EBD: Lição 8 – A Oração Sacerdotal de Jesus Cristo

TEXTO ÁUREO: “E aconteceu que naqueles dias subiu ao monte a orar, e passou a noite em  oração a Deus” (Lc 6. 12).

VERDADE PRÁTICA: A vida de oração de Jesus é um exemplo para todo crente que deseja cultivar um relacionamento íntimo com o Pai e agradá-Lo em tudo.

     O Cristianismo autêntico prioriza a Bíblia como sua regra de fé e prática (2Tm 3. 16), levando em consideração não só os ensinamentos de Cristo, mas também seu exemplo, o qual devemos seguir (1Pe 2. 21).

     Todos os que servem a Deus de coração naturalmente reproduzirão em seu caráter as marcas de Cristo (Ef 5. 2; 1Jo 2. 6). É para isso que o Evangelho é pregado, para formar pessoas parecidas com Cristo (Gl 4. 19; Cl 1. 28). Todo o crente que é nova criatura tem algo do próprio Cristo nele.

     Já dizia há muito, um homem de Deus chamado John Trapp: “Nossa vida deve ser como muitos sermões sobre a vida de Cristo”. A vida exemplar de Cristo não somente nos inspira e alegra, mas também nos instiga e desafia (Lc 9. 23).

     Não temos como resumir a vida de Cristo apenas em suas virtudes, ensinos, milagres e em sua obra redentora. A vida de nosso Salvador é muito mais do que isso. E uma boa parte de sua vida exemplar aqui na terra, Cristo passou orando, falando com o Pai (Hb 5. 7).

     Cristo veio a esta terra não só para morrer por nós, mas também para nos mostrar como devemos viver para Deus aqui. Antes de morrer, sua vida foi um exemplo, e depois de sua morte, sua ressurreição nos serve de poder para morrermos pra nós mesmos e vivermos só para Ele (Rm 14.8; 2Co 5. 15, 17; Gl 2. 20; 1Jo 4. 9).

    Temos a missão de cada dia tomarmos a cruz da responsabilidade de imitar a Cristo, seguindo-O, obedecendo-O. Devemos imitar a Cristo em tudo (1Jo 3. 16). E uma destas características é na vida de oração. Não repetiremos nada do que escrevemos na lição 5, mas será proveitoso para o leitor consultá-la.

     Aprenderemos aqui a entender a importância da oração na vida de Cristo e seremos exortados pela Palavra de Deus a imitá-Lo neste particular. Para isto tiraremos lições importantes da Oração Sacerdotal de Cristo, registrada em Jo 17.

I. ORAÇÃO POR UMA VIDA DE COMUNHÃO COM O PAI

     O objetivo de Deus para com o homem caído é restituí-lo à posição de comunhão com Ele. Isto explica a vinda de Cristo, que morreu por nós a fim de trazer-nos de volta ao Pai. A obra da reconciliação é anunciada e aplicada para todos aqueles que aceitam as incumbências e implicações da mensagem do Evangelho. Pela fé o homem pecador recebe o perdão de seus atos maus e volta a ter a mesma comunhão que o primeiro homem (Adão) tinha com Deus antes de ter também pecado.

     Este processo tem vários nomes, dentre eles: reconciliação, regeneração, novo nascimento, conversão, salvação, libertação, arrependimento, purificação, redenção, perdão. Todas estas palavras aplicadas ao estado do homem pecador que se volta para Deus, evocam um significado onde o restabelecimento da comunhão outrora perdida é enfatizado.

     Nos capítulos que antecedem a Oração Sacerdotal (que são os caps. 15 e 16), Jesus fala acerca da importância de estar “ligado” a Ele, como o galho está ligado à árvore (no caso, à figueira). Isto é uma ilustração da comunhão: da mesma forma em que o galho faz parte da árvore e participa da sua seiva pra poder alimentar-se e viver, assim deve o crente estar ligado a Cristo, para ter contato com o Pai e receber a vida eterna (Jo 14. 6; 15. 4-8; 1Tm 2. 5). No capítulo 16 do Evangelho de João, os discípulos são alertados por Cristo sobre as perseguições que se levantarão quando Ele subir aos céus após ressuscitar, mas que não se preocupassem, pois nada abalaria sua comunhão com Deus, visto que, ao ascender aos céus, Jesus enviaria o Espírito Santo para os consolar e fortalecer na comunhão com Deus.

     A Oração Sacerdotal, portanto, nada mais é do que uma intercessão dirigida por Cristo a Deus Pai, pedindo por todos aqueles que Ele quer fazer voltar à Sua comunhão.

     Cristo orou para que esta comunhão fosse restabelecida efetivamente. E esta comunhão, de acordo com o conteúdo desta intercessão consiste em três características importantes que devem existir na vida de todo aquele que quer ter comunhão com Deus:

    1. Relacionamento com Deus (17. 2, 3). A primeira característica da comunhão com Deus, pela qual Jesus orou, é que ela fundamenta-se em um relacionamento com Deus. A palavra “conhecer”, na literatura bíblica implica em ter intimidade, amizade (Êx 33. 13; 1Cr 28. 9; Os 3. 3, 6). Não trata-se de conhecimento teórico ou intelectual, mas em um relacionamento, quando usada para falar de comunhão entre o homem e Deus (Tg 2. 23). Por isso às vezes esta palavra, quando usada pra descrever o relacionamento entre um homem e mulher é utilizada como eufemismo para descrever relações sexuais (Gn 4. 1, 17, 25).

     Neste versículo em particular, a palavra traduzida pelo verbo “conhecer” é no grego gnosko, e refere-se a um conhecimento fundamentado na experiência pessoal, um conhecimento prático e completo sobre algo ou alguém.

      Paulo fala da importância do relacionamento com Deus, chamando isso e “conhecer (a Deus ou a Cristo)”. Veja Fp 3.8; Cl 2. 2; Tt 1. 16. E também Hb 8. 11; 2Pe 3. 18; 1Jo 4. 7.

    2. Meditação e prática da Palavra de Deus (Jo 17. 6). Aqui  verbo “guardar”, no grego é, thereo, e tem o sentido de “conservar”, “reservar”, “valorizar”, “dar atenção a”, “observar” (no sentido de obedecer).Veja algumas referências onde tal palavra aparece no original grego: Mt 19. 17; Jo 14. 15; 15. 10; 17. 6; Tg 2. 10; 1Jo 2. 3-5; 3. 22, 24;  5. 3; Ap 1. 3; 2. 26; 3. 8, 10; 12. 17; 14. 12; 22. 7, 9. Eis um bom hábito que todos os crentes poderiam desenvolver: Meditar e praticar a Palavra de Deus (Sl 1. 2; 119. 11, 15, 48, 97-99, 105; 1Tm 4.13).

    3. Uma vida que glorifique a Deus (17. 4). Glorificar a Deus significa dar-lhe a honra merecida (Mt 5. 16; Jo 14. 13; 1Pe 2. 12; 4. 11). Ter uma vida submissa a Deus demonstra a que a Ele pertencemos e é fonte de bom testemunho aos não-convertidos (Cl 4. 5). Como Charles Caldwell Ryrie  disse: “O que é a glória de Deus? É a manifestação de qualquer dos seus atributos. Em outras palavras, é a manifestação de Deus ao mundo. Assim, as coisas que glorificam a Deus são coisas que mostram as características de seu ser para o mundo.”.

PARE E PENSE: Todo cristão deve se conformar não a este mundo, mas a Cristo. Cristo é a glória de Deus (Fp 1. 11; Cl 1. 27; Hb 1. 1-4). O crente que possui vida espiritual tem Cristo vivendo nele e por isso, sempre buscará a glória de Deus (Gl 2. 20).

II. ORAÇÃO POR PERSEVERANÇA, ALEGRIA E LIVRAMENTO

     Jesus sabia que depois de sua Ascenção aos céus, sua igreja passaria por lutas, dificuldades e perseguições no decorrer dos tempos, e por isso orou, pedindo ao Pai que sua igreja fosse forte (perseverante), não se deixasse esmorecer pelas investidas satânicas (alegria) e vencesse sempre as dificuldades e tribulações que o mundo lhe trouxesse (livramento). Vejamos uma por uma:

    1. Perseverança (Jo 17. 11, 12). A salvação é condicional à fé (Mc 16. 16; At 16. 31). E esta fé deve ser perseverante (Mt 24. 13). O fato de Deus guardar os salvos não exclui seu livre-arbítrio e esforço em perseverar (1Pe 1. 5; compare com Lc 16. 16; Fp 2. 12). A responsabilidade do Cristão é permitir que Deus complete e aperfeiçoe a obra de salvação em sua vida diária (Ef 2. 4-10; Fp 1. 6; 2Ts 2. 13, 14; Tt 3. 4-6; Hb 13. 20, 21). Nesta oração Jesus pede ao Pai que guarde os fiéis, e recorda-se que apenas o “filho da perdição” não perseveraria e não seria salvo. A fidelidade a Deus é marca de salvação (1Tm 4. 10; compare com At 1. 25).

     O verbo “perseverar” no grego é ὑπομένω (hupomeno), e significa, “suportar pacientemente, persistir, ficar insistentemente”. Tem o sentido de constância, fortaleza, estabilidade na fé. De acordo com W. C. Taylor, perseverança “não é pálida virtude negativa, mas a estabilidade positiva de um fiel que tanto suporta como carrega o seu peso de responsabilidade”. Thayer diz que a perseverança “é a marca característica de um homem que é inabalável no seu propósito deliberado e sua lealdade a fé e piedade, não sendo desviado pelas maiores provações ou sofrimentos”.

    2. Alegria (Jo 17. 13). A alegria espiritual é algo diferente da  alegria humana, carnal. Esta alegria subsiste em meio às dificuldades da vida (Mt 5. 10-12; At 5. 41; Rm 5. 3-5; 1Pe 4. 13-16). A alegria do crente é um sentimento que está diretamente ligado à paz que Deus dá aos justificados (Jo 14. 27; Rm 5. 1, 3). A alegria se une à fé, fazendo-nos crer que tudo o que nos acontece de ruim será pra um bom propósito (Rm 8. 28; Hb 12. 11; Tg 1. 3, 4, 9). Jó é um dos maiores exemplos de como sua fé dava-lhe perseverança, refletindo-se na alegria em meio de tantas dificuldades (Jó 23. 10; 2Co 4. 17; Tg 5. 11). É como disse John Flavel: “Jó era mais feliz na desgraça do que Adão no Paraíso”. Nossa alegria não depende das circunstâncias (Rm 12. 12; Fp 4. 4; 1Ts 5. 16-18; 1Pe 4. 13).

    3. Livramento (Jo 17. 15). Cristo ora para que a igreja seja livre de todas as ciladas do inimigo. O verbo traduzido por “livrar”, é o mesmo que aparece traduzido em Jo 17. 6 como “guardar”, no grego thereo (como na explanação desta palavra, dada acima, a momentos atrás).  Aqui esta palavra significa “proteger, assegurar, não permitir cair”. Veja Sl 121. 7; 2Ts 3. 3.

PARE E PENSE: A alegria que você sente em servir a Deus tem te dado perseverança em ser fiel ao Senhor em meio às tentações? Uma coisa é Deus te livrar do mal; outra coisa é você tentar a Deus lançando-se e caindo em todas as tentações que aparecem na sua frente. Seja fiel a Deus e Ele te livrará do mal!

III. ORAÇÃO POR SANTIDADE, UNIDADE E FRUTOS ESPIRITUAIS

     Para que a igreja fosse sempre vitoriosa nesta terra Cristo intercedeu pedindo que os salvos fossem um povo diferente, livre de mácula (santidade), estivesse sempre forte e ativo (unidade) e servisse para glorificar a Deus (frutos espirituais). Vamos nos deter em cada uma destas características:

    1. Santidade (Jo 17. 17, 19). Como disse J. Blanchard: “Não nos tornamos santos de repente, pelo fato de fazer de Cristo nosso Senhor; devemos ser santos a cada momento, porque ele é Senhor”. A santificação é tanto um estado (1Co 1. 2) como um processo (2Co 7. 1). Aqui na terra estamos no processo de santificação para alcançarmos o estado de santidade perfeita no céu de glória. Apesar disso, somos considerados e chamados santos porque somos separados, ou seja, diferenciados, pelo fato de, como salvos em Cristo, não pertencermos mais a este mundo (Jo 15. 19; 17. 6). A santificação é parte do propósito de Deus para com cada crente (1Ts 4. 3) e envolve todo o nosso ser (1Ts 5. 23). Ser santo é ser parecido com Deus (Lv 20. 7; 1Pe 1. 16).

    2. Unidade (Jo 17. 21, 22). Nós como povo de Deus, temos a honra (glória) de sermos chamados pelo nome de Cristo. Sim, somos cristãos. No entanto, unidade não quer dizer ecumenismo. A própria Bíblia faz essa diferença (2Jo 10). A igreja é o corpo de Cristo na terra (Rm 12. 4, 5; 1Co 12. 12-20) e como tal deve andar unida (At 4. 32; 1Co 1. 10; 2Co 13. 11). Cristo disse que era um com o Pai (Jo 10. 30). Isso significa unidade de caráter, objetivo, mas também de divindade (Jo 5. 23). No caso dos cristãos a unidade deve ser de sentimentos (Fp 4. 2; 1Pe 3. 8), valores (Gl 3. 28), objetivos (Ef 4. 3; Fp 1. 27; Cl 2. 2) e fé (Ef 4. 13).

    3. Frutificação espiritual (Jo 17. 18). Fomos escolhidos por Cristo para rendermos frutos permanentemente (Jo 15. 16). Estes “frutos” são as nossas obras, o nosso testemunho (Mt 3. 8; Fp 1. 11; Hb 13. 15) que mostra de forma exterior e visível a transformação invisível e interior operada em nossas vidas pelo Santo Espírito de Deus (Jo 3. 3, 6; 2Co 5. 17; Cl 1. 10).

PARE E PENSE: O Senhor Jesus afirmou no Cap. 15 do Evangelho escrito por João que quem estiver ligado nEle, esse dá muito fruto (Jo 15. 1, 2). Está aí um bom teste para verificarmos a nossa fé: se produzimos ou não para o Reino de Deus. Se produzimos algo, seremos podados para podermos mais produzir. Se não produzimos e somos estéreis, seremos cortados (Mt 21. 19). Em que situação você está? Veja Mt 7. 16-20 e responda isso pra você mesmo.

CONCLUSÃO

     Sinceramente desejamos que Deus tenha falado a você enquanto lia estas palavras da mesma forma que falou a mim, enquanto as escrevia. Deus quer ver você santo, frutificando, vivendo um relacionamento íntimo com Ele. Para isso Jesus intercedeu (Is 53. 12) e intercede por você (Rm 8. 34; Hb 7. 25). Agora é sua vez de interceder por seus irmãos também. Imite o Mestre!

PERGUNTAS PARA REFLEXÃO

1) De que maneira você tem vivido a sua vida de tal forma que glorifique a Deus? Através de seu testemunho Deus tem sido desonrado ou glorificado?

2) Como você tem feito para fortalecer e aprofundar o seu relacionamento com Deus? Você ora e medita na Palavra de forma prática de frequente? Você tem buscado realmente conhecer a Deus?

3) Jesus orou para que nós sentíssemos a alegria dos céus, tivéssemos perseverança e fôssemos livres de todo o mal. Qual relação existe entre a oração sacerdotal de Cristo e seu estado espiritual hoje? Você se acha em dificuldades, porém persevera alegremente, sabendo que o livramento do céu virá?

4) De que maneira eu e você podemos amar nosso irmão de outra fé religiosa sem nos deixarmos influenciar pela doutrina herética que ignorantemente ele segue, prega e crê? Isto contraria ou não a unidade entre os cristãos? Neste caso até que ponto podemos seguir Hb 12. 14?

5) De qual forma prática você tem vivido uma vida de santificação e dado frutos para Deus?


                                               ORAÇÃO

    Oh, Senhor Jesus. Como é bom orar contigo! Te sentir do meu lado e saber que intercedes por mim! Me sinto confiante e seguro. Posso te servir, mas pra isso te peço mais santidade. Que a tua presença e o teu Espírito possa me acompanhar onde eu for e onde eu estiver, que as pessoas também te sintam perto delas. Desejo levar tua glória e teu nome a todos os que necessitam e te apresentar os frutos. Obrigado por tudo. Amém.



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Boa aula!

Pedro M. A. Júnior.

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