EBD: Lição 10 – O Ministério da Intercessão

 

TEXTO ÁUREO: Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando  nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos” (Ef 6. 18).


VERDADE PRÁTICA: Através de Cristo e sob o poder do Espírito Santo, somos impulsionados e capacitados a interceder uns pelos outros.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Gênesis 18. 23-29, 32, 33

     O ministério da intercessão é o resultado natural da obra de Cristo e da influência santificadora do Espírito Santo de Deus na vida do salvo (Jo 14. 16).

     Aquele que tem o sentimento do Espírito  Santo (At 17. 16; comp. Ef 4. 30), a graça de Cristo (At 7. 59, 60; comp. 1Jo 3. 16) e o amor do Pai (1Jo 3. 1; comp. Tt 3. 4), sentirá, como Paulo, a dor de ver os pecadores distantes de Deus e fará algo para mudar tal situação. E com certeza um crente maduro e espiritual sabe que neste caso duas medidas são cabíveis: evangelizar e orar. Pregar o evangelho é lançar a semente da Palavra (Lc 8. 11; Tg 1. 18; 1Pe 1. 23) mas orar pela obra de Deus é regar esta semente que foi plantada (1Co 3. 6, 7; Cl 2. 1-6; 4. 12). Isto é a essência do ministério da intercessão: orar e agir; oração e ação. A Bíblia mostra que a intercessão e a pregação da Palavra têm o poder santificador (1Tm 4. 5).

     Esta lição nos ensinará como praticarmos o nosso ministério de intercessão, visto que na lição 8 aprendemos sobre a oração sacerdotal de Cristo e pudemos ver como era seu ministério de intercessão. O segredo sempre será seguir o exemplo do Mestre Jesus. Ele, como dissemos na lição citada há pouco, é nosso exemplo de intercessor.

     Interceder é orar pedindo a Deus o bem do próximo. É postar-se na brecha pelos outros (Jr 5. 1; Ez 22.30), imitando o que Cristo Fez (Is 53. 12). É o exemplo de Cristo e a influência do Espírito Santo que nos capacita a interceder com eficácia. Como diz Thomas Watson: “A oração, da forma como provém do santo, é fraca e  lânguida; mas quando a flecha da oração de um santo é colocada no arco da intercessão de Cristo, ela penetra no trono da graça”.

I. A ORAÇÃO INTERCESSÓRIA

     Veremos agora o contexto bíblico e histórico da oração intercessória, do ponto de vista de um ministério que deve ser exercido pela igreja como um todo.

      Devemos, antes de tudo, ter em mente que as instituições do Antigo Testamento (AT) aplicavam-se aos judeus, pois era para eles o Concerto Mosaico; enquanto que no Novo Testamento (NT), muitas das instituições no Antigo Concerto, ou seja, do Antigo Testamento cumprem-se em Cristo e são tipologias para a Igreja do Senhor, que não está inserida na Antiga Aliança, mas na Nova Aliança, a Aliança do Novo Testamento.

   1. No Antigo Testamento. Os heróis da fé do AT eram pessoas de oração. Como o escritor da presente  lição, Pr. Eliezer de Lira e Silva destaca, homens como Samuel, Moisés, Jeremias, Esdras e Daniel (Sem esquecer o clássico exemplo de Abraão, obviamente), eram pessoas que intercediam insistentemente por seu povo. No entanto, a instituição levítica estabeleceu os sacerdotes como os intercessores legítimos do povo (Lv 9. 22, 23; Hb 5. 1). Mas isto não significa que outros que não fossem sacerdotes não poderiam interceder. O próprio rei Davi intercedeu pelo povo (1Cr 21. 1-17), como mais tarde o Filho de Davi, Jesus Cristo faria (Hb 7. 25).

     No hebraico, o verbo interceder é  פ ג ע(paga’) tem o sentido de “ir ao encontro de, importunar, impingir, solicitar, intervir”. Esse verbo dá a entender que interceder é ir ao encontro de outrem de maior autoridade para solicitar algo de bom para si ou para outra pessoa. A Bíblia mostra intercessões a favor de homens perante outro homem, como no caso de Jônatas intercedendo a favor de Davi perante seu pai, o rei Saul (1Sm 19. 4), e também exemplo de homens intercedendo por seu semelhante diante de Deus (1Rs 13. 6).

   2. Em o Novo Testamento. Como já dissemos, Cristo é nosso exemplo de intercessão (para maiores detalhes, consulte nosso comentário sobre a lição 8). O Pr. Eliezer cita muitos episódios onde Cristo intervém pelas pessoas. Não os repetiremos aqui, visto que na lição 8 já abordamos este tema.

     A igreja primitiva era uma igreja de oração (At 1. 12-14) e de intercessão (At 12. 1-5), por isso, era consequentemente uma igreja de avivamento (At 4. 23-31) e poder (At 4. 33).

     O verbo grego εντευξις (enteuxis) traduzido por “interceder” expressa a inocente confiança e ousadia de coração ao acesso a Deus e mostra a oração como uma conversa amigável com Deus. Aparece em textos importantes como Rm 8. 27, 34; Hb 7. 25.

   3. Nos dias atuais. Aplicando as verdades tipológicas do Antigo Testamento, mostra-nos a Bíblia que a igreja é o sacerdócio dos tempos de hoje (1Pe 2. 9), e, como tal, deve oferecer sacrifícios agradáveis a Deus (1Pe 2. 5). Nós somos o sacerdócio do NT (Novo Testamento).

     O ministério da intercessão não ficou relegado apenas às páginas do Novo Testamento. Na história da igreja temos homens e mulheres que passavam grande parte do seu tempo em oração, como Whitefield, Jhonatas Edwards, John Wesley, Charles Finney, Spurgeon, Lutero, Catherine Marshall, entre outros.

PARE E PENSE: Você admira bastante os heróis da fé que tinham comunhão com Deus através da oração, mas será que além de admirar-lhes o exemplo você também os está imitando? Os heróis da fé antes de tudo eram guerreiros da oração que se tornaram heróis porque sua oração lhes trouxe vitórias, por isso, de guerreiros, tornarem-se heróis. E você? Você está lutando em oração para vencer as batalhas da vida ou vive as derrotas de um viver sem comunhão com Deus? Batalhe, combata, lute, mas vença pela oração!!!

II. CARACTERÍSTICAS DE UM INTERCESSOR

     Muitas são as características de um intercessor, no entanto nos deteremos nas características elencadas pelo autor Pr. Eliezer Lira, escritor da lição que estamos a comentar em nosso presente blog.

   1. Perseverança. Além dos exemplos da intercessão insistente de Abraão (Gn 18. 22-33) e da mulher siro-fenícia (Mt 15. 22-28), temos o exemplo de Cristo (Lc 22. 44) e da Igreja Primitiva (At 12. 5). Perseverar significa insistir (Mt 7. 7, 8) e dá noção de uma oração ou petição intensa ou em forma de clamor (Hb 5. 7).

  2. Altruísmo. A intercessão é uma obra impulsionada essencialmente pelo amor. Amor este que nos faz não só desejar o bem do próximo, mas também buscá-lo, querê-lo, procurá-lo e obtê-lo. Aquele que intercede assim o faz por não ser egoísta.

   3. Empatia. Interceder é sentir que a bênção do outro é nossa também; é se colocar no lugar do outro. Colocar-se na brecha é uma atitude do intercessor. É servir de canal de bênção para o outro irmão ou para a igreja como um todo.

PARE E PENSE: Você pede muitas vezes oração por si aos irmãos de sua igreja? Mas você ora por eles também? Não queira as bênçãos de Deus apenas para si. Jó orou por seus amigos e recebeu o que ele mesmo precisava: a cura (Jó 42. 10). Muitas vezes você pode não receber o que pede ou o que solicita a si mesmo, mas poderá receber se pedir pelos outros. Às vezes Deus nos ouve mais quando pedimos pelos outros do que quando pedimos por nós mesmos.

III. A FORÇA DA ORAÇÃO COLETIVA

    A oração coletiva tem mais força (Mt 18. 18-20). É como nos casos abaixo.

   1. Nínive. A pregação de Jonas surtiu o efeito desejado por Deus: o povo se arrependeu no pó e na cinza, vestindo-se de panos de saco. O rei proclamou o jejum coletivo, e até os animais tiveram que se vestir de saco e jejuarem. Isto fez Deus poupar o povo, ouvindo sua súplica (Jn 3. 5-10).

   2. Israel. A rainha Ester também intercedeu por Israel para livrá-lo da morte, semelhantemente a Moisés (Sl 106. 23). Ela conclamou Israel a jejuar para que pudesse entrar na presença do rei e tentar demovê-lo do decreto por ele assinado, o qual ameaçava a vida de seus compatriotas judeus. Sua intercessão diante do Rei dos reis deu-lhe forças para estar diante do rei Assuero e pedir-lhe que desse aos judeus permissão de se defenderem. Este pedido foi aceito, mas Ester também teve força de Deus para desmascarar o ímpio Hamã (Et 4. 15-17; 7. 10; 8. 1-7; 9. 10-13)

   3. Igreja Primitiva. A Igreja Primitiva era guerreira de oração. Como mostrado em At 12. 5 ela alcançava suas petições. Os crentes primitivos eram cheios do Espírito Santo e sabiam sua responsabilidade de sacerdotes espirituais. Eles intercediam por si e pelos perdidos, pelos pregadores, pelos pastores e pelas autoridades (1Tm 1. 1-8).

PARE E PENSE: Está preparado para assumir seu ministério de intercessor? Pegue as armas da fé e da Palavra de Deus e tome ainda hoje uma atitude! Deus não precisa de covardes na sua obra! Com um que ora Deus pode fazer muito mais do que com mil que não oram. Com um que intercede, Deus pode fazer muito mais do que com mil que apenas usam técnicas e conhecimentos humanos.

CONCLUSÃO

     Precisa-se de intercessores! Deus pode contar com você? Para ser um intercessor, você deve estar consciente da necessidade do povo que o cerca, seja a igreja ou o mundo de pecado, afastado de Deus. Não ore apenas por seus irmãos na fé, ore também pelos perdidos! Faça algo para demonstrar seu amor por aqueles por quem Cristo morreu (Mt 5. 46, 47).

PERGUNTAS PARA REFLEXÃO

1) De que forma você tem desempenhado seu ministério de intercessão nestes últimos dias?

2) O que você sente quando vê alguma pessoa desabrigada, doente ou entregue ao vício? Sai correndo ou apenas ora, ou faz mais ainda: prega para ela?

3) Em sua vida de intercessão, você pode recordar-se de algum pedido que você tenha feito em favor de outrem e que obteve resposta?

4) Seu ministério de intercessão é realmente eficaz? Ou você é daqueles que é vencido pelo cansaço e não persevera na oração?

5) O que você acha que é preciso para ser um herói da fé, sendo um guerreiro da oração? Sua igreja como um todo é também guerreira na oração?


                                           ORAÇÃO FINAL

    Senhor Jesus, eu quero me unir a Ti na intercessão por tua igreja e pelos pecadores. Agradeço porque o Senhor me chamou para estar no exército dos intercessores. Ensina-me a orar de acordo com Tua vontade pelo bem do meu próximo e não me deixe ser egoísta. Amém.


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Boa aula!

Pedro M. A. Júnior.

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