage, pensa e sente como uma pessoa. O Espírito Santo faz coisas que não conseguiria fazer se fosse Ele uma força ativa e impessoal, pois são coisas que somente um ser pessoal pode desempenhar. Vamos analisar:

(A) Ações atribuídas ao Espírito que revelam sua personalidade. 
 
· Ele guia, ou seja, SABE a direção (Sl 143. 10).
· Ele escolhe ministros (Is 48. 16; At At 13. 2; 20. 28).
· Ele fala, anuncia (Jo 16. 13; At 8. 29; 10. 19; Ap 22. 17).
· Ele ouve, entende o que ouve (Jo 16. 13).
· Ele proíbe (At 16. 7).
· Ele impede (At 16. 6).
· Ele envia (At 10. 19. 20; 13. 4).
 
(B) Reações atribuídas ao Espírito Santo que mostram sua personalidade.
 
· Ele se afasta por causa dos pecados (1Sm 16. 14; Sl 51. 11).
· Ele se revolta e se torna inimigo dos maus (Is 63. 10; compare com Tg 4. 4).
· Ele se coloca como um oponente (Is 59. 19).
· Ele contende (Gn 6. 3).
· Ele fica contristado (Is 63. 10).
 
(C) Atitudes atribuídas ao Espírito Santo que indicam a ação inteligente de um ser pessoal.
 
· Ele instrui (Lc 12. 12).
· Ele lembra o que ensinou (Jo 14. 26).
· Ele testifica (Jo 15. 26; Rm 8. 16).
· Ele convence (Jo 16. 8).
· Ele ensina (Ne 9. 20; 1Co 2. 13).
· Ele aconselha e entra em acordo (At 15. 28).
· Ele orienta (At 8. 29).
 
(D) Comportamentos atribuídos ao Espírito Santo que provam sua sensibilidade pessoal.
 
· Ele conforta (At 9. 31).
· Ele se entristece (Ef 4. 30).
· Ele se alegra. Para alguém alegrar outro, ele deve estar alegre também (Lc 10. 21; At 13. 52; Rm 14. 17).
· Ele consola (Jo 14. 16).
· Ele ajuda (Rm 8. 26).
· Ele ama (Rm 15. 30).
 
     Além disso, mostra-nos a Bíblia que podemos fazer contra o Espírito Santo aquilo que só a uma pessoa poderíamos praticar: (A) Mentir (At 5. 3, 4); (b) Tentar (At 5. 9); (C) Entristecer (Ef 4. 30); (D) Agravar (Hb 10. 29); (E) Resistir (At 7. 51); (F) Blasfemar (Lc 12. 10); (G) Contristar (Is 63. 10), etc. 
 
     Desafiamos a qualquer herege pneumatômaco a refutar o que claramente é mostrado na Bíblia sobre a personalidade do Espírito Santo. Aconselhamos que se converta a Jesus como Senhor e Salvador para sentir o poder revitalizador do Espírito Santo. E isto é porque ainda nem provamos sua divindade...
 
II. A BÍBLIA MOSTRA O ESPÍRITO SANTO AGINDO NO MUNDO E NOS HOMENS
 
     A obra que o Espírito faz confirma sua divindade, pois é algo que somente um ser divino teria poder para fazer contribuindo para o plano divino da salvação. São várias as obras (poderíamos chamar de ofícios, como os de Cristo).
 
   1. A convicção de pecados. A depravação humana torna o pecador incapaz de se transformar a si mesmo, não é que ele esteja incapacitado de usar seu livre-arbítrio e tomar um rumo na vida, mas porque a salvação não se alcança por meios humanos, nem por méritos próprios ou por obras (Ef 2. 8). A obra de convencimento do Espírito Santo consiste em uma ação sobrenatural da Terceira Pessoa da Trindade no objetivo de alcançar o pecador fazendo-o entender as implicações e consequências eternas das suas obras (Jo 16. 8-11), além de manifestar fé na pregação do evangelho, despertando nele o arrependimento e a confissão de pecados, que abre a porta para a regeneração, ou novo nascimento (Jo 3. 3-8; Tt 3. 5). No entanto esta obra respeita o livre arbítrio de cada pecador, por isso que se diz que muitos resistem ao Espírito Santo (At 7. 51). Deus não obriga a ninguém a se salvar, se não quiser (Is 1. 19; Mt 16. 24; Jo 5. 40).

   2. A santificação. O Espírito santifica como diz Rm 15. 16; 1Co 6. 11; 2Ts 2. 13; 1Pe 1. 2. A santificação é a operação divina que nos transforma à imagem de Cristo.
 
  3. A plenitude de poder. Os dons espirituais, o batismo com o Espírito Santo e outras operações miraculosas como revelações e curas ainda hoje são válidos para nossa experiência espiritual, contando que nunca ultrapasse os limites da sã doutrina. O Espírito Santo não contraria a palavra que Ele mesmo inspirou. Para receber estas maravilhas o crente deve apenas crer e pedir. O batismo com o Espírito Santo é para testemunhar (At 1. 8); os dons, para edificar (1Co 14. 3, 26). As curas sinais e maravilhas são sinais da presença de Deus confirmando a mensagem (Mc 16. 20). No entanto, devemos tomar cuidado de priorizar mais os sinais do que a pregação, pois existem muitos falsos mestres fazendo milagres enquanto ensinam heresias (Mt 24. 24). Os milagres não servem de carteirinha de identidade de um salvo (Mt 7. 20, 22, 23).
 

III. A BÍBLIA MOSTRA O ESPÍRITO SANTO COMO DEUS, IGUAL AO PAI E AO FILHO

     Abaixo transcreveremos, com a devida citação da fonte, mais alguns argumentos falaciosos dos testemunhas de Jeová na tentativa de convencerem as pessoas de que o Espírito Santo não é uma Pessoa Divina. Cada citação vem com sua subseqüente refutação.
     “O uso que a Bíblia faz de “espírito santo” indica que se trata duma força controlada que Jeová Deus usa para realizar uma variedade de propósitos. Até certo ponto, pode ser comparada com a eletricidade, uma força que pode ser adaptada para realizar grande variedade de operações” (Brochura “Deve-se crer na trindade?” 1989, pág 20).
     “Desde sua morada invisível, Deus pode fazer com que as coisas aconteçam em qualquer momento, em qualquer lugar. Assim, não precisa estar no lugar em que sua força ativa opera. Pode enviar seu espírito para executar tarefas. (Salmo 104:30) Hoje em dia é fácil para pessoas que operam eletrodomésticos por controle remoto entender isso. Compreendemos o poder de forças invisíveis como a eletricidade ou os raios infravermelhos. De modo similar, com sua força invisível, ou espírito santo, Deus pode realizar tudo que se propõe, sem precisar se deslocar de um lugar para outro. — Isaías 55:11” (Despertai. 8 de Janeiro de 1999, págs 26).
REFUTAÇÃO DOS ARGUMENTOS ACIMA

     Como vimos no primeiro ponto da nossa lição, intitulado “A personalidade do Espírito Santo”, temos na Bíblia uma linguagem de uso incomum para um substantivo neutro grego, já que, contrário à índole deste idioma, as referências ao Espírito Santo revelam uma linguagem que se refere a um ser pessoal (por meio de pronomes pessoais aplicados a um substantivo neutro – pneuma), além de mostrá-lO como divino, específico e individual, muito diferente do “uso” que os testemunhas de Jeová afirmam que seja mostrado nas Escrituras. Bem pelo menos nas Escrituras que nós usamos, pois nas escrituras delas, parece que a coisa muda...

     Também devemos lembrar que, se o Espírito Santo pudesse ser comparado com a eletricidade, como afirma a citação da brochura acima, também poderíamos atribuir à eletricidade características de pensamento, emoção, sentimento, inteligência. E como sabemos ser isso impossível, é melhor atribuirmos isto ao Espírito Santo, como mostra o contexto bíblico, o que inevitavelmente diferencia-O da eletricidade e de qualquer outra força impessoal ativa.
     
     Chega a ser irônico o que as testemunhas de Jeová inventam para explicar a impessoalidade do Espírito Santo. A citação acima, extraída da revista “Despertai” contradiz a própria heresia ensinada pela seita, pois dá a entender que o Pai (Jeová) não é onipresente, mas o Espírito Santo é que é onipresente, pois tal revista afirma, em um trecho da citação acima que Deus “não precisa estar no lugar em que sua força ativa opera”. Ora, isso é dizer que Deus não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo e por isso envia o seu espírito, fazendo seu espírito ser onipresente, ou seja, mais poderoso e mais divino que o próprio Jeová!!!
     
     Alguns testemunhas de Jeová perguntam, por meio de sofismas: “Como pode o Espírito Santo ser uma pessoa e encher 120 pessoas no pentecostes ao mesmo tempo?” E continuam o raciocínio: “Uma pessoa não pode encher sequer uma outra pessoa, que se dirá de 120 outras pessoas?” Até exemplificam, dizendo: “eu não posso te encher, e nem você a mim”.

REFUTAÇÃO DO ARGUMENTO ACIMA

     Se o fato do Espírito Santo encher uma pessoa desqualifica sua personalidade, por que então ensinam os testemunhas de Jeová que Deus Jeová é um ser pessoal, já que a Bíblia diz que Ele enche os céus e a terra? Veja 1Rs 8. 27; 2Cr 6. 18; Jr 23. 24. Uma pessoa pode encher os céus e a terra? Mesmo assim eles dizem que Jeová é um ser pessoal. E quanto a Jesus Cristo? Diz a Bíblia que Ele enche todas as coisas (Ef 1. 23 – a palavra grega usada aqui significa “encher até a borda”. Veja Também Ef 4. 10, onde a mesma palavra aparece). Os testemunhas de Jeová ensinam que Jesus é um ser impessoal porque enche todas as coisas? É claro que não! E Quanto aos demônios? A Bíblia mostra fatos em que pessoas ficaram “cheias” de demônios em seu interior, por exemplo, veja Lc 8. 2, que diz que Maria tinha nela sete demônios que foram expulsos por Jesus. E Lc 8. 30, que mostra um homem que tinha uma legião de demônios (uma legião romana era formada por 6.000 soldados)! Eles ensinam que os demônios são “apenas uma personificação”, sendo eles seres impessoais? Absolutamente, não. E por que ensinam que o Espírito não é uma pessoa, só pelo fato de encher outra pessoa. Lembremos que a pessoa enchida é física e Aquele que enche é espiritual, mesmo não deixando de ter personalidade própria. Na verdade, todas as pessoas da Trindade podem nos encher sem deixarem de ser seres pessoais (Jo 14. 23; Rm 8. 9; 2Co 1. 22).
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“Certa ocasião, o espírito santo apareceu em forma de pomba. Noutra, em forma de línguas de fogo — nunca em forma de pessoa” (Brochura “Deve-se crer na trindade?” 1989, pág. 21).
     Aconselhamos que os testemunhas de Jeová leiam mais a Bíblia ao invés de lerem mais a revista Sentinela e a revista Despertai, pois notarão que a Bíblia, em Gênesis 18 e 19, mostra Deus aparecendo a Abraão como três pessoas. Esta narração pode ser usada para ajudar  as  testemunhas  de  Jeová a ver  que mesmo o impossível (do ponto de vista humano) é possível para Deus. Vejamos (Extraído de REED, David. Refutando as testemunhas de Jeová Versículo por versículo, edição online, com adaptações do autor deste subsídio):
     Na Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, tradução adotada pelas testemunhas de Jeová e considerada a única tradução correta, da Sociedade Torre de Vigia, vemos em Gênesis 18:1,2, Deus aparecendo a Abraão como três pessoas (em forma de anjos). Abraão se dirige a eles como "Jeová" (v. 3). Quando os três homens respondem, o episódio é descrito alternativamente como "eles" falando (v. 9) e "Jeová" falando (v.13). Quando dois dos três homens se despedem para visitar Ló em Sodoma, Abraão continua a chamar aquele que permaneceu de "Jeová", mas Ló se dirige aos outros dois como "Jeová" (Gên. 18:22‑28, 19:1‑18). Eles se separaram mas continuavam sendo chamados de Jeová.
     Por si mesma, esta consideração não prova a doutrina da Trindade. Mas, pelo menos, demonstra que é possível para Deus se manifestar como três‑em‑um e que de fato o Espírito Santo apareceu como uma pessoa. O fato de que este conceito está além do alcance total do intelecto humano não deve fazer com que as testemunhas de Jeová o anulem. Como escreveu o apóstolo Paulo "... agora só podemos ver e compreender um pouquinho a respeito de Deus, como se estivéssemos observando seu reflexo num espelho muito ruim; mas o dia chegará quando o veremos integralmente, face a face. Tudo quanto sei agora é obscuro e confuso, mas depois verei tudo com clareza, tão claramente como Deus está vendo agora mesmo o interior do meu coração" (I Cor. 13:12, A Bíblia Viva).
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     “Segundo a doutrina da Trindade, o espírito santo é a terceira pessoa de uma Divindade, igual ao Pai e ao Filho. Como diz o livro A Nossa Ortodoxa Cristã: ‘O Espírito Santo é totalmente Deus’”.
    "Nas Escrituras Hebraicas, a palavra mais freqüentemente usada para “espírito” é rúahh, que significa “fôlego; vento; espírito”. Nas Escrituras Gregas, a palavra é pneúma, com significado similar. Indicam estas palavras que o espírito santo é parte duma Trindade?” (Brochura “Deve-se crer na Trindade?” 1989, pág. 20).
     Nós não provaremos aqui toda a doutrina da Trindade, mesmo porque este é o assunto da próxima lição que estudaremos, além do mais, temos que admitir que só a palavra pneuma por si só não prova que o Espírito Santo é Deus e faz parte de uma Trindade, no entanto, devemos lembrar que o uso estranho dos pronomes pessoais para o substantivo neutro pneuma é uma prova de sua personalidade, além do fato de que Pedro chamou claramente o Espírito Santo de Deus (At 5. 3, 4) e que o espírito apresenta atributos que só Deus possui. Outrossim, segundo o escritor e teólogo Stanley M. Horton, no seu livro “A Doutrina do Espírito Santo no Antigo e Novo Testamento”, CPAD, pág. 16: “Alguém calculou que há pelo menos 33 diferenças de sentido que esta palavra pode apresentar em seus diferentes contextos”. Este “alguém” que o Dr. Horton refere-se é Floyd V. Filson, no livro “The New Testamente Against its Environment”, Londres, SCM Press. 1950. Pág. 79. A palavra ruach e pneuma não querem dizer apenas “vento” e “raciocínio”. Seria proveitoso se as testemunhas de Jeová analisassem primeiro o contexto bíblico antes de tirarem suas próprias conclusões errôneas.

     OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: Uma outra prova irrefutável de que o Espírito é uma pessoa é porque Ele demonstra autoconsciência, uma característica somente de seres pessoais e inteligentes. Isto fica subentendido em At 13. 2. Note o “EU” implícito no texto do versículo. Nenhuma força impessoal ou animal falaria, mesmo que implicitamente, a palavra “EU”, que demonstra personalidade, autoconsciência e individualidade.

ANALISANDO ALGUNS TEXTOS

Ø AT 5. 32 – “E nós somos testemunhas acerca destas palavras, nós e também o Espírito Santo, que Deus deu àqueles que lhe obedecem”.
 
     Jesus afirmou que enviaria o Espírito Santo e este “testificará de mim [Jesus]”. E além disso, “vós também testificareis” (veja Jo 15. 26, 27). Testificar e ser uma testemunha é uma atividade pessoal. A atividade de testificar do Espírito Santo é atribuída ao seu poder de capacitar os discípulos a testificarem também (At 1. 8) e a convencer o pecador (Jo 16. 8). Esta é a verdade de pessoas humanas testemunhando pela capacitação da Pessoa Divina que é o Espírito Santo de Deus. Em resumo, vemos aqui uma pessoa (o Espírito Santo) testificando de Cristo juntamente com outras pessoas (os apóstolos). É semelhante a Ap 22. 17. Aí vemos uma pessoa (o Espírito Santo), juntamente com outras pessoas (a igreja, a noiva de Cristo), todos dizendo a uma só voz: “Vem”. Ora, pode um ser impessoal falar junto com outras pessoas igualmente como elas? Não vá me dizer que a igreja é também uma força ativa impessoal. Seria o cúmulo do absurdo!!!
 
Ø Êx 15. 2 – “O SENHOR é a minha força e o meu cântico; ele me foi por salvação; este é o meu Deus; portanto, lhe farei uma habitação; ele é o Deus de meu pai; por isso, o exaltarei”.
 
     Já que as testemunhas de Jeová são tão apegadas ao uso que a Bíblia faz das palavras, dizendo que o Espírito não pode ser considerado uma pessoa por ser descrito por um substantivo neutro (mesmo que este receba pronomes pessoais, o que eles se recusam a aceitar e dar o braço a torcer), porque eles não ensinam também eu Deus Jeová é uma força ativa, como o próprio Davi diz: o senhor “O Senhor é a minha força e o meu cântico”. Ora, cântico e força são coisas impessoais e estão relacionadas com o SENHOR. Se levarmos em conta o próprio raciocínio dos testemunhas de Jeová, teremos que dizer que Jeová deve ser também uma força ativa, o que sabemos que não é verdade, como também não é verdade que Jesus não seja Deus e que o Espírito Santo também não seja Deus e apareça como uma força ativa.
 
Ø Rm 8. 16 – “O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus”.
 
     Se nós somos seres pessoais, é porque trazemos em nosso interior um espírito que nos dá características de personalidade. Este é o postulado básico da psicologia. Nosso espírito humano não é como o dos animais, que não possuem inteligência, e não se utilizam do raciocínio, mas sim do instinto. O espírito dos animais não lhes confere caráter pessoal e racional. Esta exatamente é a diferença ente o homem e os animais, entre outras. A prova que possuímos um espírito pessoal em nós e que nosso espírito não é mera “força ativa” é que ele tem racionalidade (muitas vezes a palavra “espírito”, de acordo com o contexto, pode significar “inteligência”, “consciência” e “raciocínio”, pois é isto que o espírito humano confere ao homem), pois diz o texto acima que o Espírito (com “E” maiúsculo, dando a entender que se fala do Espírito Santo) testifica (uma atividade claramente pessoal e racional) com o nosso espírito (com “e” minúsculo, falando do espírito humano, “o nosso espírito”, como diz o versículo). Ora, apenas uma pessoa pode testificar a outra pessoa e ser entendida por ela. É isso o que o texto acima diz. Uma pessoa (o Espírito Santo) falando a outra pessoa (o crente salvo em Cristo). Uma prova que o Espírito Santo é Deus é que Ele pode falar no interior do crente e dizer que ele está salvo, adotado por Deus, coisa que outro não poderia fazer se não fosse Deus. É o próprio Deus (a Terceira Pessoa da Trindade) afirmando ao crente que Deus Pai (a Primeira Pessoa da Trindade) o adotou através da fé em Jesus Cristo (a Segunda Pessoa da Trindade). Veja Rm 9. 1.
 
CURIOSIDADE

 
Invocando o nome do Deus triúno
 
     Para confundir os incautos, induzindo a crerem que o Espírito Santo não é um ser pessoal e divino, uma testemunha de Jeová é treinada para fazer a seguinte pergunta: “Se você crê na doutrina da Trindade, por que o Pai tem nome pessoal e o Filho também, mas o espírito santo não tem um nome pessoal individual como o pai e o Filho apresentam?” Então com seu ar de segurança e “ortodoxia” bíblica mostram o texto de Mt 28. 19, que em sua Tradução do Novo Mundo assim reza: “Ide, portanto, e fazei discípulos de pessoas de todas as nações, batizando-as em o nome do Pai, e do Filho, e do espírito santo", Então dizem: “Vocês trinitarianos provam a doutrina da trindade por este versículo, mas deixe-me perguntá-lo: qual é o nome pessoal e individual do Pai referido neste versículo?” A pessoa responde logo: “É Deus ‘Jeová’ ou ‘Iavé’”. Então continuam a perguntar: “e qual é o nome do Filho mencionado aqui?” A pessoa responde prontamente: “é Jesus Cristo (note que o nome “Jesus Cristo” tem caráter de nome pessoal próprio e individual). Aí então vem a cartada final. A testemunha de Jeová pergunta autoritariamente: “Então, qual é o nome pessoal e individual do espírito santo? Será ‘Antônio’? ou ‘Raimundinho’?”. A pessoa fica ser saber responder e na maioria das vezes é convencida que o Espírito Santo não é um ser pessoal. Se alguém responde que o nome pessoal do Espírito Santo é “Espírito de Deus” ou “Espírito de Cristo” eles contestam afirmando que querem um nome próprio do espírito e não um título. Como sair deste beco sem saída?
 
     Já mostramos que a Bíblia dos testemunhas de Jeová grafam a palavra “espírito santo" com letras minúsculas, mas devemos lembrar de algumas coisas: 
 
(1) Os nomes próprios no grego também não usavam iniciais maiúsculas para descrever nomes próprios de pessoas;
(2) No entanto, a sintática grega usa, contra sua natureza, pronomes pessoais ao referir-se especificamente ao Espírito Santo, dando a ele características pessoais próprias;
(3) Nossa sintática e gramática portuguesa usa iniciais maiúsculas para descrever nomes pessoais de pessoas;
(4) Então, conclui-se que o nome da Terceira Pessoa da Trindade é “Espírito Santo”, corretamente grafado em nossas versões portuguesas com iniciais maiúsculas.
 
     As testemunhas de Jeová fazem este tipo de pergunta para confundir as pessoas e traduzem o nome “espírito santo” com iniciais minúsculas para esconder esta verdade das pessoas.
 
     Note também que o texto de Mt 28. 19 fala em “em o nome” (singular) “do Pai, E do filho, E do Espírito Santo (pluralidade de pessoas). Ora, um só nome para chamar três pessoas refere-se ao nome de “Deus” que aplica-se tanto ao Pai, quanto ao Filho e ao Espírito Santo. A conjunção E no texto separa as pessoas individuais, enquanto a referência “em o nome” as une, concluindo que os três são Deus, não três deuses, existindo como três pessoas distintas uma da outra, cada uma possuindo um nome pessoal próprio destacado no texto bíblico. 
 
     Uma outra curiosidade: o nome “Espírito Santo” aparece com iniciais maiúsculas na versão Almeida Revista e Corrigida (ARC) cerca de 96 vezes, no Antigo e no Novo Testamento. Uma farta evidência do nome próprio da Terceira Pessoa da Trindade.

MOMENTO DEVOCIONAL
 
Aprendendo com o Espírito Santo
 
     A vida cristã é mais ou menos como aprender a pedalar de bicicleta. O pai corre atrás do filhinho enquanto ele tenta se equilibrar para não cair da bicicleta enquanto pedala. Às vezes o filho tem uma queda aqui, outra acolá, mas sempre que o filho cai, o pai levanta o filhinho do chão e diz: “não se preocupe, eu estou aqui. Vou segurar a bicicleta para você não cair de novo”. Assim é o Espírito Santo conosco: Se ás vezes caímos no chão por ainda não sabermos como se caminha pela vida cristã, Ele diz: “não se preocupe, eu fui enviado para estar contigo para sempre. Não vou deixar você cair, não vou te abandonar”. No entanto, a única coisa que o Espírito Santo pede para quem quer a prender a pedalar na estrada da vida cristã é isto: “peço apenas que me deixe segurar sua bicicleta”. Muitos crentes têm andado de forma cambaleante porque o Espírito Santo não está lhes acompanhando. Eles não deixaram-no segurar em suas bicicletas enquanto aprendiam a pedalar... E você, tem caído muito? Permita o Espírito Santo te levantar e te segurar para que você não caia de novo. Deixe Ele te tomar em seus braços.
 
LEVANDO SEUS ALUNOS A CRISTO
 
     Benjamim West, o grande pintor, ensinando numa classe de artes plásticas referiu-se a Gilbert Stuart, um artista crente muito famoso por sua coloração bonita usada na pintura de seus quadros, afirmando aos seus alunos: "Não é nenhum crime tentar roubar as cores de Stuart; mas se vocês querem pintar  como ele, vocês têm que roubar os olhos dele". Quando nós falhamos em nossos esforços para viver como Cristo viveu, vemos que o registro da vida dEle, é maravilhoso, inigualável, porém insuficiente para nos dar a força necessária para conseguirmos. O que nós precisamos não é apenas do conhecimento do que está registrado sobre Cristo, precisamos é do coração dEle, da natureza dEle. Somente seu Espírito divino dentro de nós pode reconhecer sua divindade. Sem o Espírito Santo em nós não podemos conhecê-lO nem experimentá-lo como Deus (1Pe 2. 3). Conhecer a Cristo é permitir o Espírito Santo fazer sua maior obra em nós: Fazer Cristo nascer e viver em nós (Rm 13. 14; Gl 2. 20; 4. 19; Fp 2. 5). Pergunte se alguém não evangélico quer deixar o Espírito Santo fazer Jesus nascer em sua vida e ore por ele aceitando a Jesus Cristo como Salvador.

APLICAÇÃO PESSOAL
     
     Diz Gênesis 1. 2 que o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. Outras referências dizem que Ele veio sobre alguém Jz 3. 10; 11. 29; 1S 19. 20, 23; Ez 37. 1; At 19. 6. O Espírito Santo já veio sobre você? Deixe Ele se mover em seu interior e suas águas (sua alma e espírito) serão uma fonte de vida em movimento a Deus, fazendo nascer algo novo, uma nova criatura.

CONVITE À AÇÃO
 
     Estude aprenda os argumentos que provam a personalidade e a divindade do Espírito Santo. Tenha a coragem de dar este subsídio a um testemunha de Jeová que esteja disposto a conversar sobre seu ponto de vista, para ajudá-lo a entender a verdade de Deus.

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Boa aula!

Pedro M. A. Júnior.

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