EBD: Lição 5 - Sinais e Maravilhas na Igreja (30 de janeiro de 2011)


TEXTO ÁUREO: “Testificando também Deus com eles, por sinais, e milagres, e várias  maravilhas e dons do Espírito Santo […] (Hb 2. 4).
VERDADE PRÁTICA: A igreja evangelizadora e missionária jamais deixará de operar milagres e prodígios, pois o Deus do impossível tem um sério compromisso com os que anunciam as Boas Novas.
LEITURA BÍBILCA EM CLASSE:
Atos 3. 1-11
    A Palavra de Deus é saturada de milagres, pois ela fala das ações poderosas de Deus. Não há como acreditar em Deus sem crer que Ele faça milagres, haja vista o deísmo, que alega a existência de Deus sem reconhecer sua ação e influência entre os seres humanos e no Universo. O deísmo mostra-se contraditório em suas premissas mais básicas.

     Já o teísmo é a crença que Deus atua no Universo por Ele criado e que esta ação ou atuação é, até de certa forma, contínua (Hb 1. 3). Esta atuação de Deus na vida dos homens é para cumprir Seu propósito, e muitas vezes ultrapassa os limites daquilo que é humanamente considerado normal. No entanto, do ponto de vista de Deus, normal é fazer milagres.

     E. H. Andrews afirmou que “o elemento miraculoso é absolutamente básico para o cristianismo” . O cristianismo sobrevive triunfantemente à todas as provas até os dias atuais devido ao milagre do domingo daquela manhã depois da páscoa, quando mulheres judias ouviram em sua própria língua alguém dizer: “…Não vos atemorizeis; buscais a Jesus, o Nazareno, que foi crucificado; ele ressuscitou, não está mais aqui; vede o lugar onde o tinham posto” (Mc 16. 6). Depois daquele dia, nada mais pôde segurar ou reter o avanço do evangelho (At 2. 24).

     No entanto os milagres têm chamado tanto a atenção das pessoas que têm sido interpretados como sinal da aprovação de Deus a algum ministério em particular, em detrimento de outros. Ou mesmo servindo de espetáculo para chamar a atenção para determinada denominação.

     Vemos um procedimento diferente na igreja primitiva, onde os milagres eram usados pelos apóstolos nos seus discursos para chamarem a atenção para Jesus Cristo e não para si mesmos ou para o doente (At 3. 3-19).

     Neste estudo desejamos incentivar a igreja a que volte a ser um celeiro de milagres, mas que esses milagres sejam apenas para a glória de Deus, pois Ele não reparte a Sua glória com outrem (Is 42. 8).
    O verdadeiro milagre é a manifestação visível do Deus invisível. O milagre acontece quando Deus entra em ação manifestando seu poder de transformar o impossível em realidade, pois somente Deus chama as coisas que não são como se já fossem  (Rm 4. 17).

     Devemos entender que somos resultado de um milagre: a criação. O que antes não existia veio a existir depois que Deus ordenou (Sl 33. 6). Mas o pecado afetou a criação de Deus, que Ele havia criado perfeita (Gn 1. 31). Deus então teve de intervir na humanidade, trazendo a salvação em Cristo, possibilitando a todos os seres humanos os benefícios de nascerem de novo e serem nova criação (Jo 3. 3, 6, 7; 2Co 5. 17; Gl 2. 20). Sem dúvida, o maior milagre que possa acontecer é a salvação de uma alma. Somente isso faz acontecer festa nos céus (Lc 15. 7, 10).

     A igreja é a agência de milagres de Deus. É pela igreja militante que Deus continua a operar o milagre da salvação. Os outros milagres que acompanhariam a igreja na pregação do evangelho são apenas contribuições de Deus para confirmar sua mensagem de salvação (Mc 16. 15-20; At 14. 3; Hb 2. 4).

I.   SINAIS E MARAVILHAS, A AÇÃO SOBRENATURAL DA IGREJA

     Os milagres sempre acompanharam os que creram em Cristo e pregaram o evangelho. O milagre faz parte do testemunho dado pela igreja e comprova o poder da sua mensagem. Foi por isso que Jesus falou para que a igreja pregasse o evangelho, mas que só saísse a pregar depois que recebesse o revestimento do Poder do Alto.

   1. Definição. Podemos definir milagre como sendo todo acontecimento que viola as leis da natureza, cuja explicação lógica é impossível. O milagre é um paradoxo dos acontecimentos naturais, uma contradição dos eventos óbvios. Vale lembrar aqui que nem todos os milagres têm sua origem no poder de Deus, pois satanás pode operar milagres de mentira para enganar os incautos (2Co 11. 14).

   2. Objetivos do milagre. Os milagres, por si só, não têm o poder de trazer ninguém a fé em Cristo (Lc 16. 31). Nem são característica de crente santo e salvo (Mt 7. 21-23). Mas se manifestam entre os que são predispostos a crer na mensagem da salvação (Mt 13. 58; Mc 6. 5, 6; Hb 3. 19). Os objetivos dos milagres são estes: 

      (A) Confirmar as reinvindicações de Cristo como sendo Ele o Messias que Israel esperava, o Filho de Deus (Lc 11. 11-22; Jo 3. 1, 2; 10. 3; 14. 11); 

      (B) Demonstrar o poder, a presença e a glória de Deus (Lc 11. 16; Jo 9. 1-3; 11. 4);

      (C) Desfazer das obras do diabo e anular o poder do pecado (Mc 2. 1-12; At 10. 38; Hb 2. 14, 15; 1Jo 3. 8);

      (D) Confirmar a pregação do Evangelho (Mc 16. 20; At 5. 12; 14. 3; Rm 15. 18, 19; 2Co 12. 12; Hb 2. 4).

     Várias são as palavras gregas traduzidas por milagre, poder, prodígio e maravilhas, cada uma denotando uma faceta da manifestação do poder de Deus. Vamos analisar algumas referências, começando pelo texto áureo:

“testificando também Deus com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas, e dons do Espírito Santo… ”(Hb 2. 4).

       (A) Sinais (Gr. shmeion semeion).Também traduzido por “milagres” ao se referir aos dons espirituais em 1Co 12. 28, 29. Por isso este versículo de Hb 2. 4 inclui a frase “dons do Espírito” entre as outras palavras utilizadas para descrever a ação sobrenatural de Deus. Semeion refere-se a obras poderosas, ressaltando seu aspecto visível, algo que sirva de credencial. Veja estas referências (Mt 12. 38; 24. 3; Jo 6. 2; 12. 37; At 15. 12; 2Co 12. 12).

       (B) Prodígios (Gr. terav teras). Significa “ato que chama a atenção”. Aparece no Novo Testamento grego em referências como Jo 4. 48 ; At 4. 30; 6. 8; Rm 15. 19; Hb 2. 4. Note que em todas essas referências, o prodígio está acompanhado da palavra “sinal”.

       (C) Milagres (Gr. dunamiv dunamis). Também traduzido por “poder”, significa “capacidade” (as vezes sobrenatural) e refere-se a “algo que causa espanto e admiração”. Aparece em referências como Mt 7. 22; 22. 29; At 1. 8; 3. 12; Gl 3. 5; Ef 3. 7; 2Pe 1. 3, etc.

       (D) Maravilhas (Gr. yaumasiov thaumasios). Só aparece em Mt 21. 15. Em Mc 6. 2 aparece a tradução “maravilhas”, mas é da palavra grega dunamis. Esta palavra é usada para referir-se ao lado visível do milagre, algo que traga admiração.

      Em At 2. 22 e 2Co 12. 12 também vemos a combinação de várias palavras sinônimas de “milagre”.

      Em 2Ts 2. 9 fala que o anticristo fará sinais para enganar os perdidos.

PARE E PENSE: Receber um milagre e receber a salvação é algo distinto na Bíblia. Reflitamos na cura dos dez leprosos (Lc 17. 10-19). A cura dos dez não significou a salvação dos dez. Os dez foram libertos das chagas físicas, mas continuaram com seu interior sem mudança, a não ser um deles, que voltou para agradecer a Jesus. Nove leprosos queriam saber apenas da cura. Mas este voltou, depois de curado, a procurar Jesus apenas para louvá-lO. Este recebeu a cura e voltou-se a Deus; os outros nove nem lembraram de louvar a Deus por isso. 

     Assim estão muitos “leprosos” espirituais, infestando as igrejas à procura do milagre de Deus, sem se interessar pelo Deus do milagre.

II.   O MILAGRE NA PORTA FORMOSA

     Depois do milagre da salvação de quase três mil almas no dia de pentecostes, este é o primeiro milagre de cura registrado no livro de Atos. Coincidentemente, naquele dia era o dia daquele mendigo paralítico ganhar mais que uma esmola…

   1.  Oração e milagre. Pedro e João eram judeus comuns que participavam das reuniões no Templo frequentemente, antes mesmo de conhecerem a Jesus. A Torá (Lei de Moisés) era seguida por eles e por isso, tinham o costume de orar.  E, neste caso, iriam orar às três da tarde. Depois que se tornaram discípulos do Senhor Jesus, continuaram frequentando o Templo. É certo que por muitos anos eles passavam por aquela mesma porta e não se davam conta daquele mendigo sofredor a pedir esmolas. Mas agora seria diferente, pois eles não eram mais os mesmos.

     Depois que foram revestidos de poder no Pentecostes, os discípulos ficaram com mais fome de Deus de sorte que eles viviam “perseverando todos os dias [em oração] no templo e partindo o pão em casa” (At 2. 46). Num destes dias o paralítico finalmente chamou a atenção deles, que eram homens de oração. O poder de Deus faz o crente se importar com as mazelas do próximo.

   2.  Quando nem ouro nem a prata fazem a diferença. Com dinheiro você pode comprar hospitais, mas não a cura. Com dinheiro você pode comprar remédios, pagar médicos; mas não pode comprar a saúde. No entanto o mendigo queria dinheiro, pois não sabia que aqueles homens que sempre via entrando pela Porta Formosa estariam tão transformados. 

     Foi neste momento em que sua voz foi ouvida: “Dá-me uma esmola, em nome do Deus de Israel!”, dizia ele.

     Conta-nos a Bíblia que Pedro ordenou o paralítico: “Olha para nós” (At 3. 4). O paralítico ficou admirado com o tom de voz de Pedro e atentou para ele, “esperando receber alguma coisa” (v. 5). Deve ele ter pensado: “Pelo jeito deste homem, ele me dará uma oferta generosa!”. Mal sabia ele o que lhe esperava… 

     Deus tem sempre o melhor para nós, e nós só queremos esmolas, comparado com o que Ele tem para nos dar (Rm 8. 18; 1Co 2. 9).

   3. O milagre na Porta Formosa. A Porta Formosa era também conhecida como Porta de Nicanor, devido ao acontecimento de 1Macabeus 7. 47. Sua localização provável ficava no lado oriental do Templo, onde os sacerdotes ofereciam os sacrifícios trazidos para lá, e por isso era um lugar estratégico para um pedinte. Alguns dizem que essa porta era chamada de Porta de Susã, pois acima dela estava gravada em placas de bronze a figura da cidade de Susã, capital da Pérsia, onde se festejavam a comemoração de Purim, relembrando do livramento promovido pela rainha Ester. Dizem que esta mesma porta era a que o livro de Atos chama de “pórtico de Salomão” (At 3. 11). Era feita de bronze trazido de Corinto e dava acesso ao pátio dos gentios e levava para o das mulheres. Comentaristas bíblicos antigos, segundo a tradição judaica, dizem que esta porta é citada em 2Rs 15. 35 e Jr 26. 10. Flávio Josefo refere-se a ela quando escreve dizendo que haviam, das portas do Templo, nove que eram cobertas de ouro e outra que era coberta de bronze, que excedia em formosura e beleza as portas de ouro. Esta era a Porta Formosa.

     O milagre se deu quando Pedro mostrou para o paralítico qual a riqueza maior que alguém pode dar para outro: o encontro com o poder de Deus, pelo nome de Jesus Cristo. Disse ele: “Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda” (At 3. 6). 

     O nome de Jesus tem poder, mas isso não significa que Pedro não precisou ajudar o paralitico a se levantar para firmar-se (v. 7). Existem pessoas  que dizem que se Deus curar alguém, não precisa ficar ajudando, pois Deus não precisa de ajuda. Deus não precisou ser ajudado para curar esse paralítico, é óbvio, mas o paralítico naturalmente precisou de ajuda para se levantar e se firmar. A palavra grega traduzida por “tomando-o” no versículo 7, é o verbo piazw piazo, que significa “segurar”, “tomar com as mãos”, “manter preso”. este verbo aparece, além de At 3. 7, em Jo 21. 10; 2Co 11. 32; Ap 19. 20, entre outras ocorrências.

     O resultado imediato dessa ação de Pedro para com o paralítico podemos ver nos versículos 8 e 9: “E, saltando ele, pôs-se em pé, e andou, e entrou com eles no templo, andando, e saltando, e louvando a Deus. E todo o povo o viu andar e louvar a Deus”.

PARE E PENSE: Você tem autoridade de Deus para orar por um doente? Quantas vezes você orou e Deus operou? Mas, como está sua vida de oração? Se você não tem vida de oração, como quer que Deus te escute quando orar simplesmente por pedir socorro? Tenha uma vida de oração, conserte o teu altar, e verás o fogo cair e os milagres acontecerem! Aleluia!

III. O MILAGRE ABRE A PORTA DA PALAVRA

     O milagre chamou a atenção do povo, pois o paralítico era conhecido por todos os que participavam do Templo, pois “todo o povo o viu andar e glorificar a Deus, e conheciam-no” (vv. 9, 10). Com o acontecido eles ficaram “cheios de pasmo e assombro” (V. 10). Quando viram que ele se abraçou (“apegando-se” , v. 11) com Pedro e João, “o povo correu atônito pra junto deles no alpendre chamado de Salomão”. Foi aí que Pedro aproveitou para pregar a palavra, cujo conteúdo do sermão você, leitor, pode ver no restante do capítulo 3 de Atos dos Apóstolos.

     Devemos aproveitar para pregar o evangelho, mesmo em meio às perseguições (At 14. 27; 19. 8–10; 2Co 2. 12, 13; Cl 4. 3; 2Tm 4. 1, 2).

     A lei impedia de pessoas defeituosas participarem das reuniões no templo (Dt 23. 1). Elas podiam participar apenas na sinagoga (Lc 6. 6). A partir de então, a dignidade do paralítico foi restaurada, pois ele não era mais paralítico, ele era um servo de Deus. Agora curado, o ex-paralítico podia ter total acesso à presença de Deus, assim como nós, quando fomos curados em Cristo ao recebermos o perdão dos nossos pecados (Rm 5. 2).

PARE E PENSE: O que você faz quando vê alguém necessitando de uma  ajuda? Deixa para outra pessoa ajudar? É assim então que você quer ser usado por Deus? Não perca as oportunidades de pregar o evangelho, seja ousado, e serás usado por Deus. 

CONCLUSÃO

     Falta de milagres em uma igreja é sintoma de seis coisas: (1) Falta de fé (Mc 9. 23); (2) Falta de oração (At 4. 31);  (3) Falta de santidade (Js 3. 5); (4) Falta de buscar os dons espirituais (1Co 14. 1-4, 24, 25);  (5) Falta de temor a Deus (At 2. 33) e, (6) Negligência em pregar o evangelho (Mc 16. 20). Sua igreja está assim?

PERGUNTAS PARA REFLEXÃO

1. Na sua opinião, qual o milagre mais importante de Deus? Justifique.

2. Por que hoje os milagres mais procurados de Deus tem a ver com a prosperidade e vida financeira e não com a salvação?

3. Você sabe reconhecer quando um milagre é de Deus ou não?

4. Por que em muitas igrejas de hoje já não se vê a operação dos milagres de cura, sinais e dons do Espírito?

5. Na sua opinião, qual o principal objetivo do milagre?

     Suas respostas podem ser enviadas para o meu e-mail: jcservo@hotmail.com.

ORAÇÃO
     Senhor, as orações dos apóstolos faziam o chão tremer, as cadeias se abrirem e os enfermos serem curados! Faz-me crer e ver isso acontecer em minha vida. Quero ser usado pelo Senhor. Renova este poder em mim. Amém

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Boa aula!
Pedro M. A. Júnior.

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