Cristo: O Servo Líder

                             APRESENTAÇÃO
Boa parte dos cristãos de hoje consideram o estudo bíblico como mero exercício intelectual.
Isto é provado pelos livros que lêem e pelo tipo de sermões que transmitem em suas igrejas. Alguns de seus congregados demonstram a firme resolução de ir ao culto ouvir seu pastor falar, mas ao ouvir a mensagem, sentem a urgente necessidade de levar um dicionário e usá-lo mais do que a própria Bíblia para poder entender tantos termos técnicos e “neologismos” usados pelo seu líder em sua mensagem e ensino. Às vezes fico a me perguntar se Jesus falava deste modo. Se Ele também considerava o estudo da Bíblia uma prática para se mostrar inteligência e sabedoria...
O objetivo primordial de quem estuda a Bíblia é alimentar seu espírito e achar consolo para poder viver uma vida neste mundo de forma que agrade a Deus. Jesus quando pregava, tinha por objetivo exatamente suprir estas duas necessidades, entre outras. Este também é o objetivo de nosso estudo.
Na abordagem do texto, procuramos não formular um estudo estritamente teológico com uma linguagem técnica. Apesar de termos nos usado das ferramentas da exegese, fizemos de maneira que fôssemos entendidos em nossa explicação. Nosso texto, apesar de escrito em uma linguagem superficial, não chega a ser simplista. Desta maneira é, ao mesmo tempo, um estudo tanto de caráter devocional quanto doutrinário/teológico.
Creio que o estudo bíblico genuíno não visa impressionar somente a mente, mas a mente, a alma e principalmente o coração.
O verdadeiro estudo bíblico é aquele que surte efeitos na vida de seus participantes. Lembra o que os discípulos na estrada de Emaús disseram depois que Jesus lhes explicou as Escrituras? Veja: “Então eles disseram um para o outro: — Não parecia que o nosso coração queimava dentro do peito quando ele nos falava na estrada e nos explicava as Escrituras Sagradas?” (Lucas 24. 32 – NTLH). Esperamos que isto também aconteça com você!
Desejo também dedicar este estudo em primeiro lugar a Deus, pois Ele merece todo o mérito; aos meus pastores; à minha família.
O desejo do meu coração é que este estudo surta efeitos duradouros nas vidas que quem entendê-lo (fizemos nossa parte para que isso pudesse acontecer) e pô-lo em prática (essa parte é com você, querido leitor).
Siglas e versões bíblicas
No texto deste estudo, além das siglas comuns para os livros bíblicos, aparecem outras siglas que pode ser útil conhecê-las para o melhor entendimento do texto, caso o leitor já não seja familiarizado com elas também. As siglas são as seguintes:
RC – Versão Almeida, Revista e Corrigida.
RA – Versão Almeida, Revista e Atualizada.
NTLH – Nova Tradução na Linguagem de Hoje.
v. – refere-se a um versículo de um mesmo capítulo.
vv.- refere-se a dois ou mais versículos de um mesmo capítulo.
Cf.- confira ou confronte (tem o significado de “compare” também).
OBS.: Aconselhamos a leitura integral dos textos bíblicos, pois são eles que dão sustentação a este estudo, e não o contrário.
TEMA: CRISTO: O SERVO-LÍDER
TEXTO: João 13. 12-17
AUTOR: Pedro Júnior
“Depois de lavar os pés dos seus discípulos, Jesus vestiu de novo a capa, sentou-se outra vez à mesa e perguntou: —Vocês entenderam o que eu fiz? Vocês me chamam de “Mestre” e de “Senhor” e têm razão, pois eu sou mesmo. Se eu, o Senhor e o Mestre, lavei os pés de vocês, então vocês devem lavar os pés uns dos outros. Pois eu dei o exemplo para que vocês façam o que eu fiz. Eu afirmo a vocês que isto é verdade: o empregado não é mais importante do que o patrão, e o mensageiro não é mais importante do que aquele que o enviou. Já que vocês conhecem esta verdade, serão felizes se a praticarem” (NTLH – Nova Tradução na Linguagem de Hoje).
INTRODUÇÃO
Com sua licença, permita-me convidar você agora a usar a imaginação e a abrir seu coração.
Imagine-se em seu conturbado ambiente de trabalho, atarefado com suas funções rotineiras e com o seu stress, quando recebe de um dos seus colegas de trabalho um convite inusitado. É um cartão. Seu chefe pessoalmente o escreveu e mandou entregar para você e todos os seus colegas. Você imagina logo que é mais um daqueles bilhetinhos chatos de seu patrão te chamando para te dar aquela bronca. Mas, no cartão está escrito: “Eu estou de mudança marcada. Fui promovido e chamado para gerenciar uma empresa em outra cidade. Desejo marcar uma reunião para nos despedirmos. Todos devem comparecer”. Você não acredita no que lê. Logo agora que você e seu chefe estavam ficando amigos, ele vai embora? Sua surpresa é a mesma de todos os seus colegas que também receberam o mesmo cartão.
No cantinho inferior do cartão, você vê que é mesmo a assinatura do seu chefe que finaliza o convite e a data marcada da reunião é para... hoje à noite.
- “Hoje à noite???”- Você indaga-se: “O que vou dizer na despedida? Quais palavras vou escolher para falar com o meu patrão?”
A noite chega e, no horário marcado, você vai para a sala de reuniões. Ao olhar para o relógio, nota que está 20 minutos atrasado. O corredor é longo para chegar até a sala, mas para quê servem as pernas? Para correr, é claro!
Ao atravessar o corredor e chegar à sala de reuniões, você procura improvisar palavras para se desculpar com seu patrão pelo atraso. Quem sabe se desta vez ele possa acreditar? Ao chegar e abrir a porta da sala de reuniões, você tem um estranho susto...
Nada de papéis espalhados pela mesa, nenhum dos seus colegas mostra ter uma feição apreensiva ou preocupada, nada de broncas de um chefe mal-humorado ou de mais tarefas para cumprir; pelo contrário, todos estão alegres, se divertindo, e os seus rostos estão contentes, além de existir um banquete servido sobre a comprida mesa de reuniões. Você pode sentir a diferença no clima daquela sala de reuniões, que às vezes parecia mais uma sala de torturas.
Você esperava ouvir seu chefe gritar seu nome e perguntar por que você chegou atrasado, mas, ao invés disso você ouve ele cordialmente chamando-lhe para participar do jantar de despedida.
Ao entrar na sala, você leva um choque quando vê aquele homem inflexível com um ar amigável e descontraído que ele só demonstrava quando estava fora do expediente.
Sim, seu chefe durão, sorrindo para você, convidando-o a sentar-se à mesa. – “Não pode ser o mesmo homem!” – Você pensa consigo.
Sua surpresa aumenta quando ele olha para você e diz: “Só faltava você chegar! Sente-se.O jantar já está pronto. Fui eu mesmo que fiz!”.
Seu rosto e seus olhos arregalados não conseguem disfarçar sua surpresa, quando de repente a mão do seu patrão pousa sobre o seu ombro e ele lhe diz: “Sim, senhor... Hoje sou eu que vou bancar o empregado de vocês. Vou ser o garçom de todos vocês!”. E nem adianta tentar impedí-lo, pois hoje é a sua despedida. Apesar de ser ele o chefe, ele se apresenta agora como um simples amigo.
A mesma coisa aconteceu com os discípulos quando Jesus os chamou para a última ceia. Todos se admiraram ao ouvi-lO dizer que teria que partir. Foi por isso que Jesus quis reunir-se pela ultima vez com os discípulos um dia antes da sua crucificação. Seria uma boa hora de falar a eles aquilo que Ele mais queria dizer e também de mostrar o que Ele mais queria ensinar.
Agora Jesus se mostra como um amigo que consola e fortalece seus queridos discípulos para os próximos acontecimentos.
Ele sabia de tudo o que iria acontecer e de todos os sofrimentos pelos quais ia ter de passar, mas, ali, diante dos discípulos, segurando o cálice nas mãos, encomendou-se nas mãos do Pai como o sacrifício pelos pecados. A vontade do Pai deveria ser feita. Jesus deveria beber o cálice até a última gota.
Sim, coisas inesperadas como estas podem acontecer. O que aprendemos deste episódio? Quais os objetivos de Jesus ao convidar seus discípulos para a última ceia e lavar-lhes os pés?
I. PRIMEIRO OBJETIVO: DEMONSTRAR SEU AMOR (Jo 13. 1)
Jesus estava de partida. Sua missão terrena estava chegando ao fim. Em seu ministério Ele já tinha sido glorificado pelos milagres, pelos sermões e agora, teria de ser glorificado pelos seus sofrimentos (Jo 17. 1, 4). Veria seus discípulos pela última vez antes que todos eles O abandonassem. Era uma boa oportunidade para Jesus falar aquilo que estava no fundo do seu coração aos seus discípulos e se despedir. E Ele escolhera falar sobre o seu amor por eles.
Com relação ao amor de Cristo por seus discípulos, diz-nos João que “Ele sempre havia amado os seus que estavam neste mundo e os amou até o fim” (João 13. 1 - NTLH). Note as palavras “sempre” e “até o fim”. Este é o resumo, em poucas palavras, do tamanho do amor de Deus aos homens. Do começo ao final de sua vida, Cristo amou completamente e fielmente com um amor inabalável, puro e sincero a todos os seus discípulos, inclusive Judas, que logo iria traí-lO.
Muitas vezes temos dificuldades em entender a razão de tão grande amor e nos perguntamos o que é que temos de tão especial em nós mesmos para que Deus se interesse tanto assim por nós. Será que é por-
que merecemos o seu amor? Deve ser então porque Deus tinha a obrigação de nos salvar? Não. Não é nada disso. Na verdade, o que fez Deus se interessar tanto por nossa salvação e nos demonstrar tanto amor foi o medo de ter que passar a eternidade sem nós do seu lado. Sim, a ultima coisa que poderia passar pela mente de Deus era perder você. Sabe por que? 1Tm 2. 4 responde esta pergunta. A Bíblia mostra que Deus já nos amava antes mesmo de nos criar. Como entendemos de Gn 1.26, Deus nos criou à sua imagem e semelhança para termos comunhão com Ele e sermos seus amigos (Tg 2.23). Fomos criados com um objetivo, para desfrutarmos do seu amor e sermos instrumentos do seu louvor (Is 43. 7). A Bíblia mostra que Deus se preocupa conosco e está atento para tudo o que se passa conosco, mesmo antes de nascermos, como nos mostra Davi no salmo 139. 13-16. Foi este mesmo amor que fez com que Ele enviasse o seu Único Filho para morrer em nosso lugar, para termos o direito de passarmos a vida eterna ao seu lado (Jo 3. 16; Rm 5. 8).
Mesmo que Deus saiba que você é imperfeito e não mereça tanto amor, Ele decidiu te amar assim mesmo porque sabe que se você reconhecer suas falhas e receber o seu amor, este amor te dará o poder para você mudar. E mudar para melhor ! (Veja At 17. 30; Ef 2. 4, 5, 8, 9; 1Jo 3.1)
Sim, Jesus não considerava seus discípulos como meros alunos atrapalhados. Ele os amava, e os considerou como amigos (Jo 15. 13; 15. 15). Da mesma forma, Ele não considera você um acidente da natureza. Na sua oração antes de ser preso, Jesus lembrou dos seus discípulos e também de você quando entregou-se ao Pai para ser sacrificado (Jo 17. 9-24). Pois Ele sempre te amou, e vai te amar até o fim (Jo 13. 1).
II. SEGUNDO OBJETIVO: ENSINAR SOBRE A HUMILDADE (Jo 13. 13-15)
Desde os tempos de Cristo até hoje, existe na sociedade a divisão das classes. Em cada classe existe uma hierarquia, ou subdivisões de categorias diferentes de pessoas de uma mesma classe social. Não era diferente na classe dos escravos dos tempos de Cristo. Na escala hierárquica dos escravos, o mais humilde era aquele responsável em lavar os pés dos hóspedes. Muitas vezes este serviço humilde era realizado por mulheres, o que tornava mais degradante naquela cultura a um homem fazê-lo (1Sm 25. 41; 1Tm 5. 9, 10) E foi este humilde serviço que Cristo executou para com os seus discípulos na última noite que se reuniu com eles antes de morrer.
Já imaginou o seu chefe servindo o jantar para você? Cristo fez muito mais. Ele lavou os pés dos discípulos. Será que seu patrão faria isso? Creio que não, mesmo se ele fosse promovido.
Jesus se preocupou como ficaria a união de seus discípulos depois que partisse, por isso lhes ensinou sobre a humildade. Ele lembrava-se das várias vezes que eles discutiram sobre quem seria o maior no Reino de Deus (Mc 20. 20-28; Mc 9. 33-37; Lc 9.46-48). Jesus sabia que esta atitude seria perigosa para o desenvolvimento da sua Igreja.
Algum tempo atrás, escreveu Thomas Brooks que “os homens mais santos são sempre os mais humildes”. Eu concordo com ele, pois, como diz certo ditado: “engolir o próprio orgulho nunca trás indigestão”. Grandes servos de Deus durante a história têm reconhecido o valor da humildade. Agostinho, por exemplo, disse que “foi o orgulho que transformou anjos em demônios; é a humildade que faz homens serem como anjos”. Charles H. Spurgeon dizia que “quanto mais elevado estiver o homem na graça, menor ele será aos seus próprios olhos”. John Flavel afirmou que “os que conhecem a Deus serão humildes, e os que conhecem a si próprios não podem ser orgulhosos”.
Muitos tomam este texto de João 13 para afirmarem que Deus é nosso servo e que Ele tem que fazer nossa vontade, no mesmo instante que nós a “determinarmos”. Estes que assim pensam deveriam estar lá com os discípulos, para aprenderem a humildade como Jesus a ensinou. Certamente que este tipo de pessoa acha que humildade e humilhação são a mesma coisa. Esquecem-se que apesar de lavar os pés dos discípulos como o menor dos escravos, ainda assim Jesus não deixava de ser “o Senhor e o Mestre” (Ver Jo 13. 13-16).
A verdadeira grandeza de uma pessoa consiste no tamanho de sua humildade. Conta-nos a história que em certo dia de domingo, Abraham Lincoln, presidente dos Estados Unidos, participava do culto, em Washington, as¬sentado no banco reservado somente ao presidente. Pelo corredor central, procurando lugar para sentar-se, veio andando um senhor idoso. Não encontrando lugar vago, preparava-se para voltar, quando um longo braço destacou-se do banco presidencial e uma voz bondosa acompanhou o gesto, ao dizer: "Sente-se aqui comi¬go". Tal atitude era própria de Lincoln, que achara lugar em seu grande cora¬ção para o próximo. De que tamanho você acha que é o coração de Deus? Certamente existe espaço para você. O grande braço do Senhor pode muito bem te alcançar onde quer que você esteja. Permita que o amor de Deus toque você.
Jesus não deixou de ser Deus quando se humanizou, do mesmo modo que Ele não deixou de ser o Senhor quando agiu como um servo. Ele queria lembrar isso aos seus discípulos. João conta-nos que no meio da ceia Jesus “levantou-se da ceia, tirou as vestes e, tomando uma toalha, cingiu-se” (Jo 13. 4). Este gesto relembra o que Ele fez quando se despiu da sua glória e revestiu-se de carne humana. Mesmo humanizado e feito servo, nunca deixou de ser Deus e Senhor (Jo 1. 14; Fp 2. 5-11).
III. TERCEIRO OBJETIVO: ILUSTRAR O PROCESSO DE SANTIFICAÇÃO (Jo 13. 5-10)
Esta ceia foi realizada às vésperas da Páscoa. Neste período do ano os caminhos estavam muito difíceis de se andar, pois era inverno. Contam-nos alguns estudiosos que poucas pessoas fora de Jerusalém participavam da festa da Páscoa devido às condições climáticas de fins de inverno. A festa mais freqüentada por estrangeiros era a festa do Pentecostes, quando o inverno havia acabado e ficava mais fácil de se andar pelos caminhos de terra.
Possivelmente Jesus e os discípulos estavam cansados da viagem, esgotados pela dificuldade dos caminhos e com as sandálias e os pés cobertos por lama. Chegando ao cenáculo onde se daria a Ceia, teriam a oportunidade de descansarem. Lavar os pés cansados seria uma boa idéia, uma idéia refrescante. E lá estava a bacia, a toalha e a água. Só faltava alguém se oferecer para fazer o serviço. Imagino Jesus a olhar para Felipe, vendo ele suspirando aliviado; então, olha para André e vê ele a se reclinar sobre a cadeira, caindo quase sem forças; depois dirige seu olhar para Judas e vê ele massageando os próprios pés ainda com lama, sujando suas mãos (como de costume); olha para Tomé, que puxa conversa com Bartolomeu, dizendo: “eu daria qualquer coisa por um pouco de água fria para os pés!”; olha para Pedro e nota que ele também olha para Jesus. Quando Pedro nota que Jesus o está encarando, vira o rosto, fazendo um gesto como quem diz “nem olhe pra mim, eu estou cansado demais!” Jesus então ouve Tiago perguntar a Pedro: “onde está o escravo para lavar os nossos pés?”
É hora de Jesus entrar em ação.
Jesus de repente se levanta enquanto todos os olhares dos discípulos o acompanham dirigindo-se para dentro de uma sala onde ficam os servos. Pedro diz: “Talvez o mestre foi chamar o escravo para lavar nossos pés”. Repentinamente, Jesus volta à sala da ceia trazendo no ombro uma toalha e nas mãos uma bacia com água. Os discípulos ficam parados, boquiabertos, enquanto Jesus desata as sandálias de Felipe e começa a lavar-lhe a lama dos pés e das sandálias. Quando chega a vez de Pedro ser lavado, ele se opõe ao Mestre. Cristo então diz que Pedro poderia não entender agora o significado do que Ele estava fazendo, mas, depois, Ele o explicaria. Pedro novamente recusa ser lavado. É aí que Jesus diz: “Se eu não o lavar, você não será mais meu discípulo!” (Jo 13. 8 - NTLH). Pedro então solicita ao mestre que lhe lave as mãos e a cabeça, ao que Jesus responde: “Quem já tomou banho está completamente limpo e precisa lavar somente os pés” (Jo 13. 10 - NTLH). O que será que Jesus queria dizer com isso? É claro que Jesus falava de forma simbólica pois no v. 10 Ele continua dizendo: “vocês todos estão limpos, isto é, todos menos um”. Cristo referia-se a Judas Iscariotes (vv. 11, 18). Isto significa que Jesus não falava apenas da limpeza dos pés, mas do coração. Sim, Jesus falava de santificação.
Assim como Cristo lavou a sujeira dos pés dos discípulos, Ele deseja tirar a sujeira do nosso coração (Mc 7. 21, 22; Cf., Sl 51. 10; 73. 1; Ez 36. 26; Tm 1. 5; 1Pe 1. 22). Infelizmente, às vezes temos a mesma atitude de Pedro, em não querer permitir que Jesus nos lave (Sl 32. 9; Zc 1. 4). Reconhecer que somos pecadores e que necessitamos da ajuda de Cristo muitas vezes fere nosso orgulho. Muitas vezes acontece de algum crente se ofender e ficar irritado quando Deus usa um pastor ou pregador para lhe falar sobre algum pecado específico: “O que o pastor tem a ver com minha vida sexual?” ou “por que todos querem dar palpite na minha vida?” - pergunta tal tipo de crente. Este tipo de crente necessita urgentemente aprender a dupla lição de Cristo: a santificação e a humildade. Sem santificação não podemos ser discípulos de Jesus. “Se eu não te lavar, não podes ter parte comigo”, disse Jesus a Pedro quando este não quis deixar Cristo lavar os seus pés. Na verdade, toda a Bíblia concorda com este princípio: somente a santificação garante a amizade divina (Veja as seguintes referências: Mt 5. 8; 2Co 6. 17; 1Ts 4. 7; Hb 12. 14; 1Pe 1. 15, 16).
Mas, como se dá o processo de santificação? Como este é um tema teológico muito extenso, não vamos nos deter nele de forma detalhada. Quando Cristo lavou os pés dos discípulos, toda a explicação sobre este processo foi ilustrada, não apenas em palavras, mas, mais fortemente nos gestos. Basta que entendamos o seu significado. Note que Cristo comparou a santificação com a lavagem, seja do corpo, seja dos pés (Jo 13. 10). Ele baseou-se no costume comum referente à lavagem habitual do corpo em ocasiões cotidianas para ilustrar um princípio espiritual importante.
Provavelmente Cristo tinha em mente algo mais profundo do que as lavagens cerimoniais prescritas pela lei (Lv 15. 13; 16. 26, 28; Nm 19. 19; 31. 24). Seus princípios de santidade iam além de meras regras legalistas exteriores (Mt 15. 20; cf., Mt 5. 20). O princípio legal da santificação afirmava que quem estivesse cerimonialmente impuro devia lavar-se em água para depois poder participar do culto ao Senhor, pois, como declara Levítico 17. 16: “Mas, se os não lavar, nem banhar a sua carne, levarão sobre si a sua iniqüidade”. Isto significa que a lavagem cerimonial era sinal externo de santificação. No entanto, o propósito de Deus para o homem é a sua santificação completa, o que abrange não somente o seu corpo, mas também sua alma e o seu espírito (1Ts 5. 23).
O autor de Hebreus nos revela detalhes tipológicos de uma cerimônia de purificação que usava água misturada com a cinza de uma novilha vermelha, cuja descrição se encontra em Lv 19. 9, 17, 18, afirmando que a lavagem cerimonial com água pouco pode fazer para purificar o interior da pessoa (veja Hb 9. 14 e 10. 4). Com isto ele reporta-se a real vontade de Deus, apresentada desde o tempo dos profetas (Is 1. 16-18; 1Ts 4. 3) e apresenta a verdadeira fonte purificadora, de onde brota toda a pureza espiritual, capaz de purificar o homem tanto no seu interior como no seu exterior: o sangue de Cristo (Hb 9. 12, 14; Cf., 1Pe 1. 18, 19; 1Jo 1. 7).
Nos discursos de Jesus e em todo o restante do Novo Testamento, o ensino sobre a santificação recebe destaque importante (veja Jo 15. 3; 17. 17). Enquanto no Antigo Testamento a água recebia valor cerimonial, nas epístolas recebe significação simbólica, indicando o meio da santificação (note o que se diz em Ef 5. 25, 26 e em Tt 3. 5). Biblicamente falando, os meios pelos quais o crente pode adquirir a santificação são (A) Pela Palavra de Deus (Jo 17. 17); (B) Pela ação do Espírito Santo (Rm 15. 16); (C) Pelo sangue de Cristo (Hb 13. 12); (D) Pela fé (At 26. 18); (E) Pela oração (1Tm 4. 5). Basta apenas permitirmos que ele nos lave (Ez 36. 25).
IV. QUARTO OBJETIVO: FIRMAR A COMUNHÃO ENTRE SI E OS DISCÍPULOS (Jo 13. 8, 14)
Já imaginou Jesus dizer que você não pode ser discípulo dEle? Foi isso que Ele fez quando Pedro não quis deixar Cristo lavar seus pés. Ele disse, em outras palavras: “Se eu não te lavar, você não terá nada a ver comigo” (Jo 13. 8). A lavagem dos discípulos serviu para ilustrar a verdade que o maior responsável pela nossa santificação é o Senhor Jesus, se o permitirmos agir em nossa vida. A atitude de alguém que se diz ser discípulo de Cristo e não permite Ele agir em sua vida trazendo a lavagem da santificação prova que esta pessoa na verdade não é discípulo de Cristo. Quem permite Jesus santificá-lo, como explicamos no item anterior deste estudo, mostra que é discípulo dEle e terá parte com Ele, ou seja, comunhão (Sl 16. 5; Lm 3. 24; Ap 3. 4-6). Lembre-se deste princípio: A santificação fortalece a comunhão. Certa vez disse C. H. Spurgeon: “Se formos fracos em nossa comunhão com Deus, seremos fracos em tudo”. Se for o pecado que separa o homem de Deus, a santificação certamente é o que estreita os laços de união entre Deus e o homem.
Mais tarde Jesus e João mostraram porque é importante manter esta comunhão: Jesus disse que “na casa de meu Pai há muitas moradas” (Jo 14. 2). A comunhão com Cristo assegura um lugar ali (Jo 14. 3); e João disse que nossa comunhão é com o Pai e com o Filho (1Jo 1. 3), isto nos faz estarmos preparados para o Dia do Juízo (1Jo 2. 28; 4. 17). Quem não tem comunhão com Cristo não poderá gozar dos cuidados divinos e finalmente “será lançado fora” (Jo 15. 1-6).
Ei! Como está a sua comunhão com Deus ultimamente? Você tem permitido Ele te lavar? Responda para Deus. Ele sabe se você será sincero em sua resposta...
V. QUINTO OBJETIVO: ANUNCIAR A SUA MORTE (Jo 13. 21, 31-33)
A palavra usada para dizer que Jesus se “turbou” (RC), “angustiou-se” (RA) ou “ficou muito aflito” (NTLH) é ἐταράχθη (etaraxtê), do verbo ταράσσω (tarassõ). Esta palavra é usada para descrever agitação interior provocada por meios exteriores ou interiores, como por exemplo, a agitação das águas em Jo 5. 4, 7 e a perplexidade dos discípulos que provinha das suas próprias dúvidas (Lc 24. 38). O termo tem o sentido de ficar “agitado, perturbado, comovido, atemorizado”. A palavra é aplicada a Jesus três vezes: (A) diante do túmulo de Lázaro, quando Cristo vê que todos choravam (Jo 11. 33); (B) quando Cristo refere-se à sua missão de morrer pelos pecadores (Jo 12. 27) e (C) no presente versículo, quando Jesus anunciou sua morte, sentindo que se aproximava a hora da sua partida (Jo 13. 21). Agora que a comunhão com seus discípulos estava mais firme, sem a presença de Judas por perto, Ele podia agora falar mais abertamente. Cristo então revela coisas interessantes sobre a sua morte nos versículos 31 ao 33. Vejamos:
Primeiro: a morte de Cristo revelaria tanto a Sua natureza quanto a natureza do Pai (v. 31). O versículo 31, na NTLH diz enfaticamente: “Agora a natureza divina do Filho do Homem é revelada, e por meio dele é revelada também a natureza gloriosa de Deus”. A morte de Cristo seria como um holofote de luz que faria as pessoas enxergar melhor a ligação entre o Pai e o Filho, bem como entenderem o amor divino para com a humanidade e sua necessidade de salvação. Basta olharmos para a cruz para entender quanto somos pecadores (1Co 2. 2; Gl 3.1). Muitas vezes nós perdemos de vista este propósito do sacrifício de Cristo, mas aqui Jesus explica que este é o meio de Deus chamar a atenção dos pecadores para Ele. Por isso Jesus disse:
“E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz e não vem para a luz para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus” (Jo 3. 14-21).
Jesus se comparou com a serpente de metal que foi indicada por Deus a Moisés para impedir que o povo morresse sob a ira divina (Nm 21. 4-9). Era isso que Jesus queria que o povo entendesse: Quem fecha os olhos para Ele, não pode ver a luz do amor salvador de Deus, nem entender este mesmo amor (Is 45. 22; Jo 6. 40; 8. 12; 14. 6-11; 2Co 4. 4-6; 1Tm 2. 5; Hb 12. 2; 1Jo 3. 1; 4. 10, 14), e continua sob a ira de Deus (Jo 3. 36; 8. 24).
Segundo: A morte de Cristo traria mais glória tanto para o Pai quanto para o Filho, porque “se Deus é glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo e logo o há de glorificar” (Jo 13.32, RC). Você também nunca imaginou sobre isso? Sim, a morte de Cristo traria mais honra ao Reino de Deus.
De que maneira Deus foi glorificado ao permitir que seu Único Filho morresse numa rude cruz? É certamente muito difícil entender como um Pai perfeitamente Bondoso seria capaz de dar voluntariamente seu Filho Único para morrer no lugar de alguém. Aliás, é quase impossível entender como a morte pode dar a vida, como Deus – o Autor da vida pode ser morto e como um simples homem mortal pode afirmar que é Deus e que pode conceder vida eterna. Isto é difícil de entender tanto pelos judeus – o povo mais religioso do mundo, como pelos gregos – o povo mais filósofo e intelectual do mundo (1Co 1. 23). Mas, o sofrimento de Jesus não seria simples sofrimento, seria um sacrifício a Deus. Jesus não era um simples homem, era “o cordeiro que tira o pecado do mundo” (Jo 1. 29). Deus Pai usaria os sofrimentos de Deus Filho para salvar os pecadores, e Bíblia diz que Deus faria isso com prazer. Veja o que diz Isaías 53. 10: “ao SENHOR agradou o moê-lo, fazendo-o enfermar”. Deus alegrou-se com isso não porque fosse cruel, nem porque gostasse de ver sangue derramado. Isaías continua explicando o porquê: “quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os dias, e o bom prazer do SENHOR prosperará na sua mão” (Is 53. 10b). Você entendeu o motivo? Este versículo diz que a morte de Cristo traria frutos, ou seja descendentes (NTLH) – ver Jo 12. 4, 31-33; Cf., Gl 4. 4-7. Este era o plano: Enquanto satanás iria tentar matar Cristo e levar o maior número de pessoas condenadas para o inferno, Deus permitiria que Cristo morresse para que o maior número de pessoas vencesse o pecado e a morte, fossem salvas e fossem direto para o céu. Tudo isso era obra de Deus através de Cristo (Rm 8. 1-3; 2Co 5. 19). A morte de Cristo tomou a autoridade de satanás sobre as pessoas e acabou com o seu império de morte, concedendo vida eterna ao que crer em Jesus e recebê-lo como Salvador (Cl 2. 15; Hb 2. 14, 15; Cf., 1Co 15. 51, 54-57; 2Tm 1.10; Ap 1. 18). Quando Paulo discorreu sobre este plano, ao escrever a epístola aos Romanos, o Espírito o fez prostrar-se jubiloso diante do Senhor. Ele começou a glorificar a Deus, e, inundado de alegria, se pôs a cantar:
“Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Porque quem compreendeu o intento (plano) do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro?Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém!” (Rm 11. 33-36).
O plano divino para a salvação remonta para antes da própria queda do homem no pecado, demonstrando assim o poder, o propósito e a sabedoria de Deus (Rm 8. 29; 1Co 2. 7; 2Tm 1.9; Tt 1.2). Todas as pessoas que descobriram este plano glorificaram a Deus. Simeão foi uma delas, a Bíblia diz que ele recebeu esta revelação diretamente do Espírito Santo (Lc 2. 25-27), e, quando se encontrou com os pais de Jesus, diz a Escritura que “ele, então, o tomou em seus braços, e louvou a Deus, e disse: Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra, pois já os meus olhos viram a tua salvação, a qual tu preparaste perante a face de todos os povos” (Lc 2. 28-31). Paulo certamente estava sentindo-se como Simeão. Veja como ele novamente glorificou a Deus em 1Tm 1.12-17. Ana também louvou a Deus (Lc 2. 36-38) e os anjos glorificaram a Deus por seu plano de salvação (Lc 2. 13, 14).
Como a morte de Jesus iria trazer a Ele mais glória? Jesus sabia que sua hora chegava, mas, ao mesmo tempo em que Ele sentia temores, também sabia que se aproximava a hora que seria glorificado (Lc 22. 69; Jo 12. 23) e que venceria a luta contra o mal (Jo 12. 31). Paulo descreve isto em Fp 2. 5-11 dizendo para que os irmãos imitem o exemplo de humildade de Cristo para a glória de Deus Pai. Pedro também explica a exaltação de Cristo afirmando que “o Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, ao qual vós matastes, suspendendo- o no madeiro. Deus, com a sua destra, o elevou a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e remissão dos pecados (At 5. 30, 31; Cf., 2. 36. veja Cl 2. 10; 1Pe 3. 22). Os anjos adoram ao Pai e ao Cordeiro ao mesmo tempo (Ap 5. 11, 13), pois eles compartilham a mesma glória (Jo 5. 23).
Terceiro: a morte de Jesus livraria os discípulos de terem que morrer por seus próprios pecados (v. 33). Diz o Texto: “Filhinhos, ainda por um pouco estou convosco. Vós me buscareis, e, como tinha dito aos judeus: para onde eu vou não podeis vós ir, eu vo-lo digo também agora”. Você pode sentir o tom carinhoso nas palavras de Jesus? Antes Jesus lhes chamava de “discípulos”, depois de “amigos” e agora de “filhinhos”. Chama-os de filhinhos justamente quando diz que terá de se separar deles. Em outras palavras, Cristo estava dizendo: “Vocês vão me procurar, mas não vão me encontrar. Agora eu terei de seguir sozinho. Daqui em diante, ninguém pode me ajudar!” (Veja Is 53. 8). Por que Jesus disse aquilo? Entenda uma coisa: a hora de Cristo estava chegando, e Ele teria que assumir agora a sua posição. Teria que seguir resolutamente sem medo em direção à cruz. Ele teve que ir à nossa frente para que nós não precisássemos ir pra lá também. Por isso que ninguém podia ir onde Ele estava indo. Ele assumiu a cruz em nosso lugar. Ninguém além de Cristo poderia fazer isso, nem ajudá-lO.
Existe uma preposição grega que explica esta atitude de Cristo em tomar o nosso lugar na cruz. A preposição é uper (huper). Muitas vezes ela é traduzida “por nós”, mas, literalmente significa “em lugar de”, “em benefício de” ou “para segurança de” (Veja algumas das referências onde ela aparece: Jo 10. 11, 15, 50, 51; 15. 13; Rm 5.6-8; 8. 32; 34; 1Co 11. 24, 25; 15. 3; 2Co 5. 14, 15, 20; Gl 1. 4; 2. 20; Ef 5. 2, 20, 25; 1Ts 5. 10; 1Tm 2. 6; Tt 2. 14; Hb 2. 9; 10. 12; 1Pe 2. 21; 3. 18; 1Jo 3. 16). A placa que colocaram sobre a cruz com o título: “Jesus nazareno, Rei dos Judeus” (Jo 19. 9), devia ser outra, uma que tivesse o seu nome, o meu nome e o nome de Barrabás, mas Jesus tomou o nosso lugar (2Co 5. 21; Gl 3.13). Por isso não precisamos ir á cruz. Cristo foi em nosso lugar, morreu e ressuscitou, ascendendo aos céus, abrindo o caminho para nós entrarmos lá (Hb 1. 1-6; 6. 20; 9.24; 10. 19-22) e nos apresentar diante do Pai (2Co 4. 14; Ef 5. 26, 27; Cl 1. 21, 22; Jd 24).
VI. SEXTO OBJETIVO: EXORTÁ-LOS AO AMOR FRATERNAL (Jo 13. 34, 35)
O amor de Deus já tinha sido demonstrado por Cristo aos seus discípulos de várias maneiras durante os três anos e meio do seu ministério terreno. Daqui em diante era hora de os discípulos virarem apóstolos e demonstrarem o amor de Cristo ao mundo. Como poderiam demonstrar este amor? Fazendo o que Jesus fez (1Jo 3. 16). O amor demonstrado pelos cristãos aos outros deve ser moldado pelo amor que Cristo demonstrou a eles próprios. Esta seria a regra. Preste atenção no que Jesus disse em Jo 13. 34: “Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis”. Todos eles sabiam o que significava ser amado por Jesus e o privilégio que isso representava. De todos eles, queremos destacar aqui o exemplo de Pedro. Sua experiência é muito proveitosa. Vejamos o que ele viveu sobre o amor de Cristo:
(1) O amor de Cristo manifesta-se na aceitação. Sim, o amor de Cristo não é preconceituoso, Ele aceita e ama a todos. Você é prova disso. Deus não tem puxa-saco e nem preferido. Sua intimidade é oferecida a todos, mesmo que nem todos a busquem. Quando Pedro conheceu Jesus, disse que era um mero pecador e que não merecia nem mesmo estar na presença de Cristo, então Pedro mandou Jesus ir embora! Foi então que Jesus ficou (Lc 5. 8-10; Cf., At 10. 34). Mateus também teve a mesma experiência. Num jantar todos manifestaram seu preconceito com relação a ele ser um cobrador de impostos e estar recebendo Jesus em sua casa para um jantar amigável. Leia o trecho de Mateus 9. 9-13 e saberá dele próprio o que aconteceu e como Jesus explicou seu amor sem preconceito. Não pense que Jesus vê em você algo para se afastar, pelo contrario, não existe nada (além do pecado não confessado) que possa fazer Jesus desejar afastar-se de alguém. Jesus não é preconceituoso. Nos braços de Cristo existe lugar para todos! Ele ensinou isso por uma parábola (Lc 14. 20, 21). A mulher samaritana sabe disso muito bem, pergunte a ela! (Jo 4. 6-18, 25, 26, 28-30, 40-42). Da mesma forma o cristão não deve ser preconceituoso (2Co 13. 11; 1Ts 5. 13).
(2) O amor de Cristo manifesta-se no perdão. A ex-adúltera pode confirmar isto. Quando todos a acusaram, Cristo estendeu a ela a sua mão e a perdoou (Jo 8. 1-11). O cristão deve perdoar como foi perdoado (Mt 18. 23-35). Pedro aprendeu isso também (Mt 18. 21, 22). Quando ele traiu Jesus, pensou que tudo estava acabado. Acredito que os outros discípulos o comparavam com Judas, com a única diferença que ele não se suicidou depois de ter traído Cristo, como Judas fez. Mas, a mente de Pedro estava tão perturbada que talvez este pensamento tenha passado por sua mente. Nada poderia mudar o que aconteceu, ele pensava. Como ele gostaria de poder voltar ao passado! Um dia Jesus aparece e faz uma pergunta a Pedro três vezes “Pedro, você me ama?” Era só isso que Jesus queria saber. Não estava lá para lançar no rosto de Pedro os seus pecados, estava lá para restaurá-lo e perdoá-lo. Pedro pensava que a montanha (multidão) dos seus pecados era impossível de ser escalada (quero dizer, perdoada) por Jesus. Jesus, no entanto arranca uma confissão de Pedro: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo” (Jo 21. 17). Jesus então disse, parafraseando: “Então porque você está ai choramingando pelos cantos? Pensa que eu também não te amo?Temos muito trabalho a fazer. Vá e volte para a obra que eu te chamei agora mesmo. Você acha que eu ia te abandonar? Minha igreja precisa de você” (Jo 21.17b). Mais tarde, renovado e escrevendo uma epístola, Pedro fala aos irmãos sobre o amor que perdoa, dizendo: “Mas, sobretudo, tende ardente caridade (amor na prática) uns para com os outros, porque a caridade cobrirá a multidão de pecados” (1Pe 4. 8 – compare esta versão com a NTLH). Não existe multidão de pecados que Jesus não possa perdoar quando o pecador se arrepende sinceramente! Assim deve ser o Cristão. Você quer aprender a amar? Ninguém melhor do que Jesus pra te ensinar! (Ef 5. 2).
(3) O amor de Cristo manifesta-se na preocupação com o próximo. Veja o que Pedro aprendeu sobre isso também em 1Pe 1. 22; 3. 8, 10-11. Cristo ilustrou isso em Mt 18. 12, 13; Cf., 1Pe 5. 2.
VII. SÉTIMO OBJETIVO: ALERTAR SOBRE OS PRÓXIMOS ACONTECIENTOS (Jo 13. 19, 36-38)
O ultimo objetivo de Jesus nesta ocasião era preparar os discípulos para os próximos acontecimentos. As trevas da solidão estavam se aproximando. O traidor já tinha sido desmascarado. Àquela hora Judas já estava recebendo em suas mão as trinta moedas de prata e marcando com os soldados o sinal que ele daria, mostrando quem deveriam prender (Mt 26. 15, 48). Jesus então dá uma mensagem a todos os discípulos e a Pedro, em particular – todos o deixariam e Pedro o negaria publicamente (Mt 26. 31-35). Infelizmente os discípulos não se sentiram totalmente alertados com estas exortações de Jesus. Quando foram ao Getsêmani, todos dormiram, inclusive Pedro (Mc 14. 37 – lembre-se que foi o próprio Pedro que contou este relato ao evangelista Marcos). Aí Jesus deu mais um de seus ensinamentos: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” (Mc 14. 38). Muita coisa importante e decisiva iria acontecer para que os discípulos ficassem dormindo!
E você, tem dormido muito? Não estou perguntando se você sofre de sonambulismo ou outra doença do sono que faz a pessoa dormir de mais. Quero saber se você se mantém sempre vigilante (não estou perguntando se você sofre de insônia também). O que eu quero saber é se você está preparado para os próximos acontecimentos (a vinda de Cristo). Se não, leia o que está escrito em Mc 13. 32-36; Lc 21. 34- 36; 1Ts 5. 6. Veja também as exortações de Rm 13. 11-13 e Ef 5.14. A exortação de Pedro é deveras proveitosa (1Pe 5. 8 – é igual à mesma exortação que Jesus lhe deu em Lc 22. 31-34).
Acorda crente! Seja vigilante e sóbrio! Jesus está voltando! Estás preparado para os próximos acontecimentos? Daqui a pouco a trombeta tocará! (Mt 24. 1-31; 25. 1-13).
CONCLUSÃO
Neste estudo tivemos sete pontos e aprendemos em cada ponto uma lição importante:
(1) Como receber o amor de Cristo;
(2) Como imitar a humildade de Cristo;
(3) A importância da santificação;
(4) A maneira de firmar a comunhão com Deus;
(5) O poder da morte de Cristo;
(6) Como demonstrar o amor ao próximo;
(7) O devido preparo para a vinda de Cristo.
Antes de encerramos este estudo, queremos transcrever aqui um resumo com as palavras de Max Lucado sobre este episódio da lavagem dos pés dos discípulos feita por Jesus:
Não entendo como Deus pode ser tão bom para nós, mas Ele é. Ajoelha-se diante de nós, toma nas mãos os nossos pés, e os lava. Por favor, entenda que, ao lavar os pés dos discípulos, Jesus lavava também os nossos. Você e eu estamos na história. Estamos à mesa. Somos lavados, não de nossa poeira, mas de nossos pecados...
Não perca o significado. Pôr os pés na bacia de Jesus é colocar as partes mais sujas da nossa vida em suas mãos. No antigo Oriente, os pés das pessoas ficavam endurecidos de lama e pó. Os serventes da festa cuidavam para que fossem limpos. Jesus, no entanto, assume o papel do servo. Ele lava a parte mais encardida de sua vida, se você O deixar.
A água do servo vem somente quando confessamos que estamos sujos. Apenas quando confessamos que estamos endurecidos de sujeira, que caminhamos por trilhas de sujeira, por caminhos proibidos, e seguimos os caminhos errados.
Tendemos a ser orgulhosos como Pedro e resistimos: ‘Não estou assim tão sujo Senhor. Apenas borrife algumas gotas em mim e ficarei bem’.
Que mentira! “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos e não há verdade em nós”(1Jo 1.8).
Nunca seremos limpos se não confessarmos que estamos sujos. E nunca seremos capazes de lavar os pés daqueles que nos feriram, até que permitamos a Jesus, aquele a quem ferimos, lavar os nossos.
Veja você. Esse é o segredo do perdão. Nunca perdoará alguém mais do que Deus já o perdoou. Apenas deixe-o lavar seus pés; você terá forças para lavar os pés de outrem. (Extraído da Bíblia de Estudo Devocional – Max Lucado. Pág. 420, CPAD).
Minha oração a Deus é que Ele possa ter usado este estudo, enquanto você o lia, para lavar mais e mais o seu coração. Lembre do que disse Jesus: “Já que vocês conhecem esta verdade, serão felizes se a praticarem” (Jo 13. 17). Coloquemos nossos pés diariamente em sua bacia!
Deus te abençõe!
A Ele toda a glória!

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