EBD: Lição 5 – Orando como Jesus Ensinou

 TEXTO ÁUREO: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito  está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26. 41).


VERDADE PRÁTICA: Ao orar o Pai Nosso, o Senhor Jesus ensina-nos a essência da oração.

                  Chegamos agora no ápice de nossos estudos sobre a oração. Podemos dizer que Jesus é o pai da oração, pois foi Ele quem reformulou a prática da oração, livrando-a da ostentação e do cerimonialismo tosco e frio do farisaísmo e das superstições do paganismo. Jesus revolucionou a oração, como em tudo aquilo em que Ele influi.

     Até mesmo o texto usado como Texto Áureo da nossa lição é algo revolucionário ensinado por Jesus: Neste texto  (ou seja, Mt 26. 41), Jesus reconhece que nosso espírito religioso é sempre inclinado àquilo que é de Deus, no entanto, nossa natureza pecaminosa (chamada por Jesus de “carne”) tem o poder de contaminar nosso espírito, ao cair nas tentações, pois ela é muito mais propensa ao pecado do que nosso espírito o é em resistir a ele (Rm 7. 18-23; Gl 5. 16, 17, 24). Por isso Jesus destaca a vida de oração unida à vigilância. Oração – para fortalecer e preparar mais o espírito, e vigilância – para não ser enganado pelas fraquezas da carne e não cair nas tentações. A oração fortalece a vigilância, e a vigilância consolida e garante a resposta à oração (Lc 21. 36; 1Co 16. 13; 1Pe 4. 7).

     Aí está a revolução que Jesus fez. Os fariseus, que gostavam de orar para serem vistos pelos homens, faziam suas orações para pecarem ainda mais, ao alimentarem seu egoísmo e vaidade, quando eram elogiados pelas pessoas como grandes religiosos (Sl 66. 18). A oração naquela época nada mais era do que uma cerimônia sem vida e uma encenação teatral. Jesus exortou a fazermos diferente do que os escribas e fariseus faziam.

     Esperamos que este estudo possa lhe fazer dizer como no hino: “…com Jesus a minha alma deseja estar, no jardim em constante oração…”

     Vamos aprender, então, a orar como Jesus ensinou.

I. A ORAÇÃO DEVE SER INERENTE AO CRENTE

     É natural que o filho se dirija ao pai para conversar, pedir, agradecer, e o pai prontamente atenda (Lc 11. 11). A liberdade de comunicação entre pai e filho é comum, natural, pessoal e íntima. A Bíblia mostra-nos a mesma intimidade entre Jesus e Deus Pai (Lc 3. 21, 22; 10. 21; Jo 11. 41; 12. 27, 28). Não deve ser diferente entre os salvos e seu Deus (Sl 25. 14;Sl 42. 1; 63. 1; Pv 3. 32; 8. 13, 17).

   1. Aprendendo a orar com o mestre. Creio eu que todos os nossos problemas seriam resolvidos se pedíssemos auxilio ao nosso mestre! Foi isso o que os discípulos fizeram (Lc 11. 1). Eles não percebiam que, ao pedirem a Cristo que lhes ensinassem a orar, já estavam orando (Fp 4. 6; 1Pe 5. 7)! Precisavam apenas de uma melhor definição na oração, o que e como falar enquanto oravam.

   2. Os discípulos já conheciam a respeito da oração. É evidente que a oração que os discípulos conheciam era baseada no judaísmo, o qual eles professavam. Este judaísmo institucionalizou a oração, prendendo-a e subordinando-a aos rituais judeus, privando-a da intimidade que Cristo veio mostrar e ensinar. Os discípulos oravam  sim; sabiam o que era oração, mas sua conversa com Deus era tão formal que estava longe de se parecer com um diálogo entre o filho com seu Pai, mesmo porque na tradição do judaísmo era inadmissível chamar Deus de “meu Pai”, ou “Pai nosso”. Chamar Deus de “Pai” é um privilégio daqueles que estão sob a Nova Aliança (Rm 8. 15, 23; Gl 4. 5, 6; Ef 1. 5; 2. 13).

   3. A oração era algo habitual para Jesus e seus discípulos. O fato de os discípulos pedirem para Cristo lhes ensinar a orar não quer dizer que não sabiam orar. Eles viam Jesus orar além do estabelecido pelo judaísmo (no mínimo, 3 vezes por dia – ) e queriam saber o que Jesus tinha tanto a falar ao Pai. A Bíblia, em Jo 17 (que mais tarde estudaremos) e principalmente no Evangelho escrito por Lucas, é-nos mostrada um pouco da vida de oração de Cristo (Mc 1. 35; 6. 46; Lc 5. 15, 16; 6. 12; 9. 18; 22. 41, 42).

PARE E PENSE: Você também tem o costume de orar? Mas de que maneira é sua vida de oração? O que você sente quando ora é o mesmo que você sente quando não está orando? Se sua resposta é “sim”, então você precisa muito aprender a orar como Jesus.

II. A ORAÇÃO-MODELO

     Nada na literatura bíblica, secular ou teológica é capaz de superar este modelo de oração. Sua profundidade está equilibrada com sua simplicidade expressando a glória de Deus. Aqui aprendemos a nos aconchegarmos no colo do Pai Eterno.

   1. “Pai nosso que estás nos céus” (v. 9). Somos todos irmãos; temos o mesmo Pai, nós que nascemos de novo pelo Espírito (Jo 3. 3-6) e temos o testemunho de que somos novas criaturas (2Co 5. 17) e filhos de Deus (Rm 8. 15, 16). Devemos nos lembrar que Deus está acima de nós e merece reverência. E por estar acima de nós, devemos dar a Ele a primazia em nossas vidas.

     A frase inicial desta oração-modelo já dá a subentender uma intimidade especial entre aquele que ora e Deus, que ouve a oração. Mas o que podemos ter em mente ao chamarmos Deus de Pai?

       a) Deus nos amou primeiro. O amor de Deus é paterno, no entanto, chega a superar até mesmo o amor de mãe (Is 49. 15). É aquele amor que abraça o filho mesmo depois dele ter ido embora e ter perdido-se no mundo (Lc 15. 11-32). Esta verdade nos desperta para entendermos que Deus nos ama e deseja ser amado por nós. Deus deseja ser seu amigo íntimo, prezado leitor.

      b) Deus nos adotou como filhos pelo Espírito de adoção. Deus é o Pai por excelência. Esta realidade nos dá maior confiança ao orarmos (Veja Mt 7. 11; Lc 11. 13; 12. 24, 28). A doutrina da adoção consiste em Deus ter-nos aceito novamente como filhos, ao nos perdoar os pecados pelo sacrifício de Cristo. O Pai sempre recebe seu filho que se arrepende.

      c) Deus nos fez herdeiros seus. Somos filhos de Deus, adotados por Ele. Quando uma criança é adotada, passa a usufruir de todos os direitos cabíveis a qualquer outro membro natural daquela família em que ele foi adotado, como se fosse realmente um membro natural. É assim que Deus faz conosco. O pecado nos afastou dele, mas ele nos reconcilia por meio de Cristo e nos faz sermos seus filhos e herdeiros, como se nunca tivéssemos perdido a comunhão com Ele (Rm 8. 16, 17).

   2. “Santificado seja o teu nome” (v. 9). Esta outra frase da oração nos diz sobre o respeito ao nome do Senhor. Devemos orar com a consciência limpa de que através de nosso testemunho, o nome da Deus está sendo santificado (glorificado) e não maculado (zombado). Nome aqui, significa “pessoa”. Conhecer o nome era conhecer a pessoa que o porta (Êx 6. 3). “Santificar” o nome de Deus nada mais é do que agir de maneira  santa e obediente, de tal forma que nossos atos reflitam em nossa vida a sua glória (Mt 5. 14; 2Co 3. 18; Fp 2. 15).

   3. “Seja feita a tua vontade” (v. 10). Fazer a vontade de Deus mais importante do que a nossa é imprescindível na oração (Sl 143. 10; Mt 26. 42). Já dizia François Fenelon: “Faça desta regra simples o guia de sua vida: não ter vontades, a não ser a vontade de Deus”. De acordo com a Bíblia, isso garante a reposta à oração (1Jo 3. 22; 5. 14). Agradar a Deus fazendo sua vontade é a melhor forma para efetuar o crescimento espiritual , junto com a prática da oração (1Ts 4. 1). Para pedir que a vontade de Deus seja cumprida, você deve ser transformado pela renovação do seu entendimento (Rm 12. 2); deve obedecer a Deus (Jo 7. 17); ter um relacionamento verdadeiro com o Pai (Mt 12. 50) e amar a sua Palavra, a Bíblia, onde sua vontade é revelada (Sl 40. 8).

PARE E PENSE: A nossa oração deve ser como a de Cristo: uma simples conversa onde o filho pede o que precisa para o pai em favor de si e dos outros, sempre ciente de que o pai é quem decide, por sua vontade, suprir e ajudar a todos os que precisam.

III. DECORRÊNCIAS PRÁTICAS DA ORAÇÃO-MODELO

     A oração deve ter suas consequências em nossas vidas. Da oração de Cristo podemos tirar várias lições práticas.

   1. “O pão nosso de cada dia”: a luta diária contra a autossuficiência. Certamente nos preocuparíamos menos, se lembrássemos que Deus nunca nos abandonará. Depender de Deus é estar seguro de que nada nos faltará (Sl 23. 1; 37. 25; Mt 6. 25-33). Note que aqui pede-se o pão de cada dia, isto significa dependência diária de Deus para nossa sobrevivência. Não é pecado acumular bens, contando que estes não tomem o lugar de Deus em nossas vidas (Mt 6. 19-21, 24, 33; Lc 12. 15-21; 1Tm 6. 9, 10, 17). Devemos nos contentar com o que temos (1Tm 6. 8) e dar graças a Deus por isso (Fp 4. 11-13; 1Ts 5. 18). A verdade é que Devemos orar como em Pv 30. 7-9. Confiar em Deus para nosso sustento diário não significa que tenhamos que parar de trabalhar (Pv 6. 6-11; Ef 4. 28; 1Ts 4. 11, 12; 2Ts 3. 10-12).

    2. Perdão das nossas dívidas. Para que Deus “perdoe as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”, devemos, antes de tudo, perdoar primeiro os nossos devedores como Deus nos perdoou! (Ef 4. 32; Cl 3. 13). É exatamente isso o que Jesus ensina em Mt 5. 21-26 e 18. 23-35. A palavra grega aqui traduzida por “débitos” (Gr. οφειλη, opheile) era usada para descrever débitos (faltas, falhas, dívidas, ofensas, pecados, Mt. 6. 14; Lc 11. 4) legais entre os homens (Rm 4. 4). Aqui é usada para descrever faltas de homens para com homens e de homens para com Deus. Isso mostra que o nosso relacionamento com Deus é proporcionalmente bom ou ruim ao nosso relacionamento com o próximo (Mt 5. 23, 24; 22. 35-40; 18. 35; 1Pe 3. 7; 1Jo 4. 20). Perdoar no grego, aqui, tem o sentido de “despedir, liberar, deixar ir embora”. Quem perdoa, livra-se dos males causados pelos sentimentos de ira e mágoa, enquanto aquele que é perdoado, livra-se do sentimento de culpa. O perdão manda embora tudo o que é ruim.

    3. Livramento do mal. Devemos meditar acuradamente neste último pedido dos sete que compõem esta oração modelo. Algumas versões não dão uma boa tradução, como é o caso da Almeida Revista e Corrigida, que assim reza: “E não nos induzas à tentação; mas livra-nos do mal; porque teu é o reino,  e o poder, e a glória, para sempre. Amém” (as palavras em negrito são as quais não concordamos com seu uso na tradução deste versículo de MT 6. 13).

     Em primeiro lugar, é um erro crasso dar a entender que Deus induz alguém à tentação, visto ser este o papel de satanás e não de Deus (Tg 1. 12, 13). Deus PERMITE a tentação, como mostra-se no livro de Jó, mas ao permitir a tentação, Deus IMPÕE LIMITES à ela, de maneira que em hipótese alguma pode ser culpado de alguém cair na tentação (1Co 10. 13; Tg 1. 14, 15). A palavra grega traduzida por “induzas” (Gr. εισφερω, eisphero), tem o sentido de “colocar dentro, introduzir, levar a”. Este versículo é bem melhor traduzido pela Almeida Revista e Atualizada: “E não nos deixes cair em tentação; mas livrai-nos do mal”.

     Em segundo lugar, em todas as versões de Almeida (seja a corrigida ou a atualizada, e a fiel), trazem o final deste versículo dizendo: “…livra-nos do mal”. Seria melhor traduzir por “livra-nos do Maligno”(ou seja, do diabo). É assim que está traduzido na Bíblia de Jerusalém, uma versão católico-romana. Em outras palavras, pedimos a Deus pra não nos deixar cairmos nas tentações, ao mesmo tempo que pedimos para nos proteger do próprio Tentador.

PARE E PENSE: A oração é tanto uma arma de ataque quanto de defesa. Até que ponto suas orações têm sortido efeito prático em sua vida a ponto de te darem forças para resistir ao tentador e te dar vitória nas tentações?

CONCLUSÃO

PERGUNTAS PARA REFLEXÃO

1) O que você acha que Deus quer de você quando está orando?

2) De que maneira você trata a Deus, já que o chama de “Pai”? Você obedece-o? Procura sempre sua intimidade em oração?

3) Quando você ora, você pede riquezas para acumular ou pede apenas “o pão de cada dia”?

4) De que forma prática você tem demonstrado o seu desejo de que o Reino de Deus se manifeste na terra?

5) Sabia que você pode ser seu maior obstáculo à resposta da sua oração? De que maneira seu comportamento com o próximo influi na sua oração?

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Boa aula!

Pedro M. A. Júnior.

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