EBD: Lição 13 – A Missão Profética da Igreja

 
      Sem dúvida, a igreja é a instituição espiritual de Cristo que foi idealizada com o objetivo de dar continuidade à sua obra na terra (Jo 14. 12; At 1. 8). Esta obra é anunciar a salvação, ou seja, é uma obra essencialmente missionária (1Pe 2. 5), e esta salvação vem pela pregação da Palavra de Deus (Rm 10. 17), contida na mensagem do evangelho (Rm 1. 15, 16). O Evangelho é a mensagem que traz o plano divino de salvação, revelado no objetivo de Deus em demonstrar seu poder e sabedoria em unir judeus e gentios em um só rebanho, formado por aqueles que cressem na mensagem da cruz, que é a base do evangelho (1Co 1. 18-24; Ef 1. 3-13).

     Nesta lição veremos a relação entre a mensagem profética do evangelho e a missão da igreja, idealizada por Cristo.
I.   A PERSEGUIÇÃO

     Pelo que podemos perceber no livro de Atos dos Apóstolos, a igreja local de Jerusalém, recém formada no dia dePentecostes, estava sem executar o plano de Deus em espalhar a mensagem de salvação pelo mundo.
    Ela estava “presa” em Jerusalém, com o objetivo de pregar apenas para os judeus de Jerusalém. Eles tinham aparentemente a noção que o cristianismo seria uma religião étnica e social, semelhante ao judaísmo.

      O texto de At 1.8 fala da expansão do evangelho, mas ela não é uma expansão do tipo ordinária: Primeiro Jerusalém, depois a Judéia, depois Samaria e aí então os confins da terra. Era assim que os discípulos de Cristo entendiam. Na realidade, prestando mais atenção ao texto, veremos que ele fala de uma expansão do tipo simultânea, isto é, “tanto”  em Jerusalém, “como” em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra. Todas as regiões deveriam ser visitadas pelo evangelho o mais rápido possível, simultaneamente.

     Quando aconteceu a morte de Estêvão, veio uma perseguição  à igreja de Jerusalém, de maneira que eles tiveram que sair de seu território, e, ao fazer isso, à medida que se espalhavam, iam pregando o evangelho, mas continuaram a pregar somente para os da sua etnia e nação (At 11. 19). Não existia ainda nesta época a noção de uma obra missionária transcultural a nível mundial que tinha de ser desempenhada pela igreja. O relato de Atos dos apóstolos nos mostra a primeira vez em que os apóstolos pregaram para gentios foi em At 8, quando Felipe desceu à Samaria.

    Já a decisão de se pregar o evangelho não somente aos judeus mas também aos gentios em geral foi tomada por toda a igreja logo após a experiência de Pedro com a conversão de Cornélio e toda a sua família, relatadas em Atos, capítulos 10 e 11, logo após ter sido registrada a história da conversão de Paulo (Atos, 9), que mais tarde se tornaria no “apóstolo dos gentios” (At 9. 15; Gl 2. 7, 8). Paulo obviamente foi o maior contribuinte para a definição transcultural da missão da igreja e do melhor entendimento do alcance universal da mensagem da salvação, que é o evangelho (At 17. 6)

II.   OS SAMARITANOS

     Mesmo que o apóstolo Paulo tenha dado uma alavancada para uma definição mais geral e abrangente do pensamento da igreja no que diz respeito ao alcance mundial de sua missão, Jesus Cristo continua sendo o melhor e maior exemplo de missionário, ainda mais sabendo que Ele foi o primeiro a dar exemplo para os discípulos quando pregou para a mulher samaritana (João, capítulo 4). Evidentemente a conversão daqueles primeiros samaritanos serviria de porta de entrada para a igreja expandir o evangelho em terras gentílicas (At 8. 5-8, 12).

III.   O EVANGELHO EM SAMARIA

     Somente o poder do Espírito Santo poderia fazer com que judeus tão apegados às suas raízes étnicas pudessem pregar a gentios, especialmente aos samaritanos, que tinham certa miscigenação com os judeus, ou seja, os samaritanos eram um povo resultante da mistura de judeus com gentios, daí sua rivalidade. Por serem meio judeus e meio gentios tinham uma religião sincronista, que tinha elementos do paganismo com elementos judaicos. Os judeus consideravam os samaritanos tão profanos quanto sua religião, mais que os outros povos gentios. Seu preconceito era mais de natureza religiosa, mas nascia de um preconceito étnico.

     No entanto, Felipe, um dos diáconos (At 6. 5) foi movido pelo Espírito Santo a pregar em Samaria, e Deus confirmou a mensagem, e muitos se converteram (At 8. 5-8). Vejamos o segredo do sucesso da obra missionária desempenhada por Felipe:

(A) Primeiro segredo: O caráter de Felipe. Felipe foi um dos sete discípulos escolhidos para serem os primeiros diáconos da igreja primitiva (At 6. 3, 5). Note que foram estabelecidos alguns pré requisitos para ocupar tal cargo. E estes requisitos eram todos parte do caráter de Felipe. Vejamos:

  • Felipe tinha “boa reputação”. (Grego: μαρτυρουμενους, marturoumenous. particípio, presente passivo: “dar bom testemunho”, “ter bom testemunho”) Isto é muito importante para aqueles que pregam a vida: viver o que pregam. Como é bom ver que os não-evangélicos testemunham da fé de alguns crentes fiéis, mesmo não os conhecendo, sabem que são cristãos devido o seu testemunho, isto é, seu comportamento (Mt 5. 16; 1Co 10. 32; 2Co 6. 3; 8. 21; Cl 4. 5; 1Ts 4. 12; 1Tm 3. 7).
  • Felipe era cheio do Espírito Santo. (Grego: πλήρης pleres, cheio, repleto, plenamente saturado, completado) Isto mostra que o poder da pregação de Felipe não estava na sua eloquência ou no seu tom de voz, mas na ação e unção do Espírito Santo sobre ele. Sempre que o Espírito Santo enche alguém, algo de diferente acontece (Dt 34. 9; Mq 3. 8; At 2. 4; 4. 8-13, 31; 7. 55; 9. 17-20; 13. 9-13, 52).
  • Felipe tinha sabedoria. (Grego: σοφία sophia,sabedoria, inteligência espiritual, conhecimento). Fica bem mais fácil pregar sobre alguém que você REALMENTE conhece e tem EXPERIÊNCIA. Esta palavra “sabedoria” denota um conhecimento comprovado pela experiência espiritual e contrasta muito com a sabedoria humana (1Co 1. 20, 24; Cl 1. 9).

(B) Segundo segredo: A mensagem de Felipe: Cristo (At 8. 5). A mensagem do evangelho consiste da confissão de fé na morte e ressurreição de Jesus Cristo (Rm 10. 8-10). Felipe pregava esta mensagem e não as mensagens como as de hoje: prosperidade, bênçãos materiais e outras coisas. Era a mensagem da cruz que importava, e somente ela que tem o poder de salvar (1Co 1.23; 2. 2). 

(C)  Terceiro segredo: O resultado da mensagem de Felipe (vv. 6-8). Alguns dos resultados da pregação de Felipe são aqui mostrados: 1- As multidões prestavam atenção ao que Felipe falava, por causa do que via ele fazer. Eram os milagres fazendo o povo querer ouvir a mensagem. 2- Muitos possessos e enfermos eram curados. A mensagem de Felipe abria o entendimento das pessoas e elas, ao crerem de coração, viam os milagres acontecerem. Os milagres confirmavam a mensagem de Felipe, mas se originavam da fé dos seus ouvintes. 3- Havia alegria naquela cidade, as pessoas estavam experimentando o mover do Espírito Santo: salvação, curas, avivamento (At 8. 12).

   Atos dos Apóstolos nos informa que a obra de Felipe alcançou proporções tão grandes que lhe enviaram Pedro e João para ajudá-lo na obra (At 8. 14, 15).

CONCLUSÃO

   Vemos aqui o exemplo e o padrão da obra missionária da igreja (1Pe 2. 5):
  • Esta obra deve ser transcultural;
  • Ela deve ultrapassar todas as barreiras, sejam ideológicas, culturais, étnicas;
  • Deve ser realizada por pessoas capacitadas pelo Espírito Santo;
  • Deve ser confirmada no meio do povo pelos sinais e maravilhas;
  • Deve ter uma base de ajuda para que a obra iniciada prossiga se desenvolvendo bem.

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     Boa aula!

Pedro M. A. Júnior    Twitter: @jcservo   MSN: jcservo@hotmail.com
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