EBD: Lição 8–Quando a Igreja de Cristo é Perseguida (20 de fevereiro de 2011).

TEXTO ÁUREO: “Bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem, e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa” (Mt 5. 11).


VERDADE PRÁTICA: Apesar das perseguições contra a Igreja de Cristo, o evangelho torna-se, a cada dia, mais universal e influente. Nenhuma perseguição haverá de deter o avanço da Igreja.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Atos 8. 1-8.

     Jesus afirmou aos seus discípulos que as perseguições viriam (Lc 21. 12-19; Jo 15. 20-27), e que, mesmo nas perseguições, eles deveriam pregar o evangelho de cidade em cidade (Mt 10. 23). Nos países que localizam-se na Janela 10x40 a perseguição é ferrenha. No entanto, não é somente lá que a igreja de Cristo é perseguida. Existe um tipo de perseguição que entra sorrateira na igreja: o mundanismo e as leis civis que são contra a Bíblia.

     Esta lição abordará a perseguição religiosa e política enfrentada nos primeiros dias da igreja primitiva.

     De tudo o que acontecia com a igreja, veremos que até nas adversidades a mão de Deus estava a dirigir os acontecimentos, como ainda hoje acontece.

     Cristo havia deixado bem claro antes de ascender aos céus que a missão da igreja era urgente e inadiável (Mc 16 15). Os discípulos ficaram esperando o revestimento de poder em Jerusalém para serem capacitados a pregar (Lc 24. 49; At 1. 8). Mas esta capacitação não era apenas para pregar, mas para estar pronto para tudo que envolvesse a pregação, inclusive a perseguição consequente.

     Devemos notar que a dinâmica da igreja está no poder do Espírito Santo e se demonstra na pregação, mas se confirma na perseguição, pois era o Espírito quem também dava forças aos cristãos ao enfrentarem seus perseguidores (Lc 12. 11, 12; 1Pe 4. 12-19).

     A perseguição desencadeou-se com a morte de Estêvão, que bravamente pregou a verdade e mostrou o erro dos religiosos legalistas da sua época. Da morte de Estêvão em diante, a igreja sofreu perseguição e foi forçada a fugir. Mas com sua fuga o evangelho foi disseminado em outras partes além de Jerusalém.

     Que o exemplo da igreja primitiva nas perseguições também nos desperte a voltarmos ao primeiro amor.

I. OS EFEITOS DA MORTE DE ESTÊVÃO

    Estêvão, um dos primeiros diáconos, era homem “cheio de fé e do Espírito” e “cheio de fé e poder” (At 6. 5, 8), como os outros diáconos, era ele “de boa reputação, cheio do Espírito Santo e de sabedoria” (At 6. 3). Ele mesmo depois de morrer, continuou a pregar e sua morte trouxe muitos bons resultados. Paulo que o diga. Vejamos os resultados da morte de Estêvão.

   1. Sobre Paulo. Saulo estava presente no martírio de Estêvão (At 7. 58; 8.1). Ele mesmo declara isso (At 22. 20). Quando Paulo olhou Estêvão pregando ousadamente que Cristo supriu os requisitos das profecias messiânicas, calando os outros fariseus, e, ao ser apedrejado, viu Estêvão orando por seus inimigos e falando para Jesus receber seu espírito, pôde ver o semblante de Estêvão “como o rosto de um anjo” (At 6. 15). Isso sem dúvida ficou marcado na mente de Paulo, de tal forma que Cristo, ao aparecer a ele, lhe  afirmou: “Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões” (At 9. 5; 26. 14). O que essa frase significa? Recalcitrar contra aguilhões diz respeito a um ferro pontudo chamado aguilhão, que protege os que levam bois ou equinos e muares. O arado ou carroça possuía esse ferro para impedir que o animal dê coices.

     Assim era Saulo, como um boi teimoso que queria dar coices, mas Jesus estava pondo o cabresto nele. Quando Cristo disse “duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões”, quis dizer: “Não adianta você tentar negar a minha mensagem, você sabe e sente que é a verdade”. A voz da pregação de Estêvão ainda ecoava no coração de Paulo. E ele não podia mais fugir do amor de Cristo, pois era inútil dar coices contra o aguilhão da verdade do evangelho.

     Saulo então tornou-se no apóstolo Paulo (At 9. 22; 13. 9). De perseguidor (At 8. 3) a perseguido (At 9. 21; Gl 1. 13, 23). Paulo mesmo declara o objetivo de Deus ao salvar o maior perseguidor da igreja (At 26. 5-29; Fp 3. 4-14; 1Tm 1. 12-17).

   2. Sobre a igreja. A morte de Estêvão desencadeou uma perseguição para toda a igreja, e diz a bíblia que “os que andavam dispersos iam por toda a parte anunciando a palavra” (At 8. 4). Além disso, a perseguição resultou na primeira viagem de Paulo (At 9. 32-11. 18), e na fundação das igrejas na Fenícia, Chipre e Antioquia da Síria (At 11. 19). Realmente a semente do evangelho havia sido plantada e Estêvão não derramou seu sangue em vão.

PARE E PENSE: Muitos mártires enfeitam a coroa da justiça de Cristo. Com o seu sangue derramado em terra, eles diante de Deus clamam por justiça (Ap 6. 9-11). E você? Vai esperar a morte para clamar por justiça? Estêvão morreu invocando, ainda em vida o bem de seus carrascos. O que você tem feito pelos que perseguem o evangelho? Você tem orado por eles?

II. QUANDO A IGREJA É PERSEGUIDA

     Lewis Paschalis afirmou: “É pouco morrer uma vez por Cristo; se pudesse, gostaria de enfrentar mil mortes por Ele”. Diz a Palavra de Deus que os discípulos se regozijaram em sofrer perseguições (At 5. 41). Eles estavam avivados nas perseguições porque sobre eles repousava o Espírito da glória de Cristo (1Pe 4. 12-16).

   1. Perseguição física. As torturas perpetradas contra os cristãos são famosas desde o Coliseu, passando pelos assassinatos da Inquisição da Igreja Católica,  pelas mortes no holocausto nazista que matou judeus e cristãos, às atrocidades sofridas pelos crentes nos países mulçumanos e as perseguições nos países fechados ao evangelho da atualidade.

     No livro de Richard Wurmbrand, “Torturado por Amor a Cristo”, ele testemunha sua própria experiência, no período em que esteve preso pelos nazistas:

     “Muitas vezes perguntei aos torturadores; '- Vocês não tem coração?' E eles respondiam com uma citação de Lenine: - ‘Não se pode fazer omelete sem primeiro quebrar os ovos, e não se corta madeira sem fazer os pedaços dela voarem’.

     Na prisão de Gherla, um crente de nome Grecu foi sentenciado a apanhar até morrer. Nisso tiveram de gastar algumas semanas. Ele era espancado vagarosamente. Uma vez na sola dos pés com um cassetete de borracha... depois de alguns minutos, outro golpe... veio um médico aplicar-lhe uma injeção. Recuperou os sentidos e lhe deram boa alimentação para recobrar as forças e então foi espancado outra vez até morrer sob essa pancadaria vagarosa e repetida."

     Um pastor chamado Florescu, foi torturado com atiçadores de ferro em brasa, e com facas. Foi açoitado horrivelmente. Ratos famintos eram introduzidos em sua cela através de um cano grosso. Ele não podia dormir pois tinha de se defender o tempo todo... se descansasse um só momento os ratos o atacariam. Foi forçado a ficar de pé por duas semanas, dia e noite. Por fim trouxeram seu filho de 14 anos e começaram a açoitá-lo na presença do pai dizendo que continuariam a bater até que o pastor dissesse o que eles queriam. O homem, coitado, já estava quase louco. Suportou até onde pôde. Por fim gritou para o filho: "Tenho de dizer o que eles querem! Não posso mais suportar o que estão fazendo..."

     ... O filho respondeu: Pai, não me faça a injustiça de ter um traidor por pai! Resista! Se me matarem, morrerei com as palavras 'Jesus é minha terra natal.' ... A fúria dos comunistas caiu sobre o menino, em quem bateram até matá-lo, vendo as manchas do seu sangue pelas paredes da cela”.

     Caso o amado leitor queira ver mais imagens e informações de outros cristãos perseguidos ao redor do mundo, clique aqui.

   2. Perseguição cultural. Até certo tempo atrás, ser evangélico era sinal de ignorância. Hoje isso mudou, pois agora é sinal de fanatismo ou oportunismo. A cultura secular, com seu relativismo, quer dar a entender que o homem pode ser religioso e não ter compromisso com a religião. Por isso os assuntos sobre pecado, arrependimento e santificação são relegados a segundo plano como apenas sendo mais um assunto teórico como qualquer outro. É como se fosse uma opção viver ou não no padrão bíblico. Hoje muitos zombam dos evangélicos que defendem assuntos como a castidade (virgindade), ou seja, sexo depois do casamento, e outras questões no tocante ao aborto, a eutanásia, os vícios, a pornografia, pena de morte, etc.

   3. Perseguição institucional. As leis aprovadas no Congresso Nacional visam muitas vezes reprimir o avanço do evangelho e desprezar os valores morais defendidos na Bíblia. A presença de políticos evangélicos no Congresso ou Parlamento, na Câmara dos Deputados ou dos Senadores pode ser até útil. No entanto, quem vence sempre é a maioria. Mas é por isso que precisamos de políticos honestos, que sejam pessoas de oração.

     Com Deus do lado, a minoria torna-se maioria.

PARE E PENSE: As perseguições e vicissitudes enfrentadas pelos discípulos conseguiram pôr a igreja para funcionar do modo como Deus queria. Depois do dia de Pentecostes os discípulos ficaram em Jerusalém ainda muito tempo, só saindo dela para outras regiões quando se viram forçados a fugir dos perseguidores. E você, amado leitor, quando tomará uma atitude de se colocar na obra do Senhor de forma dedicada? Não espere pela perseguição. Aproveite enquanto é tempo.

III. COMO ENFRENTAR A PERSEGUIÇÃO

     Como vimos na introdução desta lição, Cristo mostrou ser inevitável a perseguição e falou como os discípulos deveriam se portar nos tribunais e diante de seus carrascos. Quando a perseguição veio, a igreja despertou para a Palavra que Cristo proferira. Ela enfrentou a perseguição da seguinte forma:

    1. Evangelizando e fazendo missões. Paulo sabia bem o que era ser perseguido por amor do Evangelho, no entanto, em meio à perseguição, podia cantar:

     “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; trazendo sempre por toda parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos. E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossa carne mortal. De maneira que em nós opera a morte, mas em vós, a vida. E temos, portanto, o mesmo espírito de fé, como está escrito: Cri; por isso, falei. Nós cremos também; por isso, também falamos, sabendo que o que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também por Jesus e nos apresentará convosco. Porque tudo isso é por amor de vós, para que a graça, multiplicada por meio de muitos, torne abundante a ação de graças, para glória de Deus. Por isso, não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente, não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas” (2Co 4. 8-18).

   2. Apresentando uma apologia de nossa fé. Ou seja, fazendo o que Estêvão fez antes de morrer (At 6. 8-7. 60), e o que o apóstolo Pedro nos aconselha (1Pe 3. 15). Qual é a razão da sua esperança? A fé não é irracional, mas supera a racionalidade em alguns pontos. É aí que ocorre o sobrenatural.

   3. Conservando nossa identidade como povo de Deus. No tempo do Antigo Testamento vemos Israel em constante ameaça de extinção, no entanto a união do povo sob líderes cheios do Espírito de Deus fez com que o povo não assimilasse os costumes pagão e preservasse sua existência até agora. A igreja deve seguir esse exemplo do povo de Israel. Hoje vemos muitas igrejas perdendo a identidade para se adaptarem um pouco mais à vida de seus frequentadores. Isso sem falar das divisões internas, que minam mais ainda seus alicerces. Nas perseguições deve a igreja unir-se e ficar mais forte para não perder sua identidade.

PARE E PENSE: Deus pode sim, usar os males das adversidades para promover o nosso bem. O que devemos fazer é estarmos sempre prontos para testemunhar do amor de Deus, seja num hospital diante da doença, seja num tribunal diante dos acusadores, ou seja num funeral, diante da morte. Jesus dá vitória em todas as situações.

CONCLUSÃO

     Você é realmente um cristão disposto a carregar a sua cruz? Jesus pode confiar em você? Diante de um carrasco prestes a te executar, o que você faria? Que possamos pensar nisso com atenção, pois dias de maior perseguição estão por vir. A igreja deve estar preparada. Oremos pelos que já sofrem amarga perseguição.

     Desejo informar aos leitores deste blog que nas visualizações das estatísticas de visualização de página, muitos cristãos espalhados por vários países acessam o nosso blog. Alguns desses países são fechados ao evangelho. Dirigindo-me a estes irmãos perseguidos, desejo declarar meu amor e compaixão por eles em minhas orações por suas vidas.

     Continuem firmes irmãos! Pois o galardão, a recompensa que lhes espera será gloriosamente grande (Mateus 5. 10-12; 1Coríntios 15. 57, 58).


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PERGUNTAS PARA REFLEXÃO

1- Para você, onde está a diferença ente um cristão que morre pela fé e um mulçumano que se suicida em favor do Islamismo?

2- Se um homem armado de uma metralhadora mantivesse sua mãe ou outro ente querido seu sob a mira de sua arma e ordenasse que você negasse a Cristo para livrar a vida dela, o que você faria? Negaria a Cristo para salvar a vida da sua mãe (ou outro parente), ou deixaria matarem sua mãe (ou outro ente querido) por não negar ao Senhor?

3- O que a igreja de hoje pode fazer para barrar o crescimento da perseguição física, institucional e cultural que a aflige?

4- Você já sofreu perseguição alguma vez por causa de Cristo? Como você se sentiu? O que você fez nesse momento?

5-  Você em suas orações lembra-se de apresentar os cristãos perseguidos a Deus, para que Deus aja em favor deles?

ORAÇÃO

     Senhor, o inimigo está aí, bramando como leão, buscando a quem possa tragar. Protege-nos com a sombra das tuas asas. Que nas perseguições tenhamos ânimo de continuar destemidamente a fazer a tua obra. Dê coragem aos nossos irmãos perseguidos ao redor do mundo, e fortaleça seus corações. Em nome de Cristo. Amém.


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Boa aula!

Pedro M. A. Júnior.

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