EBD: Lição 1 – Atos – A Ação do Espírito Santo através da Igreja (02/01/2011)

TEXTO ÁUREO: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e  ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e  Samaria, e até aos confins da terra” (At 1. 8).


VERDADE PRÁTICA: Apesar de  suas limitações locais, a Igreja de Cristo, sob o poder do Espírito Santo, universaliza-se em suas conquistas e faz-se irresistível como Reino de Deus.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE:
Atos 1.1-5

     Por questões de falta de tempo, postaremos nesse comentário da lição uma introdução ao livro de Atos dos Apóstolos, vinda de outra fonte, qual seja o Novo Comentário da Bíblia, editado por F. Davidson, Editora Vida Nova. Segue o texto a adiante.

     “O livro dos Atos é continuação do terceiro Evangelho, escrito pelo mesmo autor, Lucas, o médico amado e companheiro do apóstolo Paulo (cfr. Cl 4.14). A evidência externa de vários escritores, do segundo século em diante, é unânime e suficiente sobre este  ponto,  e  a  evidência  interna  do  estilo,  perspectiva  e  assunto  dos  dois  livros  é igualmente satisfatória. 
 
       Atos, como o terceiro Evangelho, é dedicado a um certo Teófilo (cfr. Lc 1.3 com At 1.1). O terceiro Evangelho é o "primeiro tratado", como se lê na sentença inicial de Atos. Teófilo parece ter sido pessoa de certa distinção, à vista do tratamento que Lucas lhe  dá-"excelentíssimo"  -atribuído  alhures  aos  governadores  romanos  da  Judéia  (At 23.26; 24.3; 26.25). Ele já havia recebido alguma informação a respeito da fé cristã,  e  foi  para  lhe  fornecer  uma  explicação  mais  precisa  de  sua  fidedignidade  que Lucas,  em  primeiro  lugar,  escreveu  a  história  dos  primórdios  do  Cristianismo, começando do nascimento de João Batista e de Jesus (cerca de 8-6 A. C.) até o fim dos dois anos de prisão de Paulo em Roma (cerca de 61 A. D.). 
 
       Assim, Lucas e Atos não são realmente dois livros, porém duas partes de uma obra só. O breve preâmbulo do Evangelho (#Lc 1.1-4) intencionalmente se aplica a ambas. Alguns eruditos têm sugerido que Lucas projetou escrever um terceiro volume, mas os argumentos que alinham em abono dessa idéia não são conclusivos. 
 
I. DATA 
 
       A data dessa obra dupla é matéria discutida; alguns a colocam em 90 A. D., mas o
peso  da  evidência  parece-nos  favorecer  uma  data  anterior,  provavelmente  não  muito depois do último fato narrado em Atos. O livro de Atos termina com uma nota de triunfo, como já tantas vezes se tem feito notar: Paulo proclamando o Evangelho em Roma, no coração do Império, sem impedimento algum. Contudo, mesmo assim, não é fácil crer que Lucas nada mais dissesse quanto ao que aconteceu a Paulo mais tarde, se de fato escreveu após a morte do apóstolo. Parece também provável que ele escreveu antes de dois importantes acontecimentos-o Grande Incêndio de Roma, em 64 A. D., seguido da perseguição aos cristãos por Nero, e a guerra judaica, em 66-70 A. D., que culminou na destruição de Jerusalém e do templo, com o que se extinguiram o sacerdócio e o culto judaicos. É difícil pensar que a atmosfera de Atos fosse exatamente aquela que Se retrata neste livro, se ao tempo de sua redação esses eventos históricos já houvessem ocorrido, ao invés de ainda estarem no futuro. 
 
       Logo no início do segundo século, os quatro Evangelhos que, até então, haviam circulado separadamente, começaram a aparecer juntos numa só coleção. Isto fez que se separassem as duas partes da história de Lucas. A segunda parte logo começou a circular independentemente, sob o título de "os Atos dos Apóstolos". Existe alguma evidência textual de que a separação das duas partes motivou ligeira adaptação no fim de Lucas e no começo de Atos. Possivelmente por essa época, a primeira parte (Lucas) foi rematada
com  o  acréscimo  das  palavras  "sendo  elevado  para  o  céu"  (Lc  24.51),  o  que naturalmente causou a adição das palavras "foi elevado às alturas", em At 1.2. Se isto é fato, algumas discrepâncias que têm sido notadas entre as duas narrativas da ascensão, como  vêm  em  Lucas  e  em  Atos,  desaparecem,  porque  neste  caso  não  teria  havido nenhum registro desse fato no primeiro deles (Lucas). 
 
II. LUCAS, MÉDICO 
 
       Lucas mesmo não acompanhou pessoalmente a Jesus nos dias de Sua vida terrena. Segundo uma tradição primitiva, fortemente apoiada de vários modos, ele era natural de Antioquia da Síria, e neste caso podemos concluir que suas primeiras relações com o Cristianismo  dataram  do  início  do  testemunho  cristão  naquela  cidade,  quando  o Evangelho pela primeira vez foi pregado em larga escala aos gentios, estabelecendo-se ali a primeira igreja gentílica. Porquanto parece que Lucas era gentio. Em Cl 4.10 e seg. Paulo envia saudações de três amigos-Aristarco, Marcos e Jesus, conhecido por Justo -dizendo serem estes seus  únicos cooperadores judeus. E como continua  no  vers. 14 a enviar  saudações  de  mais  três - Epafras,  Lucas  e  Demas - concluímos  que  estes  eram cristãos gentios. 
 
       Há vários traços nesta história de Lucas que denunciam nele mentalidade de grego. Sir William Ramsay sugeriu que ele foi irmão de Tito e, se tal sugestão pode ou não ter seu  fundamento  em  2Co  8.17-19  (Orígenes  entendia  que  o  irmão  aí  referido,  "cujo louvor no Evangelho está espalhado por todas as igrejas", era Lucas), pelo menos é uma possibilidade.  Lembramo-nos  que  Tito  também era  grego,  de  Antioquia  (Gl 2.1-3) e que,  embora  se  evidencie  das  epístolas  que  ele  desempenhou  papel  muito  importante entre os companheiros de Paulo, nunca entretanto é mencionado em Atos. 
 
III. FONTES DE INFORMAÇÃO 
 
       Quais,  então,  foram  as  fontes  de  informação  a  que  Lucas  recorreu,  ao  traçar acuradamente o curso de todos os acontecimentos, desde o princípio? Naturalmente ele presenciou alguns  fatos  narrados em  Atos. Isto ele  indica, sutil  mas inequivocamente, quando passa de repente da terceira pessoa para a primeira do plural, em #At 16.10; 20.5; 27.1,  três  versículos  que  assinalam  o  começo  do  que  chamamos  seções  do "pronome nós". E como a maior parte da segunda metade de Atos, fora mesmo as ditas seções,  é  dedicada  à  atividade  de  Paulo,  o  médico  amado  do  apóstolo  teve  muitas oportunidades  de  colher  informações  de  primeira  mão  acerca  dos  supra-referidos acontecimentos. 
 
       Teve possivelmente muitos outros informantes sobre os primeiros dias de vida da Igreja,  antes  da  conversão  de  Paulo,  tanto  quanto  acerca  de  fatos  narrados  no  seu Evangelho. Sendo natural de Antioquia, devia ter entrado em contato com muitos que lhe
puderam contar a respeito desses primórdios, como Barnabé e possivelmente Pedro (cfr. Gl 2.11); e teve oportunidades especiais de ampliar seus conhecimentos durante os dois anos que Paulo esteve detento em Cesaréia (At 24.27). Aí vivia Filipe, o evangelista, com suas quatro filhas profetisas, mencionadas, por escritores que vieram depois, como informantes acerca de pessoas e fatos da novel Igreja. Em Jerusalém, Lucas hospedou-se em casa de Mnasom, um dos primeiros discípulos (At 21.16), avistou-se com Tiago, irmão do Senhor, e alguns supõem que ele entrou em contato até com Maria, mãe de Jesus, dela ouvindo a história da natividade, por ele narrada no início do seu Evangelho. 
 
IV. COMPOSIÇÃO 
 
       Provavelmente empregou boa parte dos dois anos passados em Cesaréia pondo em ordem  o  material  assim  coligido.  E  quando  acompanhou  Paulo  a  Roma,  pode  ter encontrado lá outros informantes. Uma vez pelo menos, durante a prisão do apóstolo em
Roma,  Marcos  e  Lucas  lhe  fizeram  companhia.  Alguns  têm  sustentado,  à  vista  de evidência  interna,  que  Lucas  ampliou  o  que  já  houvera  coligido  com  informações prestadas por Marcos, cujo Evangelho, baseado na pregação de Pedro, alguns escritores antigos dizem ter aparecido em Roma. Este parecer, visto afetar o terceiro Evangelho, é conhecido  por  hipótese  Proto-Lucas,  mas  pode  bem  ser  que  Lucas  deveu  a  Marcos também algumas informações contidas nos primeiros capítulos de Atos. 
 
V. CARÁTER HISTÓRICO 
 
       As fontes de informação a que Lucas recorreu eram de valor insuperável e ele bem soube  usá-las.  A  obra  que  daí  resultou  é  uma  maravilha  de  exatidão  histórica. Diferentemente de outros historiadores do Novo Testamento, ele ajusta suas narrativas ao quadro  dos  acontecimentos  contemporâneos  do  Império.  É  o  único  escritor neotestamentário que menciona tantas vezes nome de imperador romano. Suas páginas estão refertas de referências a governadores de província e reis clientes. O historiador que procede assim deve fazê-lo cuidadosamente, se não quiser correr o risco de ser inexato. Lucas suporta galhardamente o exame mais acurado. O que mais tem impressionado os críticos  é  o  conhecimento  perfeito  por  ele  revelado  de  uma  multiplicidade  de  títulos usados  por  funcionários  do  império,  em  cidades  e  províncias,  empregando-os  sempre com acerto. Quase de espantar é o modo ágil como, em poucas pinceladas, ele expressa o colorido local exato das mais diferentes localidades mencionadas em sua narrativa. 
 
       A  defesa  mais  pormenorizada  e  completa  da  exatidão  histórica  dos  escritos  de Lucas foi feita, como bem se sabe, por Sir William Ramsay, que dedicou muitos anos a pesquisas arqueológicas intensas na Ásia Menor. Quando, no fim do século passado, ele para  lá  se  dirigiu  pela  primeira  vez,  tinha  como  verídica  a  teoria  de  Tübingen  então corrente, de que os Atos eram produção tardia e lendária dos meados do segundo século. Não  foram  interesses  apologéticos,  mas  a  evidência  oferecida  pela  arqueologia  que  o compeliu a reconhecer que os escritos de Lucas refletem as condições, não do segundo século,  mas  do  primeiro,  que  eram  muito  diferentes,  e  as  refletem  com  inexcedível exatidão.  Ramsay  resume  as  qualidades  de  Lucas  como  historiador  nas  seguintes palavras: 
 
       "A história de Lucas não pode ser igualada quanto à sua fidedignidade... Lucas é um historiador de primeira ordem: não apenas suas declarações de fato são dignas de confiança: ele possui o verdadeiro senso histórico; fixa sua mente na idéia e no plano dominantes  na  evolução  da  história;  e  acerta  sua  maneira  de  tratar  os  incidentes, regulando-a  com  a  importância  de  cada  um  deles.  Toma  os  eventos  importantes  e críticos,  e  mostra  minuciosamente  sua  verdadeira  natureza,  enquanto  por  outro  lado refere ao de leve ou omite de todo muita coisa que não tem importância ao fim que tem em  vista.  Em  suma,  este  autor  deve  figurar  entre  os  maiores  historiadores"...  (The Bearing of Recent Discovery on the Trustworthiness of the New Testament (1915), págs. 81, 222). 
 
       A tese de Ramsay é freqüentemente havida como exagerada, porém estudantes de Atos que ignoram as contribuições dele, únicas no gênero, ao estudo desse livro, privam-se a si e a seus alunos de um cabedal de saber. "Todo leitor do livro St. Paul the Traveller conhece  com  que  riqueza  de  minúcias  Ramsay  expõe  o  valor  histórico  de  inúmeras passagens de Atos" (W. F. Howard, The Romance of New Testament Scholarship (1949), pág. 151). 
 
       Um  ilustre contemporâneo de Ramsay, que também  fez  muito, de  um ponto de vista bem diferente, para firmar o valor histórico dos escritos de Lucas, foi Adolf von Harnack, de Berlim.  (Vejam-se os seus  livros  Luke the Physician (1907),  Acts of  the Apostles (1909), Date of the Acts (1911). 

[…]
 
IX. ÊNFASE TEOLÓGICA 
 
      Do ponto de vista teológico, o tema dominante de Atos é a obra do Espírito Santo. Logo no início, o Senhor ressuscitado promete enviá-lO, promessa que para os judeus se cumpre  no capítulo 2, e  para os  gentios  no capítulo 10. Os apóstolos proclamam  sua mensagem no poder do Espírito, manifesto por sinais externos sobrenaturais; a aceitação dessa  mensagem  pelos  convertidos  é  de  igual  modo  acompanhada  de  manifestações visíveis  do  poder  do  mesmo  Espírito.  Isto  provavelmente  explica  o  que  alguns  têm achado ser uma dificuldade nos Atos- que o Espírito é recebido por alguns crentes após o arrependimento  e  o  batismo  (como  foi  o  caso  dos  judeus  que  creram,  no  dia  de Pentecostes,  At  2.38);  por  alguns  depois  do  batismo  e  a  imposição  das  mãos  de apóstolos (como no caso dos samaritanos, At 8.15 e segs. e os discípulos de Éfeso, At 19.6), e por outros imediatamente ao ato de crer, antes do batismo (como foi o caso dos familiares de Cornélio, At 10.44). O de que Lucas está cogitando, em cada caso, não é tanto a operação invisível do Espírito na alma, como é Sua manifestação exterior no falar línguas e profetizar. 
 
       Com efeito, o livro inteiro bem podia chamar-se, como o Dr. Pierson o fez no título de sua exposição, "Os Atos do Espírito Santo". O Espírito de Deus dirige toda a obra; guia os mensageiros, tais como Filipe no cap. 8, e Pedro no cap. 10; dirige a igreja de Antioquia na separação de Barnabé e Saulo para a obra a que os chamara (At 13.2); encaminha-os de lugar a lugar, impedindo-os de pregar na Ásia ou de entrar na Bitínia, porém dando-lhes indicações precisas da necessidade de atravessarem o mar na direção da  Europa  (At  16.6-10);  é  mencionado  com  preeminência  na  carta  do  Concílio  dos Apóstolos às igrejas da Síria e Cilícia: "Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós" (At 15.28). Fala mediante profetas, predizendo por exemplo a fome dos dias de Cláudio, e a prisão de Paulo em Jerusalém (At 11.28; 21.11), assim como falou pelos profetas nos dias do Velho Testamento (At 1.16; 28.25). É Ele quem primeiro designa os anciãos de uma igreja, para supervisioná-la (At 20.28). Pode-se mentir a Ele (At 5.3), pode-se tentá-lO (At 5.9) e a Ele resistir (At 7.51). É Ele a primeira Testemunha da verdade do Evangelho (At 5.32). 

 
X. O ELEMENTO MIRACULOSO DO LIVRO 
 
       Tem-se  argüido  contra  Lucas  o  mostrar-se  tão  apaixonado  de  milagres.  Esta objeção  tem  pouco  valor  para  os  que  aceitam  a  origem  sobrenatural  do  Cristianismo. Lucas  não  relata  milagres  pelo  simples  gosto  do  miraculoso;  para  ele,  como  para  os outros evangelistas, os milagres são importantes por serem sinais tanto quanto prodígios-sinais,  isto  é,  da  inauguração  da  Nova  Era,  sinais  do  Ministério  messiânico  de  Jesus. Porque assim como Jesus nos Evangelhos realiza estes sinais e obras poderosas em Sua própria Pessoa, assim é Ele quem, nos Atos, realiza-os do céu por Seu Espírito em Seus representantes, agindo estes em Seu Nome e por Sua autoridade. 
 
       Vale notar, outrossim, que o elemento miraculoso não surge a esmo pelo livro: é mais acentuado no princípio do que no fim, e é isto mesmo que devemos esperar. "Temos assim uma redução firme da ênfase sobre o aspecto miraculoso da obra do Espírito, que corresponde à sua elucidação e progresso nas epístolas paulinas; parece razoável supor que Lucas reproduz aqui suas fontes de informação com fidelidade" (Cfr. W. L. Knox, The Acts of the Apostles (1948), pág. 91). 

   Quando consideramos quão escasso é o conhecimento que temos do progresso do Cristianismo em outras direções, durante  os anos 30-60  A.D., e em todas as direções durante as décadas que se seguiram àqueles trinta anos, podemos avaliar quanto devemos aos Atos o conhecimento relativamente minucioso que temos de sua expansão ao longo da estrada de Jerusalém a Roma durante o período da mesma”. 


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Boa aula!

Pedro M. A. Júnior.

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