EBD: Lição 3 – O Derramamento do Espírito Santo no Pentecostes (16 de janeiro de 2011)


     A fonte de toda a dinâmica da igreja primitiva, registrada no livro de Atos dos Apóstolos não reside na ousadia de suas pregações, na eloquência de seus discursos, no desprendimento de seus arautos e apóstolos e nem na coragem e intrepidez de seus líderes e missionários. O segredo disto está na fonte desta ousadia, coragem e intrepidez: é o poder e a presença do Espírito Santo na vida dos crentes, que fazia toda a diferença na igreja primitiva.
   
  O Espírito Santo é a vida da igreja, o seu motor e combustível. Não é à toa que Jesus só permitiu que os discípulos saíssem em missão a todo o mundo, depois que recebessem “a promessa do Pai” (Lc 24. 49; At 1. 4).
    
   A igreja tem suas raízes no Dia de Pentecostes. Foi nesse dia, há mais de dois mil anos atrás que ela nasceu no poder de Deus e começou a propagar-se. Será útil voltar ao capítulo dois de Atos e estudarmos o padrão para a igreja de hoje, o qual ela está perdendo no decorrer dos séculos (Ap 2. 5). Existem muitas denominações classificadas como “pentecostais”, no entanto, de pentecostal, elas só tem o nome (Ap 3. 1). Isso, sem falar das “neopentecostais”!
   
  Mais do que no dia de Pentecostes, a igreja necessita urgentemente receber novamente o sopro do vento veemente de Deus para ser aquele exército unido e coeso que um dia já foi (Ez 37. 9, 10).

   Em muitas igrejas o batismo no Espírito Santo como uma segunda experiência após a regeneração, nem mais é crido, ou nunca foi crido e ensinado, e se ensinado, é distorcidamente.
     
   Veremos nessa lição alguns detalhes que cercam as verdades referentes a esta grande promessa que Deus Pai deixou à igreja resgatada com o sangue de seu filho Jesus Cristo (At 2. 39).
  
     Nossa oração é que nesse estudo você possa sentir a brisa transformar-se em vento, reacendendo o seu fogo.
     O fenômeno de falar em línguas é um mistério que ainda hoje causa confusão na mente dos estudiosos da Bíblia. Devido às denominações chamadas “tradicionais”, muitos de seus membros estranham que outras denominações afirmem falar em outras línguas, já que esses crentes “tradicionais” são ensinados que os dons do Espírito Santo ficaram resignados aos tempos dos apóstolos do século I da Era Cristã. Como estudantes sérios da Bíblia, cabe a nós não darmos uma interpretação que imponha nosso ponto de vista tendencioso, mas analisarmos todo o contexto bíblico, sem nenhum ponto de vista  pré-concebido a verdade bíblica sobre tal assunto.
    
     Comentaremos aqui apenas as partes mais difíceis da lição.
I. O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO
    
    Todos os estudiosos da Bíblia concordam que o que aconteceu no dia de Pentecostes foi o cumprimento da promessa profética exarada em diversos livros no Antigo Testamento, e confirmada por Cristo em o Novo Testamento. Concordam também que esse batismo capacita os salvos a anunciarem eficazmente o evangelho. A discordância está no conceito deste acontecimento (se é algo distinto da conversão e regeneração, como uma “segunda bênção” ou experiência), se aquele acontecimento repetiu-se e/ou se ele continua a ocorrer até os dias atuais.

  1.  O batismo com o Espírito Santo. Veremos aqui os detalhes das interpretações tanto dos evangélicos pentecostais quanto dos tradicionais.
    
     Sobre a interpretação dos crentes tradicionais, podemos ver bem definida sua posição com relação ao batismo no Espírito Santo e o falar em línguas, em um site da igreja Presbiteriana, onde trás publicada uma carta escrita pelo seu Conselho Permanente de Doutrina endereçada à todos  os presbiterianos em geral, e principalmente a seus líderes. Essa carta se intitula “Carta Pastoral sobre o Espírito Santo”, que foi resultado de uma resolução deste conselho, a qual também aparece neste site e resume-se assim:
"SC-1998- Doc. 119 - Quanto ao Doc. N.º 175 – Proposta do Presbitério Serrano Espirito Santense referente à doutrina do Batismo com Espírito Santo e sua evidência. O SC/IPB-98, em sua XXXIV Reunião Ordinária Considerando: A doutrina do Batismo com Espírito Santo e sua evidência, Resolve: 1) Adotar como padrão doutrinário do S.C./IPB acerca da doutrina do Batismo com Espírito Santo e sua evidência a carta pastoral denominada o “Espírito Santo hoje: dons de língua e profecia”. 2) Determinar aos seus concílios, pastores, oficiais e membros da IPB, o abaixo transcrito: a) “A doutrina do batismo com o Espírito Santo, como uma “ Segunda benção” distinta da conversão, não deve ser ensinada e nem propagada pelos Pastores ou Membros nas comunidades, por ser biblicamente equivocada. b) Todo ensino sobre as línguas e profecias que entende estes fenômenos como um sinal do batismo com o Espírito é contrário à Escritura, visto que a sua evidência é a regeneração-conversão."(Grifos meus)
     O conteúdo completo na íntegra desta carta e as doutrinas e posição interpretativa da Igreja Presbiteriana do Brasil (semelhante à posição de outras denominações tradicionais) você pode ver  neste link a seguir, clicando AQUI.  (Clique neste link com o botão direito e escolha abrir em nova guia ou aba).
   
     Como pudemos ver acima, o Conselho de Doutrina da Igreja Presbiteriana diz que a doutrina do batismo com o Espírito Santo, com a evidência de falar em línguas NÃO DEVE SER ENSINADA, pois, segundo eles, esta é uma interpretação BIBLICAMENTE EQUIVOCADA e É CONTRÁRIO À ESCRITURA.
    
     Em nome dos pentecostais desejo agradecer ao respeito, visto que na minha opinião, o termo por eles empregado pra classificar esta interpretação de “equivocada”, e “contrária à Escritura” nada mais é do que um eufemismo para a palavra “herética”. Mas sempre dá no mesmo, pois uma interpretação equivocada é sempre uma interpretação errada, e sendo assim, por ser errada, torna-se uma interpretação “herética”.
   
    No mini dicionário Aurélio, a palavra “equivoco” tem os seguintes conceitos e sinônimos: “ambíguo” (ou seja, não é claro, tem dois sentidos), “que dá margem a suspeita”, e “engano”. São estas expressões adjetivas que estão por trás da palavra “equivoco”, usada pelos doutrinadores das denominações tradicionais para definir a interpretação defendida pelos pentecostais. Para eles isso é heresia!
   
     2.  A evidência inicial e física do batismo com o Espírito Santo. Não seria justo mostrarmos aqui nossa posição sem antes analisarmos e mostrarmos a posição dos evangélicos tradicionais que discordam de nós (veja detalhes no link acima), como eles fizeram no nosso caso. Ao invés de rotular a interpretação deles de “equivocada”, partiremos para as respostas que a Bíblia nos dá.
     
     Segundo eles, o batismo com o Espírito Santo é a mesma coisa ou acontece simultaneamente com a conversão/regeneração, ou seja, para eles, toda a pessoa que se converte a Cristo é instantaneamente batizada com o Espírito Santo e incorporada no corpo de Cristo que é a igreja, segundo eles interpretam o texto de 1Co 12. 13: “Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito”. (Grifos meus).
    
     Nisto sim, poderíamos dizer que sua interpretação é algo que dá margem à suspeitas, devido sua precariedade em entender a definição bíblica do batismo com o Espírito Santo e negar que ela seja uma experiência posterior à regeneração, ou logo sucedendo-a.
     
     Note que este versículo está falando de um batismo do Espírito, mas não COM, mas EM. Uma coisa é ser batizado COM o Espírito Santo, e outra diferente é ser batizado NELE. É a mesma coisa, por exemplo você beber da água da piscina (pois a água estará dentro de você) e você dar um mergulho na piscina (você estará dentro da água).  Por isso, não podemos confundir conversão (Espírito no interior) com o batismo com o Espírito Santo (o crente submerso no Espírito).

     Na regeneração (também chamada de novo nascimento e conversão) a pessoa é batizada NO (NELE) Espírito Santo e começa a fazer parte da igreja que é corpo de Cristo, pois a habitação do Espírito no interior é a marca de todo o salvo (Note as referências de Rm 8. 9; 1Co 3. 16; Gl 4. 6). Em outras palavras, segundo as referências acima, TODOS os convertidos ao evangelho possuem o Espírito Santo morando em seu interior, que é a marca da regeneração e da adoção que ocorre com o perdão dos pecados (Ez 36. 27; Jo 14. 17; Rm 8.16).

     O batismo COM o Espírito Santo, biblicamente falando, tem muitas diferenças do batismo NO Espírito Santo. Concordamos que quando a pessoa recebe a  Cristo como Senhor, o Espírito Santo de Deus vem habitar nessa pessoa (Jo 14. 23) e assim, ela é batizada, mas, conforme fala em 1Co 12. 13, é batizada com o propósito de participar do corpo de Cristo (a igreja). Só que não pára por aí. Deus tem algo mais a dar àquele que buscar.

     No caso do batismo COM o Espírito Santo podemos ver algumas diferenças:
(A) O propósito é outro: Enquanto o batismo NO Espírito é a confirmação que o crente pertence a Deus e faz parte da igreja (1Co 3. 16, 19); o batismo COM  o Espírito Santo visa capacitar quem já está no corpo de Cristo a anunciar a mensagem do evangelho (At 1. 8); 
(B) A forma de recebê-lo é diferente: Enquanto o batismo no Espírito Santo é algo instantâneo e que a pessoa recebe ao aceitar a Cristo, não sendo necessário o crente pedí-lo a Deus no momento da sua conversão (Jo 14. 16, 17, 26; 15. 26. ), pois nessa acepção, o Espírito Santo é visto como ENVIADO (Veja Jo 16. 7). Já no batismo de fogo, Jesus diz que dará o Espírito Santo a quem lhO pedir (Lc 11. 13; Jo 7. 39), neste caso o Espírito Santo é visto como sendo DADO , ou seja, “entregue” em resposta à oração dos salvos, como aconteceu no dia de pentecostes, onde todos os que estavam reunidos no cenáculo no dia de pentecostes “foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo concedia que falassem” (At 2. 4). A Bíblia mostra que eles “perseveravam unanimemente em oração e súplicas” (At 1. 13, 14). O batismo de fogo, com línguas é dado a quem já obedece (At 5. 32), aos quais o Espírito Santo distribui como quer (1Co 12. 11), enquanto TODOS OS SALVOS apenas têm o Espírito, mas não foram revestidos e, por isso não falam em línguas.
(C) Outra diferença ente o batismo NO Espírito Santo (enviado para morar no íntimo daquele que aceita a Cristo como Salvador) e o batismo COM o Espírito Santo (dado à igreja para a capacitar a pregar o evangelho, evidenciado e diferenciado pelo falar em línguas) é a sua abrangência: No primeiro caso, que é na conversão, 1Co 12. 13 é claro em dizer que TODOS participam do batismo NO Espírito Santo, pois TODOS os salvos bebem dele. No caso do batismo COM o Espírito Santo, Paulo dá a entender que NEM TODOS os crentes participam, ou melhor recebem esta segunda experiência distinta (Note como Paulo faz os Coríntios entenderem isso, nas suas perguntas retóricas que 1Co 12. 28, 29, cuja resposta implícita é um sonoro NÃO).
    
  Existem argumentos dos crentes tradicionais querendo revogar as verdades bíblicas concernentes ao batismo COM o Espírito Santo. Vejamos:

   PRIMEIRA AFIRMAÇÃO: Eles contestam nossos argumentos afirmando que o batismo COM o espírito Santo com o falar em línguas não existe mais. Para isso eles mostram 1Co 13. 8-10, que diz: O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo  línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;  mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado”.

     Respondemos mostrando duas verdades neste texto: (1) Este texto está inserido num capítulo onde se compara os dons do Espírito ao amor, e, diante do amor os dons não são nada, da mesma forma que de nada adianta ter os dons e não ter amor (1Co 13. 1-3); (2) Olhando melhor para o texto em questão, notamos que o texto fala de “quando vier o que (aquele que) é perfeito” (v. 10). É por isso que todos os verbos principais estão no futuro. Este que é “perfeito” e que virá dar fim aos dons, é Cristo, a quem veremos “face a face” (v. 12), pois no arrebatamento, a igreja não estará mais aqui para necessitar dos dons para pregar a todos os pecadores, e no céu estes dons também serão desnecessários.

     SEGUNDA AFIRMAÇÃO: Eles continuam a dizer que os dons seriam apenas para a geração dos discípulos do Séc. I e que cessaram para os tempos de hoje.

     Refutamos a tal interpretação fazendo lembrar que a promessa do batismo COM o Espírito Santo foi concedida a toda a igreja a todas as gerações, não só aos discípulos do século primeiro, “a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar” (At 2. 39).

     Resumindo, todo o salvo têm em si o Espírito Santo, como sinal, marca, ou selo de que ele faz parte da igreja (1Co 12. 13; 2Co 1. 22; 5. 5; Ef 1. 13, 14; 4. 30), mas nem todos os salvos da igreja têm esta segunda experiência evidenciada em falar em outras línguas (1Co 12. 28, 29). O primeiro “batismo” é a experiência da salvação, onde a pessoa, segundo 1Co 12. 13, é batizada EM um (NO, NELE) Espírito e assim faz parte da igreja. A SEGUNDA experiência é quando o crente, já salvo e participante do corpo de Cristo é REVESTIDO (vestido pela segunda vez, vestido com algo por cima daquilo que já o vestia, com um roupa por cima da primeira) para ser capacitado a ser testemunha e exercitar os dons espirituais (1Co 12. 28, 29).
CONCLUSÃO

     Concluímos aqui o estudo e comentário desta lição. Se você quiser se aprofundar mais neste assunto clique aqui.

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Boa aula!

Pedro M. A. Júnior.

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